30 de abril de 2009

Eleição De Obama Mudou A Política


Reproduzo abaixo notícia que saiu no jornal VNews, de São José dos Campos, a partir de entrevista que concedi ao jornalista Daniel Buarque.


Eleição de Obama mudou a política, diz voluntário brasileiro da campanha

Cezar Busatto se diz satisfeito com primeiros cem dias de governo. Obama vai exportar novo modelo de fazer política para o mundo, diz.

O economista brasileiro Cezar Busatto está satisfeito com o resultado prático da sua atuação política no final do ano passado. Enquanto realizava uma pesquisa sobre a democracia americana, na Califórnia, ele acabou se envolvendo como voluntário na campanha que elegeu o democrata Barack Obama presidente dos Estados Unidos, e, às vésperas de se completarem 100 dias do novo governo, acha que seu candidato está agindo como ele esperava, realmente mudando o país mais poderoso do planeta, e influenciando todo o mundo.

“A mudança está sendo vista na prática”, disse Busatto, em entrevista ao G1, por telefone. Para ele, Obama está fazendo nesses primeiros meses de governo tudo o que prometeu na campanha. “Isso é uma novidade pois normalmente o que os políticos defendem na campanha acaba não sendo exatamente o que fazem quando governam”, disse, elencando exemplos de mudança como o orçamento enviado ao congresso e a decisão de retirar as tropas norte-americanas do Iraque.

Para o economista, Obama faz que se concretizem todas as plataformas propostas durante a campanha eleitoral, o que expressaria um novo jeito de fazer política, em que você faz no governo exatamente o que defendeu na campanha. “E faz imediatamente, não fica esperando. Ele traz a verdade para a política. Esta é a maior revolução que ele está praticando, introduzir a verdade como valor fundamental da política.”

Convidado para estudar na Universidade Stanford, Busatto aproveitou para fazer a pesquisa sobre a campanha eleitoral que estava se desenrolando. Ele se inscreveu como voluntário numa pequena cidade da Califórnia e acabou incluído na campanha em Nevada, falando com a população de origem hispânica, ajudando a conquistar mais votos para Obama. Foi graças à participação de milhares de voluntários como ele que Obama venceu neste e em outros estados decisivos da eleição de novembro de 2008.

Além da pesquisa, a experiência se transformou no livro “Um voluntário na campanha de Obama” (Ed. Coletiva), em que conta o que viveu durante o processo eleitoral.

Idealismo

Além de creditar a Obama a transformação política que descreveu acima, Busatto fala empolgado da campanha como um momento único em que as pessoas se envolveram na política por idealismo. “No Brasil, as pessoas ficam passivas, em casa, e quem faz campanha na rua é gente paga. Na campanha de Obama havia idealismo, comprometimento com a causa”, contou.

O democrata de fato se elegeu com imenso apoio popular e uma forte campanha de voluntários. E mesmo prestes a completar cem dias no poder e em meio à continuação da crise financeira global, mantém altos índices de aprovação popular no país. “Obama foi buscar o financiamento de campanha do próprio eleitor, que é para quem ele vai prestar contas, e não mais para as grandes corporações. Foram 4,5 milhões de norte-americanos que doaram dinheiro para financiar 85% da campanha de Obama. Hoje ele precisa prestar conta para a população e não para nenhuma empresa”, diz Busatto.

“O grande diferencial da campanha de Obama foi levar a política até a população. Ele criou um slogan que dizia ‘sim, nós podemos’, e tirou de si a única responsabilidade pela ação. Ele fez um discurso que incorporou as pessoas no projeto, pedindo mobilização social”, conta. O voluntário brasileiro admite que a política tradicional ainda pode se fortalecer e paralisar este momento de “mudança”, mas se diz mais confiante de que pode acontecer o contrário, com uma confirmação do governo Obama como bem-sucedido, consolidando a plataforma transformadora.

Ele vai além, e diz acreditar que o norte-americano vai exportar esta transformação para outros países, mudar a cultura política global. “A mudança que estamos observando não está acontecendo num país de segunda categoria, mas no país mais importante do planeta, a democracia mais madura, de forma real e concreta. Isso vai fazer escola no mundo. Não tenho dúvida de que uma série de novas metodologias usadas na campanha dele já vai entrar fortemente na disputa eleitoral brasileira do próximo ano.”

