19 de fevereiro de 2009

A Mudança Diante De Nós

Reproduzo abaixo artigo de minha autoria que foi divulgado no jornal Zero Hora dessa terça-feira, dia 17 de janeiro. Ele expressa minhas conviccões mais profundas sobre o momento atual da política em nosso país, e sobre as necessárias mudanças a nos desafiar como indivíduos e como sociedade, se quizermos realmente dar passos efetivos para um mundo mais pacífico, solidário e inclusivo de todos.

“O mundo mudou, e nós temos que mudar com ele” tornou-se a frase mais difundida do histórico discurso de posse do novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. De fato, estamos diante de um mundo novo, que exige de cada um de nós, como indivíduos e como sociedade, um novo modo de pensar, novos conceitos e novas atitudes.

Na medida em que o mundo fica menor, pela facilidade com que nos comunicamos e interagimos, revela-se nossa humanidade comum e sentimos que fazemos parte da mesma Nave Terra. Diante disso, não há mais lugar para o pensamento tradicional, setorial e especializado, que não é capaz de fazer as necessárias conexões das partes com o todo, e deste com as suas partes constitutivas. Impõe-se uma visão integradora e sistêmica.

A atual crise econômica, que começou nos Estados Unidos, ao estender-se quase que instantaneamente para o mundo todo, desempregando milhões de pessoas, nos dá a lição de que o mundo está completamente interligado, e não há mais espaço para soluções particulares, ou de grupos, ou mesmo de Nações. As respostas serão efetivas se concertadas globalmente.
Entretanto, são tão graves os problemas diante de nós, e o seu sentido de urgência é tão acentuado, que ressurge a tentação de voltarmos a recorrer a nacionalismos exacerbados, ou radicalismos ideológicos e partidários, ou mesmo a fanatismos religiosos. Mas a história nos ensina à exaustão que tais soluções salvacionistas já causaram tantas guerras, sofrimento e perdas no passado recente da humanidade.

Por acaso temos alguma chance de solucionar os conflitos no Oriente Médio, ou reduzir as desigualdades sociais e eliminar a extrema pobreza, ou enfrentar o aquecimento global, se não formos capazes de nos darmos as mãos e fazermos de nossas diferenças culturais e ideológicas, de nossas inteligências, não um obstáculo, e sim uma poderosa força coletiva de mudanças, como seres humanos que somos, habitantes do mesmo planeta?

Nesse mundo conectado e simultâneo, os desafios globais estão presentes também na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade. O global se localiza, o local se globaliza. E se impõe a prática de uma nova política, que conclama à responsabilidade social de cada um de nós e que acredita na capacidade criativa e transformadora das pessoas comuns, quando se unem e trabalham juntas por uma causa.

A política tradicional do conflito e da discórdia cede lugar para a política do diálogo e do entendimento. Ao apostar no diálogo, não desconhecemos nossas diferenças, e buscamos com humildade e grandeza construir a unidade de propósitos em favor do bem comum. As pessoas estão cansadas de políticos que se digladiam durante a eleição, mas depois fazem um vergonhoso loteamento dos cargos de governo, com incompetentes muitas vezes assumindo posições de comando, e ficamos todos reféns dessa associação esdrúxula em que só quem perde é a sociedade.

A democracia institucional dos partidos, das eleições periódicas, da disputa e alternância de poder, avança para a democracia comunitária e participativa, na base da sociedade e no cotidiano dos cidadãos. A idéia de que os governos podem tudo e fazem tudo sozinhos é substituída pela concepção de governança, em que agentes de governo e cidadãos unem-se para trabalhar juntos pela melhoria da vida e da convivência. Ao conectar-se globalmente, através da rede mundial de comunicação e informação, fazem de cada comunidade um espaço concreto de construção democrática do mundo melhor com que sonhamos.

O desafio para cada um de nós é não termos medo de mudar com o mundo, porque, se não mudarmos, nossas façanhas não poderão servir de exemplo aqui, quanto mais para toda a terra.

0 comentários: