28 de fevereiro de 2009

Política Redistributiva No Orçamento De Obama


Enquanto os jornais locais enfatizam a redução de subsídios para os grandes produtores agrícolas no primeiro orçamento do governo Obama, abrindo espaço de mercado para a produção agrícola brasileira, os jornais dos Estados Unidos destacam a coerência da proposta com os objetivos de mudança anunciados na campanha. O 3,55 trilhões de gastos programados anunciam mais gastos em assistência à saúde, energia, e educação, enquanto aumentam os impostos sobre os 5% de contribuintes mais ricos, as indútrias de petróleo e gás, e os administradores de fundos de investimentos, entre outros. Segundo o USA Today, a proposta orçamentária de 134 páginas “não tem precedentes em tamanho, com uma abrangência impressionante e com certeza terá um impacto enorme sobre milhões de norte-americanos”. Já o Wall Street Journal destaca que o plano de gastos “marca uma mudança significativa em quase trinta anos de filosofia governamental”, decretando o fim da política econômica da era Reagan.

Déficit de 1,75 Trilhões de Dólares Preocupa Republicanos


O Washington Post declara que “a agenda de Obama procura fomentar uma redistribuição de riqueza, com o governo trabalhando para reduzir a disparidade crescente entre ricos e pobres”. A fim de alcançar este propósito, entretanto, Obama “estabelece marcos controvertidos em quase todos os principais temas que desafiam o país”, afirma o Los Angeles Times. O WSJ prevê que o plano de gastos “provavelmente despertará uma das mais duras lutas políticas que Washington já viu em anos”. Os Republicanos foram rápidos em levantar suas objeções no que foi claramente “um sinal de preocupação para o presidente”. A Senadora Olympia Snow, do Maine, uma das poucas Republicanas que votou a favor do pacote estímulos à economia, declarou que, enquanto as metas do presidente são valiosas, ela lamentava que o orçamento “ficou extremamente tímido” na restrição fiscal e redução do déficit.

26 de fevereiro de 2009

Inovações no Primeiro Orçamento do Governo Obama


Todos os jornais de hoje nos Estados Unidos trazem manchetes sobre a decisão do Presidente Obama de formar um fundo de reserva de 634 bilhões de dólares durante os próximos dez anos para financiar o programa de assistência universal à saúde prometido na campanha.
O início da formação desse fundo será anunciado com a apresentação da primeira proposta de orçamento do novo governo. Os recursos para a formação do fundo virão do aumento de impostos dos norte-americanos mais ricos e do corte de despesas governamentais supérfluas.

No centro do plano está uma proposta de redução gradual do valor de certas deduções que aqueles no topo da pirâmide de renda podem realizar para itens como juros sobre hipotecas e contribuições caritativas. Ao mesmo tempo, Obama também proporá estender a redução de impostos para a maior parte dos norte-americanos e pagar essa conta com as receitas que obterá de taxações mais elevadas para indústrias poluidoras.
Iniciativas Para Redistribuir A Renda

Essas duas propostas, articuladas com o propósito de Obama de suspender algumas das reduções de impostos da administração Bush, conformam “um pronunciado movimento para redistribuir riqueza através da imposição de uma maior parcela da carga tributária sobre as grandes empresas e os contribuintes mais ricos”, afirma o New York Times.

O fundo de reserva de 634 bilhões de dólares é “um grande passo para estender a cobertura de assistência à saúde para 46 milhões de norte-americanos não-segurados e subsidiar com prêmios outros norte-americanos que tem seguro”, afirma o jornal USA Today.

Por outro lado, segundo o Wall Street Journal, a proposta de aumento de impostos deverá criar uma grande polêmica no Congresso, e uma das questões chave será “se uma mudança na fórmula de deduções desestimularia doações caritativas entre os mais ricos”.

O déficit previsto da proposta orçamentária que será encaminhada ao Congresso norte-americano é de 1,75 trilhões de dólares.

25 de fevereiro de 2009

Crise Dos Bancos Mobiliza Norte-Americanos


Cinco milhões de membros do movimento de ação política MoveOn mobilizam-se e pressionam o Congresso dos Estados Unidos para impedir que mais dinheiro dos contribuintes norte-americanos seja utilizado para enfrentar a crise dos bancos de Wall Street. Reproduzo abaixo, em tradução livre, a carta que recebi sobre essa iniciativa, que mostra uma das formas de ação política do movimento.

Prezado membro do MoveOn,

Os membros do MoveOn fizeram uma grande diferença em Washington na semana passada – perguntando questões específicas para altos executivos financeiros e apoiando um bem sucedido limite para remuneração desses executivos. Mas esses banqueiros de Wall Street danificaram fundamentalmente nossa economia – e há muito mais trabalho a fazer para limpar o estrago feito por eles.

A administração de Obama apresentou um projeto para arrumar o sistema bancário, mas muitos detalhes importantes permanecem obscuros. Um número de proeminentes economistas – incluindo Paul Krugman, Joseph Stiglitz, Nouriel Roubini, Dean Baker, e Jeffrey Sachs – propuseram planos, e todos eles compartilham um princípio fundamental: Wall Street não deveria receber mais benesses às custas dos contribuintes.

Com os Congressistas saindo de Wasnington e dirigindo-se para suas casas nessa semana, nós temos uma oportunidade perfeita para esclarecer sobre essa questão. E a melhor maneira de fazer isso é enchendo os jornais locais com cartas ao editor – as quais os congressistas monitoram diretamente para entender o que as pessoas estão pensando.

Você pode escrever uma carta exigindo um acompanhamento e prestação de contas efetivo dos bancos que arruinaram nossa economia? Isso levará somente alguns minutos e nossa ferramenta “online” facilita esse trabalho.

É chave que nossos representantes eleitos ouçam-nos agora, porque o Congresso levará em conta suas idéias para consertar Wall Street em breve. E quando eles o fizerem, eles terão que insistir que os interesses básicos dos norte-americanos deverão ser colocados antes dos interesses de Walll Street. Os acionistas e executivos de bancos terão que cobrir suas próprias perdas antes que qualquer dinheiro adicional dos contribuintes seja colocado em pauta.

22 de fevereiro de 2009

Atitude Política Diferenciada de Obama


Estamos há pouco mais de trinta dias do novo governo de Barack Obama, mas já é tempo suficiente para ver que estamos diante de um político diferenciado, que veio para mudar a política, os Estados Unidos e, quem sabe, ajudar a mudar o mundo. Nestes tempos de descrédito generalizado na política e nos políticos, chamou-me a atenção a atitude de Obama diante das nomeações de auxiliares que tiveram que renunciar por não cumprir com suas obrigações fiscais. Em várias entrevistas a emissoras de TV norte-americanas, Obama admitiu ter errado: “sinto-me frustrado comigo mesmo e com minha equipe”, reconheceu. Em outra declaração, foi ainda mais incisivo: “meti os pés pelas mãos, cometi um erro e provavelmente não será o último durante meu mandato”. Ora, algo que deveria ser normal em um ser humano, errar e reconhecer o erro, quando se trata de um político tem sido uma atitude rara, como se a dissimulação tivesse que ser a norma de seu comportamento, em detrimento da credibilidade. A atitude de Obama é exemplar de um novo comportamento, baseado na verdade e não na manipulação, que pode ser o início do resgate da credibilidade na política e nos políticos.

20 de fevereiro de 2009

Agrava-se A Crise Dos Bancos Nos Estados Unidos


Todas as evidências apontam para um agravamento ainda maior da crise do que restou do sistema financeiro dos Estados Unidos. A confiança dos investidores não foi restabelecida e o crédito continua paralisado, contribuindo para o aprofundamento da crise no sistema produtivo, e o aumento do desemprego. As análises especializadas indicam que os grandes bancos sobreviventes, como City Bank e Bank of America, estão em grandes dificuldades e não sobreviverão sem uma nova injeção de dinheiro público do Tesouro. Ao mesmo tempo, aumentam as resistências políticas na sociedade (como atesta o movimento MoveOn) e no Congresso norte-americano para aprovar um novo pacote de ajuda aos bancos. Ao lado disso, a Alemanha acaba de aprovar uma legislação que autoriza o governo a nacionalizar bancos e o ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, afirmou em Nova York que talvez seja necessário nacionalizar pelo menos parte do sistema financeiro que restou no país.

Greenspan Defende A Nacionalização de Bancos

Greenspan reconheceu o erro que cometeu ao acreditar que o mercado financeiro era capaz de auto-regular-se e, em conseqüência, ao defender a liberação desse mercado durante as quase duas décadas em que esteve à frente da política econômica dos Estados Unidos. Agora, além de colocar-se a favor da regulamentação do mercado financeiro, argumentou que seria mais eficaz para o restabelecimento do crédito e a saída da crise a nacionalização temporária de parte do sistema financeiro norte-americano. A discussão sobre a necessidade de nacionalizar o sistema financeiro cresce na medida em que as medidas tomadas até aqui, e o enorme volume de dinheiro público já aplicado após a eclosão da crise, tem demonstrado baixa efetividade para restabelecer os fluxos de crédito, tanto para o consumo como para o sistema produtivo. Entretanto, essa é uma medida que encontra enormes resistências, não só entre os próprios bancos, senão também na equipe econômica do governo Obama. O desfecho dessa discussão dependerá em grande parte do aprofundamento ou não da crise e das pressões políticas num tempo muito próximo.

19 de fevereiro de 2009

A Mudança Diante De Nós

Reproduzo abaixo artigo de minha autoria que foi divulgado no jornal Zero Hora dessa terça-feira, dia 17 de janeiro. Ele expressa minhas conviccões mais profundas sobre o momento atual da política em nosso país, e sobre as necessárias mudanças a nos desafiar como indivíduos e como sociedade, se quizermos realmente dar passos efetivos para um mundo mais pacífico, solidário e inclusivo de todos.

“O mundo mudou, e nós temos que mudar com ele” tornou-se a frase mais difundida do histórico discurso de posse do novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. De fato, estamos diante de um mundo novo, que exige de cada um de nós, como indivíduos e como sociedade, um novo modo de pensar, novos conceitos e novas atitudes.

Na medida em que o mundo fica menor, pela facilidade com que nos comunicamos e interagimos, revela-se nossa humanidade comum e sentimos que fazemos parte da mesma Nave Terra. Diante disso, não há mais lugar para o pensamento tradicional, setorial e especializado, que não é capaz de fazer as necessárias conexões das partes com o todo, e deste com as suas partes constitutivas. Impõe-se uma visão integradora e sistêmica.

A atual crise econômica, que começou nos Estados Unidos, ao estender-se quase que instantaneamente para o mundo todo, desempregando milhões de pessoas, nos dá a lição de que o mundo está completamente interligado, e não há mais espaço para soluções particulares, ou de grupos, ou mesmo de Nações. As respostas serão efetivas se concertadas globalmente.
Entretanto, são tão graves os problemas diante de nós, e o seu sentido de urgência é tão acentuado, que ressurge a tentação de voltarmos a recorrer a nacionalismos exacerbados, ou radicalismos ideológicos e partidários, ou mesmo a fanatismos religiosos. Mas a história nos ensina à exaustão que tais soluções salvacionistas já causaram tantas guerras, sofrimento e perdas no passado recente da humanidade.

Por acaso temos alguma chance de solucionar os conflitos no Oriente Médio, ou reduzir as desigualdades sociais e eliminar a extrema pobreza, ou enfrentar o aquecimento global, se não formos capazes de nos darmos as mãos e fazermos de nossas diferenças culturais e ideológicas, de nossas inteligências, não um obstáculo, e sim uma poderosa força coletiva de mudanças, como seres humanos que somos, habitantes do mesmo planeta?

