20 de fevereiro de 2009

Agrava-se A Crise Dos Bancos Nos Estados Unidos


Todas as evidências apontam para um agravamento ainda maior da crise do que restou do sistema financeiro dos Estados Unidos. A confiança dos investidores não foi restabelecida e o crédito continua paralisado, contribuindo para o aprofundamento da crise no sistema produtivo, e o aumento do desemprego. As análises especializadas indicam que os grandes bancos sobreviventes, como City Bank e Bank of America, estão em grandes dificuldades e não sobreviverão sem uma nova injeção de dinheiro público do Tesouro. Ao mesmo tempo, aumentam as resistências políticas na sociedade (como atesta o movimento MoveOn) e no Congresso norte-americano para aprovar um novo pacote de ajuda aos bancos. Ao lado disso, a Alemanha acaba de aprovar uma legislação que autoriza o governo a nacionalizar bancos e o ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, afirmou em Nova York que talvez seja necessário nacionalizar pelo menos parte do sistema financeiro que restou no país.

Greenspan Defende A Nacionalização de Bancos

Greenspan reconheceu o erro que cometeu ao acreditar que o mercado financeiro era capaz de auto-regular-se e, em conseqüência, ao defender a liberação desse mercado durante as quase duas décadas em que esteve à frente da política econômica dos Estados Unidos. Agora, além de colocar-se a favor da regulamentação do mercado financeiro, argumentou que seria mais eficaz para o restabelecimento do crédito e a saída da crise a nacionalização temporária de parte do sistema financeiro norte-americano. A discussão sobre a necessidade de nacionalizar o sistema financeiro cresce na medida em que as medidas tomadas até aqui, e o enorme volume de dinheiro público já aplicado após a eclosão da crise, tem demonstrado baixa efetividade para restabelecer os fluxos de crédito, tanto para o consumo como para o sistema produtivo. Entretanto, essa é uma medida que encontra enormes resistências, não só entre os próprios bancos, senão também na equipe econômica do governo Obama. O desfecho dessa discussão dependerá em grande parte do aprofundamento ou não da crise e das pressões políticas num tempo muito próximo.

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