29 de dezembro de 2008

A Taxa De Juros No Brasil Destrói A Produção, O Emprego E O Consumo


Enquanto nos países centrais, a política anti-crise derrubou as taxas de juros nominais para níveis próximos de 0%, fazendo que os juros reais, descontada a inflação, sejam negativos, aqui no Brasil ainda estamos nos dando ao luxo de conviver com juros nominais de 13,75% ao ano, e juros reais superiores a 8,0%. A Federação das Indústrias do Paraná iniciou uma campanha de redução dos juros no país, mobilizando empresários, políticos e a sociedade paranaense. De fato, não há justificativa plausível para a manutenção no país dos juros mais altos do mundo, muito superiores aos praticados em outros países que disputam com o Brasil essa posição. Na Hungria, México e outros países emergentes, os juros reais situam-se em níveis muito inferiores aos do Brasil nesse momento. A política monetária praticada em nosso país é incompatível com a gravidade da crise que o mundo está vivendo e que começa a repercutir fortemente entre nós. Parece que vivemos em dois países distintos: de um lado, o governo que toma decisões para reduzir o impacto da crise internacional sobre a economia e o emprego ; de outro lado, o mesmo governo que mantem juros em níveis que destróem atividade econômica e empregos no país.

Nivel Dos Juros Deveria Tornar-se Tema Prioritário Do País

Como é possível que essa questão crítica não seja um tema central da sociedade brasileira, da mídia, da universidade, das organizações sociais, dos sindicatos de trabalhadores, das donas de casa, da juventude, dos cidadãos que acabam sendo extorquidos por essas taxas exorbitantes em seus cartões de crédito? Quando o Presidente Lula faz afirmações contundentes estimulando as pessoas a continuar consumindo, a não pautar suas decisões pelo temor da crise, será que ele não sabe que os juros vergonhosos fixados pelo seu próprio governo são os maiores destruidores da capacidade de consumo das pessoas no país? Será que o Presidente também não sabe que esses juros escandalosos são os principais responsáveis pelo desestímulo à produção e ao emprego? Será que ele também não sabe que esses juros vergonhosos reduzem ainda mais a competitividade da nossa economia no mundo globalizado de hoje? Como exigir de nosso empresariado resistência diante da crise, se o governo está praticando uma taxa real de juros de 8% ao ano, quando aos juros hoje praticados nos países desenvolvidos são iguais a zero ou negativos?

25 de dezembro de 2008

Ousadia De Obama Para Enfrentar A Crise


Depois de o Federal Reserve ter reduzido a taxa de juros nos Estados Unidos de 1,0% para 0% a 0,25% ao ano, o que na prática, descontada a inflação, significa juros negativos, o Japão tomou iniciativa semelhante e reduziu os juros de 0,3% para 0,1%. Com isso, os analistas consideram que o Federal Reserve entra em nova era, já que a política monetária via taxa de juros esgotou seu papel anti-crise e já não consegue mais desempenhar um papel ativo no reaquecimento da economia. Novas medidas de estímulo estão sendo gestadas na Casa Branca, como foi o caso do pacote de 17,4 bilhões de dólares para financiar as 3 grandes montadoras de automóveis dos Estados Unidos, condicionado a um plano de reestruturação e reerguimento das empresas. A crise do setor automobilístico, inclusive, já alcançou escala mundial, com a Toyota apresentando seu balanço com prejuízo, fato inédito em setenta anos de rentabilidade positiva. Mas as perspectivas para o futuro são tão sombrias que a nova equipe econômica do presidente eleito Barack Obama planeja uma mega-intervenção governamental para conter a crise.