Nesse mundo conectado e simultâneo, os desafios globais estão presentes também na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade. O global se localiza, o local se globaliza. E se impõe a prática de uma nova política, que conclama à responsabilidade social de cada um de nós e que acredita na capacidade criativa e transformadora das pessoas comuns, quando se unem e trabalham juntas por uma causa.

A política tradicional do conflito e da discórdia cede lugar para a política do diálogo e do entendimento. Ao apostar no diálogo, não desconhecemos nossas diferenças, e buscamos com humildade e grandeza construir a unidade de propósitos em favor do bem comum. As pessoas estão cansadas de políticos que se digladiam durante a eleição, mas depois fazem um vergonhoso loteamento dos cargos de governo, com incompetentes muitas vezes assumindo posições de comando, e ficamos todos reféns dessa associação esdrúxula em que só quem perde é a sociedade.

A democracia institucional dos partidos, das eleições periódicas, da disputa e alternância de poder, avança para a democracia comunitária e participativa, na base da sociedade e no cotidiano dos cidadãos. A idéia de que os governos podem tudo e fazem tudo sozinhos é substituída pela concepção de governança, em que agentes de governo e cidadãos unem-se para trabalhar juntos pela melhoria da vida e da convivência. Ao conectar-se globalmente, através da rede mundial de comunicação e informação, fazem de cada comunidade um espaço concreto de construção democrática do mundo melhor com que sonhamos.

O desafio para cada um de nós é não termos medo de mudar com o mundo, porque, se não mudarmos, nossas façanhas não poderão servir de exemplo aqui, quanto mais para toda a terra.

18 de fevereiro de 2009

Uma Nova Atitude de Governante


Reproduzo abaixo, em tradução livre, a carta que recebi do Presidente Barack Obama, agradecendo o apoio que foi dado por milhões de cidadãos norte-americanos para a aprovação pelo Congresso do plano de recuperação econômica dos Estados Unidos. Creio que a divulgação dessa carta é importante especialmente para revelar a nova atitude de um govenante, que governa em plana conexão com as pessoas comuns, que participaram da campanha e que agora participam do novo governo.

Cezar,

Hoje, eu transformei em lei o Plano De Recuperação e Reinvestimento.

Esse é um passo histórico - o primeiro de muitos na medida em que trabalharmos juntos para sair dessa crise - e eu quero agradecer-te por tua determinação e por teu apoio.

Vocês organizaram milhares de encontros em suas casas. Vocês compartilharam suas idéias e histórias pessoais. E vocês informaram seus amigos e vizinhos da necessidade por ação imediata. Vocês continuam a ser uma voz poderosa pela mudança pelo país afora.

O plano de recuperação criará 3,5 milhões de empregos, proporcionará cortes de impostos para famílias trabalhadoras e de classe média, e investirá em assistência à saúde e energia limpa.

É um plano simples para enfrentar um problema gigantesco, e ele exigirá minha vigilância e a sua para termos certeza que ele será bem aplicado.

Acabei de designar uma equipe de administradores para supervisionar a implantação do plano de recuperação. Nós estamos comprometidos em assegurar que nenhum dólar será desperdiçado. Mas a exigência de uma prestação de contas transparente começa contigo.

Esta é a razão pela qual minha administração criou http://www.recovery.gov/ , um novo site onde os cidadãos podem acompanhar cada dólar gasto e cada emprego criado. Nós convidaremos a ti e aos teus vizinhos para integrar-se com comentários e perguntas.

Nosso progresso também será medido pelas dezenas de milhares de histórias pessoais encaminhadas por pessoas que estão lutando para alcançar seus objetivos. Se tu ainda não encaminhastes a tua, tu podes ler as histórias de famílias por todo o país:
http://my.barackobama.com/yourstories

As histórias de vocês são o coração desse plano de recuperação, e é a isso que me dedicarei cada dia como Presidente.

