Ao conferir o Prêmio Nobel de Economia para Elinor Ostrom, economista política, professora da Universidade de Indiana e diretora do Centro de Estudos de Diversidade Institucional, ficou evidente que o caminho do empoderamento das pessoas para exercerem seu auto-governo está na ordem do dia da agenda mundial. Ostrom é a primeira mulher a conquistar esse prêmio, e o principal objetivo de seus estudos é "perceber como é que os cidadãos podem organizar-se para se auto-gerirem", num verdadeiro espírito de governança solidária. Em seu livro "Governing the Commons - the evolution of institutions for colective action" , examina situações concretas de grupos de pessoas que procuram administrar bens coletivos, especialmente na área de recursos naturais. Segundo a laureada, além da regulação centralizada de governo ou da privatização de bens ou recursos de uso comum, como represas ou sistemas de irrigação, há uma terceira alternativa para resolver o problema da gestão de bens coletivos que tem se revelado muito eficaz: a definicão de instituições cooperativas duráveis que são organizadas e governadas pelos próprios usuários desses bens ou recursos. No momnento em que os rumos da humanidade parecem restringir-se à velha dicotomia Estado versus Mercado, não poderia ser mais oportuna essa premiação, que destaca através de evidências empíricas a capacidade das pessoas de organizarem-se, cooperarem entre si e exercer formas inovadoras de auto-governo, em sintonia com a sociedade do conhecimento e os mais rigorosos princípios de sustentabilidade.
13 de outubro de 2009
12 de outubro de 2009
Iniciativa Inovadora: o Pavilhão da Inovação de Santa Maria
A cidade de Santa Maria está promovendo uma importante inovacão na sua tradicional FEISMA, Multi-feira de Santa Maria. É o primeiro Pavilhão da Inovação da cidade, reunindo todos os segmentos da comunidade que tem alguma tecnologia inovadora para expor. O conceito de inovação é tomado em seu sentido amplo, envolvendo produtos, serviços, processos e formas de organização nas diferentes áreas da sociedade, a produção, a gestão pública e a vida associativa, sempre voltadas para o desenvolvimento sustentável e a melhor qualidade de vida e convivência entre as pessoas. O Pavilhão da Inovação faz parte do projeto de fazer de Santa Maria uma cidade inovadora, tendo por base a potente base de conhecimento e pesquisa instalada na cidade através de suas 7 instituições de ensino superior, lideradas pela Universidade Federal de Santa Maria, a maior do interior do país.Para conhecer melhor esta iniciativa inovadora, concedi uma entrevista para o Diário de Santa Maria, que pode ser acessada pelo link
http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,40,2680592,13296 .Ao abrir a página, ir no multimídia e clicar no contracapa.
10 de outubro de 2009
Comitê do Nobel Acertou na Decisão
Considero acertada a decisão do Comitê do Prêmio Nobel da Paz de conferir a Barack Obama a distinção deste ano. Não só pelo que representa sua eleição e pelo que já fez nestes primeiros meses de mandato à frente da nação mais poderosa do Planeta, e fez muito em tão pouco tempo. Mas também pelo significado político da decisão, que não tem sido bem avaliada por aqueles que acham que Obama não merecia ganhar o prêmio. A estratégica decisão do Comitê do Nobel acaba fortalecendo, de agora em diante, o exercício de um mandato, por parte de Obama, ainda mais comprometido com saídas pacíficas, baseadas no diálogo e no entendimento, para os graves conflitos com que se defronta a humanidade neste momento, em especial no Oriente Médio. É claro, por exemplo, que o fato de Obama passar a deter o Nobel da Paz aumentará o seu compromisso em evitar uma escalada bélica no Afeganistão, como quer o conservadorismo armamentista norte-americano, derrotado nas últimas eleições.
Barack Obama mais Barack Obama
Foi muito feliz, neste sentido, o coordenador do Comitê do Nobel quando afirmou que o Prêmio tinha por objetivo fazer com que Barack Obama seja mais Barack Obama, numa hora em que o econômica e politicamente poderoso complexo industrial-militar dos Estados Unidos faz de tudo para que ele seja mais George W. Bush. Essa parece-me ser a questão política crucial que está em jogo: a disputa política global sobre o caráter da política externa da nação mais poderosa do Planeta, que é responsável pelo clima político no mundo como um todo. Barack Obama recebeu o Nobel porque implementou até agora e para que aprofunde ao longo de seu mandato a diplomacia da paz, atitude que faz toda a diferença para os destinos da humanidade nesse mundo de hoje, tão complexo e perigoso. Creio, portanto, que não poderia haver decisão mais inteligente do que essa que tomou o Comitê do Prêmio Nobel, inclusive surpreendendo e em alguns casos causando indignação em alguns meios de comunicação e setores da opinião pública mundial menos comprometidos com a paz e um mundo melhor para todos.
