Edição de Dacar Marcada pela Desorganização
Tive a oportunidade de participar hoje da Assembléia do Conselho Internancional do FSM, na Maison de la Culture. Cerca de duzentas pessoas passaram mais de cinco horas avaliando essa edição do FSM e a opinião generalizada é
ela foi desorganizada e apresentou sérios problemas de logística, essenciais para a boa realização das atividades do grande evento:falta de espaços adequados para as reuniões, pouca informação acessível sobre a programação, deficiencias de tradução, falta de logística básica de comunicação, como acesso a internet, equipamentos som e imagem, etc.Vitória da Luta do Povo Egipcio
Estes problemas de logística, por um lado, causaram uma certa frustração entre os participantes, mas, por outro lado, foram em parte ofuscados pelo fato da realização do FSM haver coincidido com a vitória do povo egipcio em sua luta pela liberdade e a democracia com a renúncia de Mubarack. A notícia da queda do ditador ontem, sexta-feira, causou grande alegria e entusiasmo nos milhares de altermundistas (assim se chamam os ativistas do FSM) que se concentraram para a Assembléia Final de Convergência para a Ação, no campus da Universidade Cheikh Anta Diop.
Sintonia com as Redes e Mídias Sociais
Se a vitória democrática no Egito realçou a cultura política libertária dos participantes do FSM e consolidou sua presença no continente africano, ela também exerceu o papel de colocar em questão a forma como o espaço político que a realização do FSM representa está sendo organizado. Há uma forte opinião entre os membros do Conselho Internacional de que chegou a hora deste espaço ser requalificado, de modo a harmonizar-se com a emergente cultura política das redes e mídias sociais, colocadas a serviço de uma cidadania ativa e transformadora, especialmente presente na juventude.
Esgotamento de um Modelo
Está perpassando no Conselho Internacional um sentimento de que é preciso atualizar-se, colocar-se em sintonia com os novos tempos, compreender o fenômeno emergente das novas midias sociais, entender essa nova cultura política cidadã, aparentemente desorganizada e caótica, mas instituída de uma potencia mudancista jamais conhecida antes. O momento de avaliação crítica que vive o FSM reflete, pois, o esgotamento de um modelo político baseado em práticas de organizações mais ou menos centralizadas, diante das novas práticas de redes sociais distribuídas, horizontais, sustentadas por pessoas autônomas, ativas, que utilizam as novas mídias sociais para articular-se, mobilizar-se e potencializar suas causas cívicas e transformadoras. Os acontecimentos destas últimas semanas na Tunísia e no Egito revelam essa nova realidade política com toda a evidencia. É hora, realmente, de o FSM parar para um profundo balanço, se quiser seguir desempenhando um papel inovador e de vanguarda como teve nas suas primeiras edições.
1 comentários:
Bah, tomara que realmente o comitê internacional veja o Egito como exemplo a ser seguido de democracia da informação, de um novo modelo de vida, sem tantas mesquinharias e centralização!
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