Com teu apoio contínuo, nós emergiremos como uma nação mais forte e próspera.

Obrigado.

Presidente Barack Obama

15 de fevereiro de 2009

Mobilização, União E Solidariedade Diante da Crise


O Congresso dos Estados Unidos acaba de aprovar o plano de recuperação econômica de 789 bilhões de dólares de investimentos governamentais para enfrentar a maior crise econômica e financeira do país desde os anos 30 do século passado. Pela primeira vez desde aquela época, a atividade governamental volta ao centro da dinâmica econômica da nação mais poderosa do planeta, deslocando para um plano secundário a iniciativa privada e o mercado. São os recursos do Estado, ou seja, dos contribuintes e cidadãos, mais uma vez socorrendo o sistema capitalista, que em épocas de prosperidade e bonança privatiza lucros e concentra riquezas. Se não houvessem outras, essa já seria razão suficiente para que a questão do controle democrático do Estado, da democratização da tomada de suas decisões na área econômica e financeira, ascendesse ao patamar principal das grandes questões do interesse do cidadão, do contribuinte e da sociedade nesse início de século e milênio. Nos Estados Unidos, o governo Obama colocou a política anti-crise no centro da agenda nacional, envolveu o Congresso e a sociedade nesse debate, milhões de norte-americanos foram mobilizados para participar e influenciar nas decisões que finalmente foram tomadas. Ainda assim, como afirmam importantes economistas, como o prêmi0 nobel Paul Krugman, o corte de cerca de 100 bilhões de dólares do plano original pelos congressistas, rerirando recursos dos governos estaduais e locais, reduzindo os investimentos em educação, e aumentando o corte de impostos para as empresas, retirou potência e tornou insuficiente o plano aprovado. Nessas decisões, prevaleceu o pensamento conservador, mais voltado para os grupos privilegiados do que para os genuínos interesses dos cidadãos e suas comunidades. E isso tudo ocorreu apesar da imensa pressão popular que desabou sobre a Câmara e o Senado norte-americanos. Teria sido muito pior sem essa pressão da sociedade sobre Washington.


É Hora De União E Trabalho De Todos Em Favor Do Emprego e Dos Desempregados


Aqui no Brasil, e mesmo aqui no Rio Grande do Sul, por mais que todas as evidências apontem para um impacto forte da crise mundial sobre o desempenho da economia e o nivel de emprego, os governos e a sociedade não tem colocado essa pauta no centro de um grande debate e mobilização nacional, como se faz necessário. O governo federal e os governos estaduais tem basicamente tomado medidas pontuais. Os novos presidentes da Câmara Federal e do Senado, deputado Michel Temer e Senador José Sarney, por sua vez, perderam a oportunidade de colocar as novas gestões das duas Casas do Congresso Nacional a serviço dessa causa, pressionado dessa maneira para que o Poder Executivo fizesse o mesmo. O novo presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Ivar Pavan, em artigo recente no jornal Zero Hora (12/02/2009), propõe um urgente "grande debate com empresários, trabalhadores, poder público e outras organizações da sociedade , para analisar c0m profundidade os impactos nos diferentes setores e construir alternativas". Creio que esse chamado deveria ser atendido por todos os poderes públicos, líderes da sociedade, cidadãos, com forte envolvimento dos governos municipais e suas comunidades locais, de modo a que, em conjunto, sem disputas de beleza e de paternidade, fosse definido um plano de medidas anti-crise para reduzir o impacto do desemprego, ao lado de um plano de medidas para impulsionar o desenvolvimento local e regional, de modo a acelerar a abertura de novas oportunidades de geração de empregos. Mais ainda, essa seria a boa hora para aprofundarmos a nossa cultura da solidariedade, tomando iniciativas concretas para personificar em cada comunidade, retirando da estatística e do anonimato, as pessoas que estão involuntariamente perdendo a sua fonte de renda, e promover soluções concretas para minorar seu sofrimento e de suas famílias, até que consigam encontrar uma nova atividade geradora de renda.

