9 de fevereiro de 2009

Presidente Obama Mobiliza e Organiza a Sociedade


O próprio Presidente dos Estados Unidos está mobilizando a sociedade norte-americana para pressionar pela aprovação do Plano de Recuperação Econômica do país. Depois de dar entrevistas para as principais redes de televisão, Obama gravou um vídeo que está sendo distribuído pelo site Organizing for America para toda a rede de apoiadores, formada na época da campanha, e que continua mobilizada, somando mais de 5 milhões de pessoas. E hoje à noite, com horário brasileiro previsto para às 23 horas, Obama fará um pronunciamento ao vivo para toda a Nação explicando porque o país precisa de um esforço imediato para criar milhões de empregos, ao mesmo tempo em que investe no enfrentamento de desafios de longo prazo como energia e assistência à saúde. O Presidente conclama por investimentos imediatos em criação de empregos, enquanto segue a assistência para aqueles que estão desempregados, sem seguro saúde, ou em perigo de perder suas casas. O Plano de Recuperação Econômica passou na Câmara dos Deputados, e o Senado deverá votá-lo com modificações provavelmetne amanhã. Mas o coração do plano de Obama foi concebido para beneficiar famílias e comunidades por todo o país.

Compreensão da Gravidade da Crise e do Papel dos Governantes

A atitude de Obama revela uma profunda compreensão da gravidade da crise econômica por que passam os Estados Unidos, e as consequências sociais do desemprego para as famílias e comunidades. Na sua avaliação, é mais caro para a Nação o desemprego de milhões de pessoas, do que o financiamento do déficit público que os novos investimentos deverão gerar. Por outro lado, a atitude de Obama revela que não bastam atitudes institucionais, seja do Poder Executivo, seja do Legislativo, para debelar a crise. Ele certamente poderia aprovar o plano com a maioria democrata nas duas casas legislativas, mais alguns votos republicanos que viriam por gravidade. Ele está aproveitando a oportunidade do debate do Plano de Recuperação Econômica para conclamar a todos os norte-americanos a organizar-se e mobilizar-se em suas comunidades, articular-se com organizações e poderes locais e regionais, de modo a gerar uma poderosa rede de cooperação e solidariedade que trabalhe unida, tomando iniciativas comunitárias de enfrentameto da crise em cada quarteirão do país. E tudo isso está acontecendo no país mais poderoso do Planeta.

Como Tem Sido a Nossa Atitude Diante da Crise?

Cabe a pergunta: e aqui, será que estamos fazendo tudo o que poderíamos para enfrentar a crise e suas consequências? Será que os nossos governantes estão conscientes da profundidade da crise que vem por aí? Ou será que estão avaliando que o impacto da crise entre nós será pequeno, e portanto não há motivo para maiores preocupações e iniciativas? Volto a insistir, a impressão que tenho é de que ainda não caiu a ficha, quando vejo o Ministro da Fazenda dizendo que o Brasil ficará fora da recessão mundial, como se o Brasil estivesse desconectado da globalização econômica e financeira que carateriza o atual estágio do capitalismo. Quando vejo que ainda estamos insistindo em praticar taxas de juros nominais de 12,75% ao ano, quando os países desenvolvidos praticam taxas de juros nominais de 0 a 0,25% ao ano. Quando não se vê nenhuma preocupação dos nossos governantes em mobilizar a sociedade para gerar formas de solidariedade diante das c0nsequências da crise. Quando não se vê nenhum programa de solidariedade federativa, financiado com recursos federais, compartilhado com contrapartidas estaduais e municipais, para estimular a economia e o desenvolvimento local, mais além dos grandes projetos do PAC. Ou seja, é hora de fortalecer esse verdadeiro colchão amortecedor da crise global que é a pequena atividade de geração de trabalho e renda de cada localidade, os arranjos produtivos locais, as redes de economia solidária, as cooperativas, o microcrédito produtivo, enfim, as energias produtivas e criativas endógenas a cada comunidade pelo país afora. É hora de fortalecer a cultura do empreendedorismo econômico e social e da solidariedade, porque todos estamos no mesmo barco, esse Planeta que está cada vez mais pequeno e interconectado.

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