Estamos inaugurando uma parceria importantíssima entre Parceiros Voluntários e a Prefeitura em prol da qualidade de vida dos porto-alegrenses. Ela parte do princípio básico de que cada um de nós é responsável por cuidar da sua cidade.
A cidade é o espaço de compartilhamento da vida em sociedade, local de convivência plena, onde moramos, trabalhamos, construímos nossos projetos de vida. Por que, então, nem todos nós temos consciência do nosso papel no cuidado desse espaço? Por que vemos, diariamente, cenas repetidas de depredação do patrimônio público, de agressão no transito, ou atitudes tão corriqueiras e simplórias como jogar lixo no chão ou depositá-lo em locais não apropriados?
Se atitudes como essas causam revolta à maioria de nós, ao mesmo tempo nos perguntamos porque essa indignação não atinge a todos? O que falta para que cada um dos 1,4 milhão de pessoas da nossa capital compartilhe da mesma preocupação?
Esse questionamento é um dos motes do V Congresso da Cidade, que começa em março e se estende até dezembro. Discutir maneiras de despertar a responsabilidade social em cada um de nós, ou seja, fazer brilhar em cada indivíduo o seu papel de cuidador da cidade é um dos maiores desafios desse evento.
O V Congresso da Cidade propõe-se a ser acima de tudo um palco de encontro de cidades, organizações, empresas que já realizam atividades cuidadoras, como o cuidado com crianças e pessoas carentes, ações de educação no trânsito, seja de forma organizada ou informal. Significa que cuidar da cidade é muito mais do que preservar o patrimônio público: é acima de tudo ter uma atitude fraterna e de respeito com os demais cidadãos, inclusive nas nossas relações familiares, comunitárias e de trabalho.
A Parceiros Voluntários é um exemplo de organização que trabalha de forma exemplar para que sua rede de colaboradores cuide de Porto Alegre, valorizando o conhecimento especializado de cada um de seus membros. O desafio que a Parceiros Voluntários se propõe agora, ao ingressar com elevado compromisso cívico num processo de capacitação de cuidadores da cidade, é levar a outras pessoas essa experiência, mostrar que muito do que já ocorre na cidade são ações de voluntariado espontâneas e que essa rede pode ser articulada em busca de resultados concretos ainda maiores para o futuro. O conhecimento e a experiência das pessoas dessa rede serão compartilhados com outros atores que atuam na esfera municipal, através da rede de participação democrática de Porto Alegre. Em parceria, esses grupos ajudarão a despertar nos territórios de Porto Alegre uma série de ações de mobilização para que cada bairro tenha os seus cuidadores.
Estamos portanto diante de uma grande oportunidade para fortalecer e ampliar a consciência cidadã dos porto-alegrenses, pois da mesma forma que somos detentores de direitos, também temos responsabilidades. Dar exemplo de cidadania é cuidar da nossa cidade como gostamos de cuidar da nossa própria casa.
4 comentários:
Sempre foi minha maior aspiracao a conquista da harmonica convivencia democratica, por isso participei ativamente da campanha das direta, epoca que morava em Sao Paulo, que era dirigente sindical, que tinha emprego e renda. Hoje sou um Advogado-morador de rua, usuario do albergue de nossa Capital. O ideal da democracia tornou-se um sonho longinquo, e na convivencia vulneravel onde sub existo, apenas acumulo a cada dia frustracao e decepcao. Obrigado.
Ja fiz um comentario depoimento pessoal sobre a vida democratica como ideal a ser conquistado no dia a dia. Obrigado
Caro amigo Secretário Cézar Busatto!
Parabéns pelo tema proposto! Muito necessário, pertinente e que toca a todos nós. Pensar a cidade e cuidá-la como cuidamos e nos relacionamos em nossa família é um assunto nem sempre presente no coração das pessoas. Igualmente oportuna a iniciativa do V Congresso da Cidade. Participei do lançamento e gostei muito de encontrar tantas pessoas representativas desta nossa cidade 'ocupadas' em trabalhar para cuidar desta nossa casa.