9 de fevereiro de 2009

Presidente Obama Mobiliza e Organiza a Sociedade


O próprio Presidente dos Estados Unidos está mobilizando a sociedade norte-americana para pressionar pela aprovação do Plano de Recuperação Econômica do país. Depois de dar entrevistas para as principais redes de televisão, Obama gravou um vídeo que está sendo distribuído pelo site Organizing for America para toda a rede de apoiadores, formada na época da campanha, e que continua mobilizada, somando mais de 5 milhões de pessoas. E hoje à noite, com horário brasileiro previsto para às 23 horas, Obama fará um pronunciamento ao vivo para toda a Nação explicando porque o país precisa de um esforço imediato para criar milhões de empregos, ao mesmo tempo em que investe no enfrentamento de desafios de longo prazo como energia e assistência à saúde. O Presidente conclama por investimentos imediatos em criação de empregos, enquanto segue a assistência para aqueles que estão desempregados, sem seguro saúde, ou em perigo de perder suas casas. O Plano de Recuperação Econômica passou na Câmara dos Deputados, e o Senado deverá votá-lo com modificações provavelmetne amanhã. Mas o coração do plano de Obama foi concebido para beneficiar famílias e comunidades por todo o país.

Compreensão da Gravidade da Crise e do Papel dos Governantes

A atitude de Obama revela uma profunda compreensão da gravidade da crise econômica por que passam os Estados Unidos, e as consequências sociais do desemprego para as famílias e comunidades. Na sua avaliação, é mais caro para a Nação o desemprego de milhões de pessoas, do que o financiamento do déficit público que os novos investimentos deverão gerar. Por outro lado, a atitude de Obama revela que não bastam atitudes institucionais, seja do Poder Executivo, seja do Legislativo, para debelar a crise. Ele certamente poderia aprovar o plano com a maioria democrata nas duas casas legislativas, mais alguns votos republicanos que viriam por gravidade. Ele está aproveitando a oportunidade do debate do Plano de Recuperação Econômica para conclamar a todos os norte-americanos a organizar-se e mobilizar-se em suas comunidades, articular-se com organizações e poderes locais e regionais, de modo a gerar uma poderosa rede de cooperação e solidariedade que trabalhe unida, tomando iniciativas comunitárias de enfrentameto da crise em cada quarteirão do país. E tudo isso está acontecendo no país mais poderoso do Planeta.

Como Tem Sido a Nossa Atitude Diante da Crise?

Cabe a pergunta: e aqui, será que estamos fazendo tudo o que poderíamos para enfrentar a crise e suas consequências? Será que os nossos governantes estão conscientes da profundidade da crise que vem por aí? Ou será que estão avaliando que o impacto da crise entre nós será pequeno, e portanto não há motivo para maiores preocupações e iniciativas? Volto a insistir, a impressão que tenho é de que ainda não caiu a ficha, quando vejo o Ministro da Fazenda dizendo que o Brasil ficará fora da recessão mundial, como se o Brasil estivesse desconectado da globalização econômica e financeira que carateriza o atual estágio do capitalismo. Quando vejo que ainda estamos insistindo em praticar taxas de juros nominais de 12,75% ao ano, quando os países desenvolvidos praticam taxas de juros nominais de 0 a 0,25% ao ano. Quando não se vê nenhuma preocupação dos nossos governantes em mobilizar a sociedade para gerar formas de solidariedade diante das c0nsequências da crise. Quando não se vê nenhum programa de solidariedade federativa, financiado com recursos federais, compartilhado com contrapartidas estaduais e municipais, para estimular a economia e o desenvolvimento local, mais além dos grandes projetos do PAC. Ou seja, é hora de fortalecer esse verdadeiro colchão amortecedor da crise global que é a pequena atividade de geração de trabalho e renda de cada localidade, os arranjos produtivos locais, as redes de economia solidária, as cooperativas, o microcrédito produtivo, enfim, as energias produtivas e criativas endógenas a cada comunidade pelo país afora. É hora de fortalecer a cultura do empreendedorismo econômico e social e da solidariedade, porque todos estamos no mesmo barco, esse Planeta que está cada vez mais pequeno e interconectado.

