Considero acertada a decisão do Comitê do Prêmio Nobel da Paz de conferir a Barack Obama a distinção deste ano. Não só pelo que representa sua eleição e pelo que já fez nestes primeiros meses de mandato à frente da nação mais poderosa do Planeta, e fez muito em tão pouco tempo. Mas também pelo significado político da decisão, que não tem sido bem avaliada por aqueles que acham que Obama não merecia ganhar o prêmio. A estratégica decisão do Comitê do Nobel acaba fortalecendo, de agora em diante, o exercício de um mandato, por parte de Obama, ainda mais comprometido com saídas pacíficas, baseadas no diálogo e no entendimento, para os graves conflitos com que se defronta a humanidade neste momento, em especial no Oriente Médio. É claro, por exemplo, que o fato de Obama passar a deter o Nobel da Paz aumentará o seu compromisso em evitar uma escalada bélica no Afeganistão, como quer o conservadorismo armamentista norte-americano, derrotado nas últimas eleições.
Barack Obama mais Barack Obama
Foi muito feliz, neste sentido, o coordenador do Comitê do Nobel quando afirmou que o Prêmio tinha por objetivo fazer com que Barack Obama seja mais Barack Obama, numa hora em que o econômica e politicamente poderoso complexo industrial-militar dos Estados Unidos faz de tudo para que ele seja mais George W. Bush. Essa parece-me ser a questão política crucial que está em jogo: a disputa política global sobre o caráter da política externa da nação mais poderosa do Planeta, que é responsável pelo clima político no mundo como um todo. Barack Obama recebeu o Nobel porque implementou até agora e para que aprofunde ao longo de seu mandato a diplomacia da paz, atitude que faz toda a diferença para os destinos da humanidade nesse mundo de hoje, tão complexo e perigoso. Creio, portanto, que não poderia haver decisão mais inteligente do que essa que tomou o Comitê do Prêmio Nobel, inclusive surpreendendo e em alguns casos causando indignação em alguns meios de comunicação e setores da opinião pública mundial menos comprometidos com a paz e um mundo melhor para todos.
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