Desde que começou a ser editada, sempre nutri muito simpatia pela edição mensal dos jornais regionais da Zero Hora em Porto Alegre. Acompanho especialmente o jornal do Menino Deus e o jornal da Zona Sul, e vejo agora que este último está lançando o seu blog e um Conselho de Blogueiros, com a participação voluntária de moradores da região. “O objetivo é fortalecer a relação dos moradores com seus bairros e do ZH Zona Sul com seus leitores”. O Zona Sul é o segundo blog de bairros, pois o primeiro nasceu no Moinhos de Vento em julho de 2008. No futuro próximo, provavelmente todos os demais jornais de bairros em Porto Alegre terão seu blog e seus blogueiros voluntários. Considero essa iniciativa de interação social e comunicação virtual entre vizinhos de bairro ou de região da cidade muito importante e oportuna, porque ela se insere em duas tendências mundiais: o fortalecimento das comunidades e identidades locais em meio ao avanço da globalização, e a valorização de conteúdos produzidos pelos próprios usuários dos meios de comunicação.
Embrião de Comunidades de Projeto
O Conselho de Blogueiros, por sua vez, pode constituir-se no embrião de uma verdadeira comunidade de projeto, que ao conhecer-se melhor aprende a cooperar em torno de propósitos comuns de melhoria da vida de suas comunidades, tendo os meios de comunicação como parceiros. Envolver cada vez mais vizinhos, resgatar a história e promover o conhecimento do lugar, fortalecer a identidade e a auto-estima dos moradores, formar redes de vizinhos comprometidos com objetivos comunitários, estimular a construção de um sonho de futuro compartilhado por todos, eis alguns dos desafios que os blogueiros comunitários e os jornais de bairros tem pela frente. Trata-se, como tenho designado, de constituir redes de governança solidária voltadas para o desenvolvimento local, que tem potencial de mudar a cidade, tornando-a mais pacífica e mais próspera. Trata-se, ao mesmo tempo, de ensaiar novas arquiteturas democráticas, que resultam da articulação entre as pessoas na sua vida cotidiana, que apontam para uma nova cultura política baseada na confiança, no diálogo, no respeito à legitimidade do outro e na cooperação pelo bem comum.
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