5 de fevereiro de 2009

Como o Movimento MoveOn Trabalha Pela Mudança Nos Estados Unidos


Para exemplificar a forma de ação política em favor das mudanças nos Estados Unidos do movimento MoveOn, que, como sabemos, teve um papel muito importante na eleição de Obama, reproduzo abaixo uma carta de orientação enviada a seus membros nos últimos dias:

Prezado membro do Conselho do MoveOn,

Você já marcou um encontro com seu representante no Congresso ?

No próximo mês, quando os congressistas voltarem para casa para o recesso do Dia do Presidente, os Conselhos do MoveOn estão organizando encontros pessoais com senadores, deputados, e assessores principais do Congresso. Nós mostraremos que esperamos que o Congresso trabalhe com o Presidente Obama para realizar uma mudança real em nossas principais prioridades – e nós enfatizaremos especificamente a ajuda na transição dos Estados Unidos para uma economia limpa.

Se você ainda não marcou, seu Conselho deveria entrar em contato com o escritório local de seu representante imediatamente para agendar um encontro durante a semana do dia 16 de Fevereiro. (Se você não está certo que alguém já telefonou ao escritório, confira com o seu Conselheiro Coordenador.)

Uma vez que você tenha definido a data e a hora, clique aqui para inscrever seu encontro de modo que seus colegas membros do Conselho possam particiapar:

http://pol.moveon.org/event/events/create.html?action_id=160&id=15474-10540550-x_KMNZx&t=1

Aqui estão algumas dicas para ajudar a conseguir um encontro com seu senador ou representante:

Seja polido. Se você concordar ou não com a política de seu senador ou representante, tratar a assessoria com quem você fala com cortesia é a melhor maneira de conseguir um encontro.

Solicite um encontro com o senador ou representante. Se lhe falarem que ele ou ela não está disponível, peça para falar com o Diretor Distrital ou outro membro de sua assessoria sênior.

Diga que você está solicitando em favor dos membros locais do MoveOn que querem um encontro. É importante ser claro que você representa os conselheiros locais.

Explique que você quer compartilhar as prioridades do MoveOn para o novo Congresso – assistência à saúde, recuperação econômica, enegia limpa, e o fim da guerra no Iraque.(Nós conheceremos mais sobre os temas legislativos mais candentes para focalizar nestes encontros na medida em que a data se aproximar.)

Seja persistente, e acompanhe. Você pode não receber uma resposta firme imediatamente, então não desista. Telefone de novo a cada poucos dias para conferir a situação de seu pedido.

Você pode ser solicitado a submeter um pedido de encontro por escrito. Se for assim, clique aqui para um modelo de carta a partir da qual você possa elaborar a sua:

http://pol.moveon.org/congressmeeting/meetingrequest.doc?id=15474-10540550-x_KMNZx&t=2

O tempo está ficando apertado de modo que você precisa agir rapidamente para agendar o encontro. Por favor faça a chamada hoje – e então registre seu encontro online:

http://pol.moveon.org/event/events/create.html?action_id=160&id=15474-10540550-x_KMNZx&t=3

Obrigado por ajudar a organizar estes encontros – e por tudo o que você faz.
Anna, Michael, Justin, Eli e o restante da equipe

P.S. Você pode ver informações sobre seu senador ou escritório de representação local acessando:

http://www.house.gov/
ou http://www.senate.gov/.



