O Congresso dos Estados Unidos acaba de aprovar o plano de recuperação econômica de 789 bilhões de dólares de investimentos governamentais para enfrentar a maior crise econômica e financeira do país desde os anos 30 do século passado. Pela primeira vez desde aquela época, a atividade governamental volta ao centro da dinâmica econômica da nação mais poderosa do planeta, deslocando para um plano secundário a iniciativa privada e o mercado. São os recursos do Estado, ou seja, dos contribuintes e cidadãos, mais uma vez socorrendo o sistema capitalista, que em épocas de prosperidade e bonança privatiza lucros e concentra riquezas. Se não houvessem outras, essa já seria razão suficiente para que a questão do controle democrático do Estado, da democratização da tomada de suas decisões na área econômica e financeira, ascendesse ao patamar principal das grandes questões do interesse do cidadão, do contribuinte e da sociedade nesse início de século e milênio. Nos Estados Unidos, o governo Obama colocou a política anti-crise no centro da agenda nacional, envolveu o Congresso e a sociedade nesse debate, milhões de norte-americanos foram mobilizados para participar e influenciar nas decisões que finalmente foram tomadas. Ainda assim, como afirmam importantes economistas, como o prêmi0 nobel Paul Krugman, o corte de cerca de 100 bilhões de dólares do plano original pelos congressistas, rerirando recursos dos governos estaduais e locais, reduzindo os investimentos em educação, e aumentando o corte de impostos para as empresas, retirou potência e tornou insuficiente o plano aprovado. Nessas decisões, prevaleceu o pensamento conservador, mais voltado para os grupos privilegiados do que para os genuínos interesses dos cidadãos e suas comunidades. E isso tudo ocorreu apesar da imensa pressão popular que desabou sobre a Câmara e o Senado norte-americanos. Teria sido muito pior sem essa pressão da sociedade sobre Washington.
É Hora De União E Trabalho De Todos Em Favor Do Emprego e Dos Desempregados
Aqui no Brasil, e mesmo aqui no Rio Grande do Sul, por mais que todas as evidências apontem para um impacto forte da crise mundial sobre o desempenho da economia e o nivel de emprego, os governos e a sociedade não tem colocado essa pauta no centro de um grande debate e mobilização nacional, como se faz necessário. O governo federal e os governos estaduais tem basicamente tomado medidas pontuais. Os novos presidentes da Câmara Federal e do Senado, deputado Michel Temer e Senador José Sarney, por sua vez, perderam a oportunidade de colocar as novas gestões das duas Casas do Congresso Nacional a serviço dessa causa, pressionado dessa maneira para que o Poder Executivo fizesse o mesmo. O novo presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Ivar Pavan, em artigo recente no jornal Zero Hora (12/02/2009), propõe um urgente "grande debate com empresários, trabalhadores, poder público e outras organizações da sociedade , para analisar c0m profundidade os impactos nos diferentes setores e construir alternativas". Creio que esse chamado deveria ser atendido por todos os poderes públicos, líderes da sociedade, cidadãos, com forte envolvimento dos governos municipais e suas comunidades locais, de modo a que, em conjunto, sem disputas de beleza e de paternidade, fosse definido um plano de medidas anti-crise para reduzir o impacto do desemprego, ao lado de um plano de medidas para impulsionar o desenvolvimento local e regional, de modo a acelerar a abertura de novas oportunidades de geração de empregos. Mais ainda, essa seria a boa hora para aprofundarmos a nossa cultura da solidariedade, tomando iniciativas concretas para personificar em cada comunidade, retirando da estatística e do anonimato, as pessoas que estão involuntariamente perdendo a sua fonte de renda, e promover soluções concretas para minorar seu sofrimento e de suas famílias, até que consigam encontrar uma nova atividade geradora de renda.
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