As notícias de ontem sobre o impacto da crise global e suas repercussões no Brasil são aterradoras. Nessa segunda-feira, num único dia, 75 mil pessoas perderam o emprego somente levando em conta as grandes empresas multinacionais em todo o mundo. Os jornais dos Estados Unidos classificam esse como “um dia de perdas assombrosas”. Essa segunda-feira foi também palco de graves notícias sobre o impacto da crise no Brasil. A indústria paulista demitiu 130 mil pessoas somente no mês de dezembro. E todas as evidências vão no sentido de que a profundidade e tamanho da crise ainda não foi totalmente revelado. Alguns economistas norte-americanos trabalham com a expectativa de que mais 3 milhões de pessoas perderão o emprego nesse ano somente nos Estados Unidos. Na última sexta-feira, circulou uma análise na imprensa norte-americana de que os bancos do país precisarão de um trilhão de dólares para poder enfrentar a crise e evitar uma quebradeira, muito mais do que o previsto pelo plano de socorro aprovado em outubro do ano passado.
Estatização do Crédito no Brasil
Aqui no Brasil, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de política econômica e professor da Unicamp, acaba de defender a “temporária estatização da concessão de crédito”. Segundo ele, “o governo precisa adotar uma política mais positiva em relação ao crédito, ou seja, emprestar diretamente às empresas, pois as instituições financeiras comerciais ficaram conservadoras demais num período de retração econômica e o risco é levar o país à recessão.” É importante lembrar que essa medida já foi tomada há dois meses atrás pelos governos dos países da Europa e pelos Estados Unidos, conforme registrou à época esse blog. Ao mesmo tempo, sabe-se que o Brasil ainda pratica uma das taxas de juros mais altas do mundo, de 12,75% nominais e cerca de 7% reais, quando os países centrais operam hoje com taxas de juros reais negativas, para estimular o crédito ao consumo e ao investimento. A observação desses fatos deixa claro que a política econômica do governo brasileiro continua de costas para a gravidade da crise global e subestima o seu impacto no país. Temos alertado diversas vezes nesse blog que, a continuar assim, o governo do país causará prejuízos ainda maiores à economia brasileira e um sofrimento ainda maior aos trabalhadores e suas famílias, pela perda irreparável de empregos, muito além do que seria inevitável. Está na hora de cair a ficha!
2 comentários:
Prezado Senhor, tomei conhecimento deste blog através do Livro "Um voluntário na campanha de Obama" que comprei ontem. Apesar de agora ter descoberto que poderia baixar o livro em pdf, mesmo assim, fico feliz em ter este documento em minhas mãos. Mesmo que eu não pertença a nenhum partido político(a bem da verdade tenho certo "pré" conceito de políticos), fiquei muito orgulhoso de um gaúcho como o Senhor ter participado desta histórica eleição presidencial. Creio que todos, independente de credos, temos fé e esperança que desta eleição dias melhores para todos no mundo virão. A onda começou. Posso ser um visionário...tudo bem. Tomara que todos se inundem desta perspectiva e contaminem a todos. Com relação ao artigo, me parece que nosso governo não quer aceitar ou quer mascarar o efeito nocivo do que realmente está por vir. Uma crise econômica afeta a todos pois não é uma crise setorial. Entretanto, dificilmente algum país do mundo hoje tem uma situação geral melhor que o Brasil. Mas apesar de estarmos preparados financeiramente a crise é global, e conseqüentemente o ajuste deverá ser global. Meu medo é do medo generalizado, sabe? A classe média brasileira tem 86 milhões de pessoas. Pessoas que terão de comer 3 vezes por dia, ter de se vestir, ter de se locomover. Isso é maior do que a população da Alemanha! O potencial deste grupo é de 25% do PIB algo em torno de 300 bilhões de dólares!! Ou seja, a crise existe, mas nada melhor do que uma crise para sairmos dela melhor do que entramos. Deus te abençoe e eu gostaria de saber como fazer para ter seu autógrafo em meu livro. Um abraço. Geraldo Barboza
Caro Geraldo, estou de acordo contigo que a eleição de Obama inicia uma onda de mudanças positivas nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Quanto ao artigo, quiz apenas enfatizar que o governo brasileiro é tímido nas medidas que tomou até agora para enfrentar a crise. O caso da taxa de juros em niveis ainda vergonhosamente altos é um exemplo, quando nos países desenvolvidos o juro é zero...
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