Deseja ajudar o nosso trabalho? Nós somos totalmente patrocinados por 5 milhões de membros – nenhuma contribuição de empresas, nenhum cheque de grande valor de Executivos. E nossa minúscula equipe assegura que pequenas contribuições nos levem longe.

2 de fevereiro de 2009

Pressão da Sociedade Para Mudar a Cultura Política


O Partido Democrata dos Estados Unidos recentemente fundou uma nova organização social chamada “Organizing for America”, dedicada a mobilizar as comunidades de vizinhos, amigos e familiares para apoiar as propostas de mudança do novo governo de Barack Obama. Essa organização vem a somar-se ao movimento político “MoveON”, que teve um papel decisivo na campanha vitoriosa de Obama, e que agora realiza o mesmo trabalho de forma suprapartidária, envolvendo 5 milhões de apoiadores voluntários. O objetivo desses movimentos de base é fazer valer o interesse maior das comunidades, das pessoas, das famílias trabalhadoras, e impedir que jogadas unicamente partidários ou de lobistas façam valer seus interesses na discussão e aprovação das propostas de mundança do novo governo pelo Congresso. Trata-se de uma pressão de fora para dentro , ou seja, a partir da sociedade, para mudar a cultura política norte-americana. Algo que precisamos tanto também aqui no Brasil.

Reproduzo abaixo a carta que acabo de receber, e que expressa bem esse caráter do novo governo norte-americano, como organizador comunitário, tal qual fazia Obama no início de sua atuação política nas comunidades pobres de Chicago.

Cezar,

No ano passado, os Estados Unidos perderam 2,6 milhões de empregos. Esta semana, algumas das nossas maiores empresas anunciaram planos de cortar mais dezenas de milhares.

A crise econômica está aprofundando-se, mas o Presidente Obama e membros do Congresso propuseram um plano de recuperação que colocará de volta ao trabalho mais de 3 milhões de norte-americanos.

Tu podes aprender mais sobre como o plano ajudará tua comunidade organizando um Encontro sobre o Plano de Recuperação em tua Casa.

Junta-se a milhares de pessoas pelo país afora que estão unindo-se para ver um vídeo especial sobre o plano de recuperação. Convida teus amigos e vizinhos para ver o vídeo contigo e tenham uma conversa sobre a situação econômica da comunidade de vocês.

A crise econômica pode parecer esmagadora e complexa, mas tu podes ajudar as pessoas que conheces a conectar o plano de recuperação com suas vidas e aprender mais sobre o porque ele é tão importante.

Inscreva-se para hospedar um Encontro sobre o Plano de Recuperação em tua Casa no fim semana de sexta-feira, dia 6 de fevereiro.

O plano do Presidente passou na Câmara dos Deputados na última quarta-feira. Mas se é para ele seguir em frente, nós precisamos evitar o jogo partidário tradicional.

Esta é a razão porque apoiadores estão abrindo suas casas para falar com seus vizinhos e amigos sobre como o plano funcionará – e o que ele significa para suas comunidades.

O video destacará as bases do plano e como ele impactará as famílias trabalhadoras. Ele também incluirá respostas a perguntas de pessoas de todo o país. Convida teus amigos e familiares para assistir o vídeo, discutam o plano, e ajudem a construir apoio para ele.

Não te preocupes se nunca hospedastes um encontro em tua casa antes – nós te asseguraremos que terás tudo o que precisas para fazer dele um sucesso.

Dê o primeiro passo agora mesmo inscrevendo-se para hospedar um Encontro sobre o Plano de Recuperação em Tua Casa.

Repetidas vezes, demonstrastes teu compromisso com a mudança. Agora tu podes ajudar os Estados Unidos a deslocar-se numa importante nova direção.

Por favor, envie este email para teus amigos e familiares, e estimule cada um deles a também envolver-se.

Obrigado pelo teu trabalho duro.

Mitch

Mitch Stewart
Diretor
Organizing for America