28 de abril de 2009

Os 100 Dias Do Governo Obama

Reproduzo abaixo, em tradução livre, uma prestação de contas dos 100 primeiros dias do governo Obama. Ela é um exemplo de objetividade, coerência com o discurso de campanha, transparência, e respeito com os eleitores e cidadãos, num patamar pouco comum na política tal como se pratica hoje no Brasil. Merece também destaque a utilização da informação interativa georeferenciada no mapa dos Estados Unidos, estado por estado.



Cezar,

Amanhã marcará o centésimo dia do Presidente no governo. Muita atenção será dada a este dia tão simbólico, e a verdade é que o que nós fizermos todos os dias após ele será tão importante ou mais. Mas nossas conquistas nesse tempo foram marcates, e elas estão promovendo resultados concretos sobre as pessoas e as comunidades por todo o país.

Você construiu o movimento que tornou isso possível, e é sua responsabilidade mostrar aos Americanos que mudanças reais podem acontecer quando pessoas comuns trabalham juntas.

Explore essa mapa interativo para saber sobre os progressos que nós fizemos nos últimos 100 dias e as histórias reais de Americanos cujas vidas foram já beneficiadas. A partir daí, divulgue isso passando adiante a seus amigos e familia:


Com nosso país em crise, o Presidente assumiu e agiu rapidamente para restaurar a confiança e a estabilidade de nossa economia. Mas igualmente importantes foram os passos que nós demos com o objetivo de construir um novo fundamento para nossa prosperidade, de modo que nós nunca voltemos ao sistema que nos conduziu à crise.


Em apenas 100 dias, nós fizemos investimentos cruciais para criar empregos e melhorar a educação, energia e assistência à saúde. Tudo isso é uma passo inicial para uma nova visão econômica - uma visão na qual os trabalhadores capacitados impulsionam nossa economia, e não a dívida e a especulação; uma visão onde a liderança americana em energia limpa impulsiona a inovação no século 21; e uma visão onde as famílias e negócios não são mais espoliados por custos exorbitantes de planos de saúde.

Atender a promessa de mudança é a razão pela qual nós construímos esse movimento. Agorta, o Presidente Obama está contando com todos nós para construir apoio para esses fundamentos e para criar uma recuperação duradoura para a América.

Dê uma olhada agora nesses primeiros passos críticos que nós tomamos juntos e passe isso adiante para outros verem:



Essa nova direção não teria sido possível sem você. Mas nossos maiores testes estão ainda por vir, e o futuro está para ser moldado por nós. Vamos agarrar esse momento juntos de tal modo que a história mostrará que, nessa encruzilhada definidora, uma geração de Americanos colocaram seu país no caminho da segurança e da prosperidade de longo prazo.


Obrigado,

David Plouffe

16 de abril de 2009

Pelo Fim Do Embargo Dos EUA A Cuba

Reproduzo abaixo uma campanha justa da organização cívica www.avaaz.org pelo fim do embargo anacrônico dos EUA a Cuba.

Você sabia que esta semana pode ser o começo de uma nova era para Cuba, com o fim do embargo econômico imposto pelos EUA? O Presidente Obama estará presente na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago onde lideranças latino-americanas estarão pressionando-o pelo fim do embargo. Este é o primeiro sinal em quase meio século de que Cuba poderá sair do bloqueio. Isto simboliza o fim do último resquício da guerra fria, abrindo caminho para uma nova relação de diálogo onde serão possíveis discussões sobre democracia, direitos humanos e liberdade de imprensa. Clique no link para colocar o seu nome na petição - ela será levada a Trinidad e Tobago num banner gigantesco de barco! Vamos chamar a atenção da mídia e líderes presentes, apóie esta campanha clicando no link:

http://www.avaaz.org/po/lift_cuba_embargo/98.php/?CLICK_TF_TRACK

Para mais informações leia o alerta completo abaixo.

Obrigado!

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Caros amigos,

Esta semana na Cúpula das Américas o Presidente Obama terá uma oportunidade única de rever a relação dos EUA com Cuba, virando a página em quase meio século de um embargo econômico falido.

Líderes latino-americanos, a ONU e até senadores e deputados dos EUA estão questionando o embargo que, por décadas, apenas prejudicou a população cubana. O Obama já anunciou que vai aliviar as restrições de viagem e facilitar o envio de dinheiro, porém é preciso fazer muito mais. Este é o momento certo para fazermos pressão, levando uma mensagem clara para a mídia internacional e os políticos americanos de que é preciso dialogar com o governo cubano e acabar com as políticas falidas do passado.