Prioridade Para as Famílias Trabalhadoras e de Classe Média


Após uma reunião pesadíssima sobre a profundidade da crise e seus desdobramentos no próximo ano, Obama determinou a seus principais assessores econômicos a elaboração de um pacote de investimentos públicos para reativar a economia norte-americana que deverá alcançar um valor entre 800 bilhões e 1,3 trilhão de dólares. Seu objetivo é alcançar a meta, não mais de 2,5 milhões, mas de 3,0 milhões de novos empregos nos próximos dois anos, de modo a evitar que a taxa de desemprego suba dos atuais 6,0% para 9,0% em 2011. Além disso , Obama determinou a constituição de força-tarefa sobre Famílias Trabalhadoras, coordenada pelo Vice-presidente Joe Biden, destinada a tomar as medidas necessárias para melhorar a qualidade de vida da classe média e dos trabalhadores. A força-tarefa será composta por vários Secretários (equivalentes a Ministros ) e Executivos de diferentes agências governamentais. “Nosso compromisso é examinar as políticas existentes e novas políticas transversais e usar uma régua para medir como elas estão impactando as famílias trabalhadoras e de classe média”, disse Biden.

22 de dezembro de 2008

Democracia Como Um Modo De Vida Cotidiana


A velha prática política coloca as pessoas e as comunidades a serviço dos interesses dos políticos e de seus partidos, para que esses perpetuem sua sobrevivência eleitoral. É assim que surge a figura do cabo eleitoral, ou a das entidades aparelhadas por partidos, servindo, tanto em um como em outro caso, como instrumentos a serviço de interesses alheios à própria comunidade. O resultado dessa prática é o estabelecimento de uma relação passiva ou, na melhor das hipóteses, reivindicativa junto a esses agentes da política tradicional, de modo a obter melhorias pessoais ou coletivas, sempre, é claro, em troca da lealdade do voto. Essa prática produz o aniquilamento da liberdade e, por conseqüência, do protagonismo e da criatividade das pessoas e ns suas relações comunitárias. Além disso, ao introduzir a disputa partidária e o divisionismo no interior da vida comunitária, destrói o espírito de solidariedade, os laços de confiança entre as pessoas e a sua capacidade de cooperar pelo bem comum. Pessoas e comunidades submetidas a esse padrão de relacionamento tendem a ficar dependentes e atrofiadas, a não florescer, a não se desenvolver, sempre à mercê dos políticos de ocasião.

O Caminho Para Uma Prática Política Inovadora

A prática política inovadora vai em outra direção. Seu propósito é o desenvolvimento, a melhoria da vida e da convivência entre as pessoas na comunidade. O desenvolvimento está associado, não ao assistencialismo ou ao clientelismo, senão à ação socialmente responsável e articulada das pessoas , empresas, organizações sociais, órgãos públicos, enfim, de todos aqueles que vivem e trabalham ali e querem que sua vida, em harmonia com sua comunidade, seja cada dia melhor. Está comprovado que comunidades onde as pessoas assumem seu protagonismo, unem-se e cooperam, associam seu crescimento pessoal ao bem viver coletivo, conseguem florescer, desencadeando um processo de desenvolvimento mais pleno, harmônico e integrado.
A ação política inovadora , portanto, tem dois caminhos igualmente importantes a serem trilhados. Em primeiro lugar, trata-se de estimular e promover a cultura da responsabilidade social de cada pessoa , de modo a que cada uma se comprometa, dê o exemplo e faça a sua parte para fazer da comunidade o melhor lugar para viver. Em segundo lugar, é preciso contribuir para que se forme um ambiente de confiança e cooperação entre as pessoas, de forma plural e aberta, sem exclusões, estimulando a participação efetiva de todos na vida comunitária.

Atitudes De Uma Prática Política Inovadora

Essa prática política inovadora requer uma profunda mudança de comportamento: uma atitude radicalmente democrática, de diálogo, respeito às diferenças e legitimidade do outro; de compromisso com a cultura da responsabilidade social e da solidariedade; de fortalecimento da liberdade, da autonomia e do empreededorismo das pessoas; de construção de convergências e de cooperação entre as pessoas em torno de projetos de interesse comum. Essa prática política, diferentemente da política tradicional, promove o entendimento, a harmonia, a união, o espírito de solidariedade. Ela conduz ao desenvolvimento sustentável e à paz.

