2 de abril de 2009

Poderosa Resistência às Mudanças Necessárias


Diante do colapso do atual modelo de capitalismo financeirizado e especulativo, articulam-se poderosas resistências à mudança que se faz necessária. Nos EUA, há um verdadeiro jogo de forças entre o novo governo de Obama, as montadoras de automóveis e o sistema financeiro. Quanto às montadoras, Obama teve que rejeitar pela sua timidez a proposta de reestruturação apresentada pela GM e Chrysler, impôs a demissão do presidente da GM Rick Wagoner, e fixou um prazo de 60 dias para a apresentação de um novo plano mais ousado de reestruturação e modernização. Em represália, as montadoras já falam em concordata. No caso do sistema financeiro, o governo força uma regulamentação geral das instituições de todo o tipo, incluindo seguradoras e administradoras de fundos, depois do episódio do pagamento de bônus milionários para seus executivos pela AIG, salva com dinheiro público, mas há nesse setor também a possibilidade de o governo ter que agir com mão mais pesada. Nesse caso, entretanto, a força dos lobbys é tão poderosa que o próprio governo Obama parece dividir-se sobre o melhor caminho a tomar.


O G-20 E O Futuro do Capitalismo


É nesse contexto crítico no âmbito interno dos EUA que o presidente Obama participa pela primeira vez de uma reunião do G-20, um grupo do qual participam cerca de 30 países dos mais importantes do mundo para debater e decidir a reforma do sistema financeiro internacional diante da crise global. É pertinente a relação dessa reunião com a de Bretton Woods, que definiu os rumos do capitalismo após a Grande Depressão dos anos 30 do século passado, tal a expectativa mundial para que dela saiam resultados equivalentes. A opinião pública mundial está perplexa diante do gravíssimo impacto da crise em termos de desemprego e perda generalizada de renda e riqueza e do volume de recursos públicos que estão sendo canalizados para salvar bancos e grandes empresas globais. As manifestações de milhares de pessoas em Londres expressam bem essa perplexidade e indignação cidadãs. Há uma novidade evidente e que merece ser comemorada, entretanto: a nova atitude do presidente dos EUA. A busca de cooperação com outras nações, a prática do multilateralismo e da diplomacia da paz, longe da velha atitude prepotente, unilateral e belicista, parece estar-se tornado a marca do relacionamento do novo governo dos EUA diante do mundo. O comunicado conjunto dos presidentes da Rússia e dos EUA é, nesse sentido, deveras alentador.


Resultados Promissores na Reunião do G-20


As palavras harmonia e entendimento também predominaram na realização da reunião do G-20 em Londres. Segundo Gordon Brown, primeiro ministro do Reino Unido, hoje foi o “dia que o mundo se uniu pra lutar contra a recessão global”. Entre as medidas concretas, o FMI teve seus recursos acrescidos de 250 bilhões para 1 trilhão de dólares, dos quais 750 milhões serão destinados para financiamentos e 250 bilhões para apoiar a liquidez do sistema financeiro internacional. Constituiu-se o Comitê de Estabilidade Financeira, do qual fazem parte todos os países do G-20, para aprofundar e monitorar a regulação de todo o sistema financeiro mundial. Haverá sanções aos paraísos fiscais que não compartilharem informações fiscais e uma lista negra dos lugares não confiáveis. Segundo Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, “as decisões são mais ousadas e rápidas do que qualquer outra resposta internacional a uma crise financeira em toda a história”. O presidente Lula destacou que pela primeira vez “ países desenvolvidos e em desenvolvimento sentam e tomam decisões em pé de igualdade”.

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