Nossa mensagem será levada a Trinidad e Tobago de uma forma que não poderá ser ignorada: em um gigantesco banner nos mastros de um barco. Assine a petição pedindo o fim do embargo, o número de assinaturas será colocado no barco, chamando a atenção de repórteres e líderes presentes na Cúpula. Clique abaixo para assinar:

http://www.avaaz.org/po/lift_cuba_embargo/98.php/?CLICK_TF_TRACK

Quando os EUA colocaram o embargo a Cuba em 1962 a justificativa era forçar a pequena ilha a se tornar democrática e respeitar direitos humanos. Quase meio século depois, este argumento se provou falho mostrando que o único prejudicado com o embargo é o povo cubano que está sendo privado de suprimentos agrícolas, medicamentos, tecnologias novas, informações e idéias.

Algumas pessoas argumentam que enquanto o embargo continuar o governo cubano sempre o usará como desculpa pelo atraso ao invés de se responsabilizar pelas suas próprias falhas, se recusando a lidar com questões de liberdade de imprensa, de associação e de oposição.

Hoje vemos um sinal de esperança inédito, há realmente chances das relações EUA-Cuba mudarem. Por toda a América Latina, nossos líderes estão pedindo para o Presidente Obama abrir o diálogo com a ilha. Nos EUA, pesquisas recentes revelam que três quartos da população querem uma mudança na política de isolamento, até mesmo grupos conservadores de exilados cubanos nos EUA apóiam a mudança.

Agora que o Obama tomou o primeiro passo, é fundamental manifestarmos a opinião da sociedade civil. Se nós nos mantivermos calados o debate poderá ser ganho pelos demagogos que se beneficiam da polarização. Uma manifestação positiva e encorajadora da sociedade civil irá chamar a atenção da mídia, focando o debate na necessidade de uma nova era de relações justas e responsáveis entre Cuba, EUA e toda a América Latina.

Assine a petição agora e encaminhe este email para seus amigos, e fique de olho no nosso barco este fim de semana em Trinidad e Tobago!

http://www.avaaz.org/po/lift_cuba_embargo/98.php/?CLICK_TF_TRACK

Com esperança,

Luis, Alice, Paula, Graziela, Ben, Raj, Iain, Ricken, Brett, Paul, Margaret, Pascal, Taren e toda a equipe Avaaz

13 de abril de 2009

Tecnologias Limpas Para Um Novo Ciclo De Crescimento


Reproduzo abaixo, pelo seu significado estratégico, uma manifestação do ex-presidente Bill Clinton, divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, que vê nos investimentos em novas tecnologias e produção de energias limpas uma alternativa de expansão da economia capitalista hoje em crise, quem sabe inaugurando um novo ciclo de crescimento mais amigável com a preservação do planeta.

O ex-presidente americano Bill Clinton propôs, em Bruxelas, impulsionar as políticas de luta contra a mudança climática como uma fórmula para sair da crise econômica internacional. "Cada vez que vejo um lixão, vejo empregos", disse Clinton, em referência às oportunidades colocadas pelas energias renováveis durante seu discurso em um "fórum progressista" organizado na sede do Parlamento Europeu pelo Grupo Socialista. Segundo o ex-presidente dos Estados Unidos, "a saída para a crise está em criar milhões e milhões de empregos" para desenvolver novas formas de gerar energia que mudem "a maneira com a qual alimentamos nossas economias".

Expectativas Para A Conferencia de Copenhague


Clinton ressaltou a necessidade de agir logo contra a mudança climática, e disse que "é relativamente fácil concordar metas estratégicas como um bom resultado da Conferência de Copenhague", que será realizada este ano, para buscar um acordo global. "Mas a pergunta que os progressistas têm que fazer é: como vamos conseguir isso?", afirmou o ex-presidente americano. Junto com o desafio da mudança climática, Bill Clinton aprofundou em sua intervenção nos outros dois grandes problemas que, segundo ele, "o mundo interdependente" de hoje possui: a desigualdade e a instabilidade. A solução para os três desafios está interligada e deve ser buscada já, apesar da conjuntura econômica, acrescentou. "Não podemos ignorar estes problemas por causa da crise financeira atual", insistiu, e recomendou aos Governos que definam planos de recuperação "agressivos" e, ao mesmo tempo, impulsionem a cooperação internacional. "Eu apoio o plano do presidente (Barack) Obama, mas também apoio a secretária de Estado (Hillary Clinton) quando diz que não podemos nos afastar do resto do mundo", disse.