Tendo presente o V Congresso da Cidade, acredito que (teremos) em mãos um grande desafio. Especialmente o fato de trabalharmos com pessoas, suas histórias, projetos e, principalmente, nem sempre abertas ao diálogo (no sentido de ouvir-se mutuamente). Neste sentido proponho algumas reflexões (a partir do texto "L'intelligenza sociale. Verso una teoria relazionale dell'intelligenza ..." de Teresa Boi e Guglielmo Gulotta - autores do livro "L'intelligenza sociale") sobre a necessidade de uma formação social com ênfase no relacionamento:
"... a relação surge como necessidade primária, detectável no DNA de cada pessoa, chave de leitura necessária para compreender o desenvolvimento humano, mas representa também a categoria do ser e do agir da sociedade. A relação envolve as pessoas, as transforma condicionando-as do exterior e estimulando-as do seu interior ...
... a relação representa para a pessoa a busca de sentido das coisas, do mundo, da vida ...
... no relacionamento os outros representam o nosso 'olhar crítico' e nos ajudam, em um processo circular, a descobrir a nossa identidade como um espelho, descobrindo aquilo que nós não conseguimos entender ou que não conseguimos (queremos) ver ...
... o reconhecimento da alteridade, como descoberta do 'não ser o outro', determina qualitativamente a relação, enquanto na 'diversidade' se tem também algo único a oferecer. Esta representa uma fonte de troca, inovação e criatividade ...
... na relação a diversidade se torna dom recíproco. O dom responde a uma lógica de liberdade e gratuidade nos seus três momentos constitutivos: dar, receber, restituir ...
... a relação pressupõe o 'pensar juntos' que se torna 'pensar com' ... dialogar com o pensamento do outro. O diálogo outra coisa não é senão a compreensão recíproca baseada no falar, no desejo de entender e se fazer entender. O diálogo pressupõe dois elementos fundamentais: a palavra e o silêncio ... o silêncio, espaço de escuta atento, é a concha que recolhe a palavra. Quem cala, exatamente com o silêncio, participa e solicita a palavra do outro e se põe assim em sincronia e sintonia empática ...
... desta maneira, a relação dá vida a um processo de ‘ajuda recíproca’, cujo fim não é o de substituir o outro, mas o desenvolvimento gradual das ‘competências pessoais’, confiança na capacidade de superar o desafio consigo mesmo e se tornar capaz de afrontar um problema, de descobrir novos horizontes (que um evento como o V Congresso da Cidade pode oferecer) ... a confiança permeia os seus efeitos positivos em cada forma de interação social e dá qualidade não interessada e generativa às relações interpessoais ...
... o aspecto positivo das relações é definido nas Ciências Sociais como ‘pró-sociais’ (ou prósocialidade) ...
continua .....
continuação ....
... a prósocialidade é um dos modos mais diretos para melhorar a capacidade empática. Favorece uma outra pessoa, grupo ou o realização de objetivos sociais positivos sem que exista previamente alguma forma de recompensa externa. A prósocialidade consente de ‘fazer o primeiro passo’, qualidade da relação que pressupõe uma indispensável, voluntária, aprioristica e ativa estima no confronto com o outro, seja este pessoa, grupo ou comunidade....
... a prósocialidade nas relações interpessoais, através da realização de objetivos sociais positivos, aumenta a probabilidade de dar início a reciprocidade salvaguardando a identidade, a criatividade e a iniciativa das pessoas ou dos grupos envolvidos ...
... o direito fundamental a igual dignidade não pode prescindir das concretas particularidades da existência social. A igualdade deve respeitar e valorizar as diferenças, o universalismo não deve anular o particularismo, a unidade e a multiplicidade são tuteladas e representadas contemporaneamente. Isto exige que na relação todos agam inclusivamente, compreendendo o outro, ou seja ‘fraternizando as diferenças’ das quais cada um é portador, colaborativamente orientados ao objetivo, à unidade ..."
‘Pretensiosamente’ imaginamos alguma ação ou atividade (convidar os autores?), durante o V Congresso da Cidade, que envolva as pessoas neste aprendizado... o que achas?
Com um abraço fraterno,
Flávio Dal Pozzo, Maria do Carmo
Movimento Político pela Unidade do Rio Grande do Sul
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