Democracia Radical Para A Sustentabilidade

Uma política inovadora é uma exigência dos novos tempos, das pessoas informadas e inteligentes, das empresas com visão estratégica, das redes cidadãs, nessa sociedade da informação e da comunicação em que vivemos hoje. É uma exigência imposta pelos complexos desafios que nos coloca a sobrevivência e a sustentabilidade, em um mundo perigosamente marcado por práticas hegemonistas e intolerantes. Esses tempos requerem uma democracia radical, que vai além da democracia do voto, da disputa e da alternância do poder, para ser uma democracia como modo de vida cotidiana, democracia nas relações entre as pessoas de diferentes culturas, raças, religiões, classes sociais, gêneros e idades, assim como democracia entre as cidades, regiões e países, nesse mundo extremamente diverso, desigual e complexo do atual estágio da globalização.

19 de dezembro de 2008

A Sapatada No Bush E A Indignação Cidadã


Conversava com um amigo de luta comum pela responsabilidade social como compromisso de todos, Guilherme Guaragna, hoje pela manhã. Ele dizia do quanto a atitude do jornalista iraquiano que atirou seus sapatos no Presidente Bush expressava uma indignação cidadã generalizada por todo o mundo, uma indignação das pessoas comuns com o que representa o atual governo dos Estados Unidos para a manutenção do atual modelo insistentável de sociedade em que estamos vivendo. De certo modo, aquele gesto extravasou um sentimento que está presente nos corações e mentes de milhões de pessoas preocupadas com o futuro da humanidade e do Planeta. E com os posicionamentos perversos e as ações destrutivas que o governo Bush adotou ao longo de seus oito longos anos de mandato. O resurgimento do militarismo belicista que desencadeou uma guerra injustificada no Iraque, o desrespeito às convenções e acordos internacionais de proteção ambiental, o atropelamento dos organismos internacionais de mediação e negociação de conflitos, liderados pela ONU, a sustentação pela força do poderio econômico e militar de uma política externa unilateral e hegemonista que não corresponde mais à configuração geopolítica do mundo neste início de Século XXI. A eleição de Barack Obama é, na verdade, uma resposta mudancista a esse terrível legado que abalou a credibilidade e prejudicou tanto a imagem dos Estados Unidos no mundo.

15 de dezembro de 2008

Um Voluntário na Campanha de Obama


Vídeo gravado em Nova York no dia 3 de Novembro de 2008, um dia antes das eleições para Presidente dos Estados Unidos. Esse vídeo foi editado por Gabriel Fuscaldo.






14 de dezembro de 2008

Um Voluntário na Campanha de Obama


Vídeo de lançamento do livro "Um Voluntário na Campanha de Obama", a ser realizado no próximo dia 17 de dezembro, quarta-feira, às 19 horas, na Livraria Cultura do Bourbon Country, em Porto Alegre, Brasil.


video

13 de dezembro de 2008

Os Estados Unidos E A Agenda Ambiental


A nomeação de Steven Chu para Secretário de Enegia é mais uma clara indicação de que o governo Obama promoverá a reintegração dos Estados Unidos nos esforços mundiais para um planeta mais limpo. Premio Nobel de Física em 1997, Chu é o chefe do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley desde 2004. Essa e outras indicações na área de energia e ambiente do novo governo foram muito bem recebidas pela comunidade científica e pelas lideranças e ativistas da sociedade civil. As nomeações sugerem que Obama fará um forte movimento com base em medidas concretas no combate ao aquecimento global e programas para apoiar a inovação na área energética. O Laboratório Lawrence Berkeley é considerado lider mundial na pesquisa de fontes alternativas e renováveis de energia, particularmente no desenvolvimento de fontes de energia neutras em carbono, segundo o jornal Washington Post. Espera-se já para os primeiros dias do novo governo, que assume em 20 de janeiro, decisões concretas e impactantes que sinalizarão o realinhamento estratégico dos Estados Unidos na agenda ambiental mundial.