9 de abril de 2009

Obama E O Mundo Muçulmano


A visita do presidente Barack Obama a Turquia e as manifestações que fez naquele país revelam uma mudança importante na política exterior de Washington com relação ao mundo muçulmano e confirmam uma vez mais os compromissos de campanha. Os EUA insistiram durante o governo Bush em confundir islamismo com extremismo, como se todos os muçulmanos que professam a fé islâmica fossem extremistas e fanáticos. Essa confusão, talvez proposital, que começou a ser introduzida no discurso do governo norte-americano logo após o atentado das torres gêmeas, causava profunda indignação nas comunidades muçulmanas que vivem nos Estados Unidos, como tive a ocasião de comentar em uma postagem nesse blog, ainda em plena campanha de Obama (ver “Barack Obama e as Relações com o Mundo Muçulmano”, datada de 26 de outubro de 2008). As duas manifestações públicas de Obama na Turquia deixam claro que o novo governo dos Estados Unidos diferencia claramente o islamismo do terrorrismo. Por um lado, manifesta profundo respeito pela fé islâmica, dentro do princípio democrático da liberdade de culto religioso. Por outro, faz coro com o islã, assim como todas as demais correntes religiosas do mundo, na condenação de práticas e atentados terroristas. Essa nova atitude deverá contribuir significativamente para reduzir a tensão mundial, isolar e fragilizar os grupos fanáticos e terroristas, e abrir caminho para mais diplomacia, diálogo e entendimento na solução dos gravíssimos problemas com que se defronta a humanidade nesse início de novo século.

6 de abril de 2009

O Papel Decisivo Dos Municípios


Parece que nos últimos dias caiu a ficha. Governo federal anuncia para essa semana medidas para responder ao protesto dos prefeitos quando à queda dos repasses aos municípios. Essa queda é provocada pela redução da arrecadação do IPI, causada por dois movimentos simultâneos, as isenções decididas como política anti-crise e a redução da arrecadação em decorrência da retração da atividade econômica na indústria, desde o final do ano passado. Chama a atenção o fato de que há meses esse alerta vem sendo feito pela Confederação Nacional dos Municípios, mas recém agora se anuncia que serão tomadas medidas de compensação. No encontro com milhares de prefeitos que o governo federal realizou no final de fevereiro, o assunto nem foi abordado. Precisou que prefeitos de vários estados brasileiros fizessem protestos, fechassem as portas de repartições públicas, gritassem por socorro, em nome de suas comunidades. Para elas, a redução de recursos municipais reflete-se imediatamente na perda de qualidade no atendimento de serviços públicos essenciais, sob a responsabilidade dos municípios, como saúde, assistência social e educação básica. O governo federal tem revelado até aqui pouca consciência do papel decisivo que tem os municípios no enfrentamento da crise global e de seus reflexos no país.

Governo Estadual Dá Passo Positivo, Mas Limitado

O governo estadual, a seu turno, realiza nesse inicio de semana uma reunião com os prefeitos do Estado, uma iniciativa importante, ainda que tardia. O Estado tem cumprido a sua parte nos acordos firmados com as prefeituras na área de repasse de recursos do transporte escolar e da consulta popular. Evidentemente, a redução da arrecadação do ICMS e algumas isenções decididas recentemente também impactam negativamente no bolo de 25% que é repassado aos municípios. Mas o aumento dos investimentos que o déficit zero está possibilitando, a partir desse ano, torna-se um importante alento para as cidades. Esse fato abre um largo caminho para que se inaugure um forte espírito de cooperação Estado-Municípios, que possa quem sabe ser ampliado para o âmbito federal mais à frente. A concretização desse espírito cooperativo passa pela articulação dos orçamentos de investimentos das três esferas de governo, a partir das necessidades e prioridades locais, com amplo envolvimento das comunidades interessadas. Parece, entretanto, não ser essa a tônica do encontro anunciado, mais preocupado em ser um contraponto político-eleitoral com a esfera federal, do que o início de uma etapa de cooperação federativa mais sistêmica e profunda, como a nação requer.