4 de outubro de 2009
Recepção Calorosa no PMDB de Porto Alegre
Depois de oito anos militando no PPS, retornei ao PMDB onde já havia militado por trinta anos. Fui recebido de forma calorosa e amiga pelos militantes e lideranças do partido em Porto Alegre, muito além do que poderia imaginar. Esse gesto em meu entender revela, de um lado, o espírito generoso e aberto do partido, e, de outro, a preservação de laços políticos e afetivos que nós forjamos ao longo de uma longa trajetória de luta democrática comum e que ainda nos mantem ligados e identificados. Num discurso forte, o Senador Pedro Simon defendeu que do Rio Grande do Sul parta um movimento por uma política ética e digna, e que esse movimento seja liderado por uma aliança que reuna as forças políticas que foram a base do velho MDB, ou seja, os trabalhistas do PDT e do PTB e os democratas do PMDB. Com base nessa aliança estratégica, que já governa a cidade de Porto Alegre, seja formada a chapa majoritária que deverá disputar as eleições no ano que vem.
Participação Numerosa e Ativa das Mulheres
Fique impressionado com a presença numerosa e ativa das mulheres na Convenção do PMDB de Porto Alegre. Embora elas avaliem que seu espaço ainda é pequeno no conjunto da vida partidária, todas reconhecem que houve avanços significativos nos últimos anos. O calor humano e o carinho com que as mulheres do PMDB me receberam emocionou-me. Veja na foto abaixo um momento descontraído desse reencontro.
2 de outubro de 2009
Porque Estou Retornando ao PMDB-RS
Retorno ao PMDB do Rio Grande do Sul, partido político no qual militei durante trinta anos, sob a liderança do senador Pedro Simon, para continuar a luta pelo aprofundamento da vida democrática, da emancipação social e pela mudança da atual cultura política em nosso país.
Nos últimos anos, como militante do PPS, dediquei-me a promover o paradigma da responsabilidade social como compromisso maior de todos, pessoas, instituições, empresas e poder publico em todos os níveis.
Desse aprendizado, compartilhado com inúmeras pessoas com quem tive o privilégio de conviver, originou-se o conceito e a prática inovadora da governança solidaria local. Ela traz no seu bojo a essência da democracia, que é o exercício permanente do diálogo, do entendimento e da cooperação, e, sendo assim, avessa à disputa exacerbada que testemunhamos atualmente em nosso Estado. Traz, também, uma nova concepção de desenvolvimento, não apenas econômico, como também social, ambiental, cultural e institucional, ou seja, desenvolvimento sustentável
Precisamos entender, sobretudo nós políticos, que o poder não é oferecido aos vencedores de um cabo de guerra, mas sim aqueles e aquelas que o constroem de baixo para cima, tecendo pactos, consensos, associações e redes, tendo como objetivo o bem-estar da sociedade.
A concepção e a prática da governança solidária local passaram a orientar a política e a gestão da Prefeitura de Porto Alegre no governo do Prefeito José Fogaça e tem contribuído para o seu reconhecimento nacional e internacional.
Após ter exercido os cargos de Secretário de Coordenação Política e Governança Local de Porto Alegre e de Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, vivi uma das experiências políticas mais marcantes, como voluntário na campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, e dediquei-me a repensar e refazer minha vida pessoal e política.
Durante esse período de reflexão, amadureci a decisão de voltar a meu partido de origem, tendo contribuído para isso a convivência política fraterna que venho tendo como colaborador do Prefeito Cezar Schirmer no município de Santa Maria.
Diante do atual quadro de descrédito da política e dos políticos em nosso país, estou convencido - e pretendo contribuir neste debate dentro do partido e na sociedade - da necessidade de articulação de um movimento político em favor de uma agenda mínima de mudanças políticas estruturais que, pela experiência que adquiri, considero essenciais para o necessário aperfeiçoamento da democracia brasileira:
- a mudança no atual modelo de financiamento das campanhas e da política de modo geral, que favorece práticas de corrupção, para um novo modelo, mais transparente e mais democrático, como é o financiamento público não-estatal pelos próprios eleitores pessoa física, com contribuições segundo sua disponibilidade;
- a profissionalização do serviço público, restringindo a figura dos cargos de confiança e valorizando o processo de seleção de servidores através de concurso público, acompanhado de salários dignos e permanente capacitação;
- a mudança da forma convencional de governo pela prática inovadora da governança solidária local;
- a instituição da responsabilidade social no setor público, com diagnósticos sociais permanentemente atualizados, permitindo a fixação de metas sociais que orientem os investimentos anuais e plurianuais e a publicação do respectivo Balanço Social;
- a redução do poder de Brasília e o fortalecimento do poder dos municípios e cidades, para construirmos uma nação economicamente mais próspera, socialmente mais justa, ambientalmente mais sustentável e politicamente mais democrática.
Creio que essas propostas apontam para uma efetiva mudança da política tal como vem sendo praticada, em que os políticos, depois de eleitos, perdem o vínculo com seus eleitores e não lhes prestam contas de seus atos, em benefício de uma política mais transparente e democrática, e para um real compromisso dos políticos com as pessoas que os elegeram e suas comunidades locais.
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