8 de julho de 2009

Inovação na Campanha de Obama


As Entidades Filantrópicas Podem Aprender Com Barack Obama

Por Nick Burne, consultor senior de novas tecnologias de informação e comunicação na Think Consulting Solutions. Janeiro de 2009


A campanha presidencial de Barak Obama usou a media social no seu resultado mais efetivo e foi um triunfo em arrecadação de recursos. Nick Burne observa o que nós podemos aprender com ela.

Não importa o que você pensa da media social, o fato é que ela mudou o mundo – Barack Obama não teria chegado à Casa Branca sem ela. Se nós como um setor vamos algum dia alavancar o poder da media social, nós temos que aprender com o próprio Obama.
A campanha de Obama para presidente realmente começou em 2003 quando Joe Trippi assumiu como gerente da campanha presidencial de Howard Dean. Um auto-intitulado fanático por tecnolologia, Trippi revolucionou a política nos Estados Unidos. Ao invés de ser com base em alguns poucos doadores ricos de corporações, ele o fez com base no povo novamente, através do poder da internet para desencadear uma revolução política.
Quando Trippi juntou-se à campanha de Dean, o desconhecido Dean tinha 100 mil dólares no banco, sete assessores e um pouco menos do que 500 apoiadores conhecidos. Usando o poder da rede social Dean recrutou 600 mil apoiadores apaixonados, arrecadou mais do que 50 milhões de dólares e tornou-se um sério concorrente à presidência.
Avancemos para Junho de 2008. Obama descartou um programa federal que teria dado a sua campanha 84 milhões de dólares em fundos públicos para gastar entre a convenção de lançamento de agosto e a eleição de novembro pelo fato de que o dinheiro teria-lhe proibido de gastar mais do que aquela quantia. Obama confiou em sua capacidade de arrecadar mais apoio e dinheiro online de milhões de indivíduos.
Ele colocou o que Joe Trippi fez com a campanha de Howard Dean em um novo patamar. Ele construiu um movimento pela mudança, recrutou apoiadores e arrecadou uma imensa soma de dinheiro.
No mês de setembro de 2008 Obama quebrou todos os recordes de arrecadação com 150 milhões de dólares arrecadados. Sua campanha arrecadou um total de 639 milhões de dólares – 289 milhões de dólares mais do que McCain. E o mais interessante foi que a maior parte veio de pequenas doações individuais numa média de 86 dólares. Qual foi então a sua tática de arrecadação on line?

Ele fez uma campanha a meu respeito

Uma afirmação da cabeça da página de abertura do site de Obama dizia: “Estou pedindo para você acreditar. Não apenas na minha habilidade de levar uma mudança verdadeira para Washington...Estou pedindo para você acreditar em você mesmo”. E não era apenas uma afirmação. Ele sustentou-a dando-me maneiras de envolver-me on line. Eu era convocado a inscrever-me no site My.BarackObama.com . Eu podia ser um herói – parte da mudança. Ela dizia respeito a mim, meus amigos e família, e quem eu pudesse influenciar.

Ele tornou a campanha pessoal

Eu assinava o email de Obama (eu tinha que designar um código postal dos Estados Unidos) para manter-me atualizado e acompanhar a campanha. Quase imediatamente eu era convidado para jantar com ele próprio! “Jantar com Barack”, “Barack na sua quadra”, “Grande evento perto de você”, “Esperando ouvir-te”. Até mesmo a Senhora Obama estava envolvida na operação, dando-me sua agenda pessoal e convidando-me para jantar. Isso certamente transformou-se como se fosse o início de um relacionamento pessoa-a-pessoa.

Ele recrutou arrecadadores, não apenas doadores

Um amigo meu que foi aos Estados Unidos algumas semanas antes do dia da eleição foi abordado na rua: “Você gostaria de tornar-se um arrecadador para Barack Obama?”, e não “Você gostaria de dar uma pequena doação”. Você pode arrecadar? Ele não apenas pediu às pessoas para arrecadar, ele as empoderou conclamando-as a participar. Eu podia inscrever-me, registrar-me para atender eventos, começar meus próprios eventos e email, convidar meu círculo de influencia, criar minha própria página de arrecadação. Eu podia comentar e debater importantes aspectos da campanha.

Ele conectou pessoas

Através de seu site eu podia conectar-me com outros apoiadores próximos de mim. Se houvesse alguma coisa acontecendo em minha área, eu ficaria sabendo e poderia envolver-me.
Obama também foi onde as pessoas estavam. Ele tinha uma forte presença no MySpace, mais de dois milhões de apoiadores no Facebook e 20 milhões de canais no YouTube. Você podia acompanhar sua exposição de fotografias no Flickr e suas mensagens de estímulo no Twitter. Ele escolheu os sites e plataformas que tem o maior número de usuários e entrou nelas agressivamente. Como uma das afirmações de seu site sugeria, Obama estava em todos os lugares. Ele inclusive anunciou seu candidato a vice-presidente por texto. Ele usou a media e o vídeo com qualidade. Seu site não era cheio de páginas e páginas que eu tivesse que ler. Ele estava cheio de pequenos vídeos interessantes e envolventes e conteúdos de TV com estilo.

Ele usou a media digital para controlar a mensagem

Obama criou um micro-site no endereço http://www.fightthesmears.com/ para responder diretamente as acusações feitas contra ele e pediu a seus apoiadores para espalhar sua mensagem por toda a internet.
Ele liberou sua equipe de conteúdo para criar conteúdos empacotados que podiam ser compartilhados através do seu site na rede. Um vídeo de um minuto em sua página na internet podia ser compartilhado por milhões de seus apoiadores por email, postado nos arquivos do Facebook, e compartilhado no Youtube.

Ele não tinha medo de perguntar

“Se você não pedir, você nunca conseguirá”. Nós dizemos isso muito em levantamento de recursos mas Obama mostrou o que era não ter medo de pedir por nossas doações. Melhor ainda ele não tinha medo de pedir para que você pedisse a outros. Em cada página na internet e em cada email havia grandes botões pedindo para você doar. Ele usou cada recurso online disponível para fazer as pessoas se inscreverem, tornar-se doadores e arrecadadores. Ele usou páginas chamativas – uma página na rede que se coloca na frente de sua página home – com uma convocação específica para a ação. Ele tinha uma convocação para a ação em cada email e ao final de cada página na rede.
Ele nunca perdia uma oportunidade

Eu costumava trabalhar na Ajuda Cristã e naquele tempo eu percebi que nós éramos uma das poucas organizações de base inglesas a ter uma facilidade de conexão na rede onde os apoiadores poderiam inscrever-se, registrar suas observações e o site responderia dando-lhe as boas vindas, propor-lhe ações de campanha e mostrar-lhe sua doação e história de ação. Era básico – o equivalente a tentar construir um relacionamento com alguém através do estudo de seus registros bancários, mas era o início do uso da media da forma correta para engajar apoiadores.
Nós todos sabemos que estamos na era da informação, mas eu posso ver que a maior parte das organizações ainda não se deu conta disso ainda, de modo que há muito que nós podemos aprender da história de Obama. Mas o que nós absolutamente devemos fazer é assegurar que nós não deixaremos que seu exemplo seja desconsiderado. Nós temos que vê-lo como o ponta-pé inicial que precisamos para reexaminar como a media social afeta nossa estratégia de levantamento de recursos.