Momento Para Refletir Sobre A Mudança na Federação

Esses acontecimentos são propícios e o momento é por demais oportuno para uma reflexão. Até quando os governos locais e suas comunidades vão continuar aceitando um papel menor na concertação federativa do país? Até quando a federação continuará sendo verticalizada a partir do governo central, tanto econômica quanto politicamente, relegando aos municípios, e no mais das vezes aos próprios estados, um papel passivo, através de uma atitude excludente na tomada de decisões? Será que os mais de 5.400 municípios brasileiros não estão maduros para protagonizar um processo mais ousado de mudança, que faça valer de fato, e não apenas de direito, o princípio constitucional federativo? Não se trata apenas de mudar a repartição dos recursos arrecadados, hoje em mais de 60% concentrados na esfera federal. Trata-se de efetivamente decidir e trabalhar juntos com base nos programas e projetos conjuntamente definidos, colocando em primeiro plano as prioridades das comunidades locais, promovendo o seu envolvimento e co-responsabilidade, e não aquelas decididas verticalmente por Brasília. Nesse caso, o papel dos interesses privilegiados, lobistas e eleitorais, acabam geralmente sobrepondo-se aos genuínos interesses cidadãos, em detrimento do erário e das comunidades.

2 de abril de 2009

Poderosa Resistência às Mudanças Necessárias


Diante do colapso do atual modelo de capitalismo financeirizado e especulativo, articulam-se poderosas resistências à mudança que se faz necessária. Nos EUA, há um verdadeiro jogo de forças entre o novo governo de Obama, as montadoras de automóveis e o sistema financeiro. Quanto às montadoras, Obama teve que rejeitar pela sua timidez a proposta de reestruturação apresentada pela GM e Chrysler, impôs a demissão do presidente da GM Rick Wagoner, e fixou um prazo de 60 dias para a apresentação de um novo plano mais ousado de reestruturação e modernização. Em represália, as montadoras já falam em concordata. No caso do sistema financeiro, o governo força uma regulamentação geral das instituições de todo o tipo, incluindo seguradoras e administradoras de fundos, depois do episódio do pagamento de bônus milionários para seus executivos pela AIG, salva com dinheiro público, mas há nesse setor também a possibilidade de o governo ter que agir com mão mais pesada. Nesse caso, entretanto, a força dos lobbys é tão poderosa que o próprio governo Obama parece dividir-se sobre o melhor caminho a tomar.


O G-20 E O Futuro do Capitalismo


É nesse contexto crítico no âmbito interno dos EUA que o presidente Obama participa pela primeira vez de uma reunião do G-20, um grupo do qual participam cerca de 30 países dos mais importantes do mundo para debater e decidir a reforma do sistema financeiro internacional diante da crise global. É pertinente a relação dessa reunião com a de Bretton Woods, que definiu os rumos do capitalismo após a Grande Depressão dos anos 30 do século passado, tal a expectativa mundial para que dela saiam resultados equivalentes. A opinião pública mundial está perplexa diante do gravíssimo impacto da crise em termos de desemprego e perda generalizada de renda e riqueza e do volume de recursos públicos que estão sendo canalizados para salvar bancos e grandes empresas globais. As manifestações de milhares de pessoas em Londres expressam bem essa perplexidade e indignação cidadãs. Há uma novidade evidente e que merece ser comemorada, entretanto: a nova atitude do presidente dos EUA. A busca de cooperação com outras nações, a prática do multilateralismo e da diplomacia da paz, longe da velha atitude prepotente, unilateral e belicista, parece estar-se tornado a marca do relacionamento do novo governo dos EUA diante do mundo. O comunicado conjunto dos presidentes da Rússia e dos EUA é, nesse sentido, deveras alentador.


Resultados Promissores na Reunião do G-20


As palavras harmonia e entendimento também predominaram na realização da reunião do G-20 em Londres. Segundo Gordon Brown, primeiro ministro do Reino Unido, hoje foi o “dia que o mundo se uniu pra lutar contra a recessão global”. Entre as medidas concretas, o FMI teve seus recursos acrescidos de 250 bilhões para 1 trilhão de dólares, dos quais 750 milhões serão destinados para financiamentos e 250 bilhões para apoiar a liquidez do sistema financeiro internacional. Constituiu-se o Comitê de Estabilidade Financeira, do qual fazem parte todos os países do G-20, para aprofundar e monitorar a regulação de todo o sistema financeiro mundial. Haverá sanções aos paraísos fiscais que não compartilharem informações fiscais e uma lista negra dos lugares não confiáveis. Segundo Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, “as decisões são mais ousadas e rápidas do que qualquer outra resposta internacional a uma crise financeira em toda a história”. O presidente Lula destacou que pela primeira vez “ países desenvolvidos e em desenvolvimento sentam e tomam decisões em pé de igualdade”.