A Economia E A Geopolítica Na Base Das Novas Decisões


Mais do que isso, Obama tem sinalizado em suas manifestações que pretende colocar o país na liderança do movimento mundial em defesa da sustentabilidade do planeta. Não se trata apenas de reconectar o país com o clamor mundial, senão também de abrir caminho para um modelo energético mais eficiente e geopoliticamente mais seguro. Tanto o carvão como o petróleo são fontes de energia não renováveis e sujas, que aumentam o gás carbônico na atmosfera e o efeito estufa. Os padrões tecnológicos associados a essas fontes estão ultrapassados pelo seu alto grau de desperdício, como é o caso dos motores, especialmente nas montadoras de automóveis norte-americanas. Além disso, a dependência de petróleo importado do Oriente Médio e da Venezuela, deixa os Estados Unidos vulneráveis diante de países e regiões que ameaçam a segurança do país, e incusive do mundo. Finalmente, mas não menos importante, a inovação e o investimento em grande escala em energias alternativas poderá ser o caminho da retomada de um novo ciclo de desenvolviemto capitalista, liderado pelos Estados Unidos. Essas são as razões de fundo que movem o governo Obama a uma nova direção estratégica, cujo caráter está em sintonia e corresponde à necessidade e ao sentimento mundial por um planeta mais sustentável e mais pacífico.

11 de dezembro de 2008

Imprensa E Política Nos Estados Unidos


Assisti na Universidade de Stanford a uma conferencia interessante do professor W.Lance Bennet sobre “quando a imprensa falha: poder político e imprensa do Iraque a Katrina”. Sua tese é a de que os temas que não são pautados com força pelas oposições institucionais, sejam elas os Demacratas ou os Republicanos, prevalece sobre eles na mídia a versão oficial. A imprensa, por exemplo, cobriu a guerra do Iraque como uma vitória do governo Bush, num primeiro momento. Nesse caso, fez o jogo da manipulação, promovido pelo governo. As afirmações do governo vinham na página de capa, as críticas tímidas da oposição na página 18 de domingo ou 24 de segunda-feira. Pessoas que não tem poder no âmbito da democracia institucional, e que estavam contra a guerra, foram consideradas minorias. Mais tarde, o próprio editor do Washington Post reconheceu que isso foi um erro. Entretanto, apesar dessa autocrítica, o mesmo voltou a ocorrer com os prisioneiros de Abu Ghaib. Teria sido um abuso isolado, ou uma política oficial de tortura, que colocaria os Estados Unidos no mesmo nível das ditaduras? Os democratas não consideraram este um assunto maior para as eleições de 2004. Resultado: prevaleceu a versão de abuso isolado e a história termina com a prisão dos soldados responsáveis...Com essa versão, o apoio à guerra no Iraque, que havia caído, voltou a crescer. A perda de apoio à guerra foi crescendo com o tempo pela força da realidade dos fatos. A tortura volta a ser a caracterização do que ocorreu em Abu Ghaib só depois que o Congresso aprova uma lei proibindo a tortura nas prisões dos Estados Unidos. No caso do furacão Katrina, a imprensa seguiu inicialmente a alienação das autoridades sobre o tamanho do desastre e suas conseqüências humanas e materiais, até que os blogs e os cinegrafistas amadores tomaram conta da cobertura e viraram o jogo da mídia.
Negrito
Conclusões E Perspectivas Para O Futuro

As conclusões que o professor Lance Bennet tira de sua na álise são as seguintes:
- quando a democracia institucional funciona bem, a imprensa funciona bem;
- se uma visão crítica institucional a do poder estabelecido não aparece, a imprensa reproduz a versão do governo;
- quando a democracia mais precisa de uma opinião independente e crítica, diante da ausência de atitude da oposição institucional, a imprensa não tem cumprido esse papel.
O professor Lance Bennet aponta para uma informação participativa e o futuro das notícias. Coloca a questão de como adaptar as novas tecnologias da informação para uma informação independente. Como a informação participativa pode influenciar os editorias da grande imprensa, trazer novos públicos para o debate público. Que modelos empresariais podem surgir para incorporar a informação da sociedade bem informada. Como assegurar a transparência e a prestação de contas a todos os públicos interessados. Como, enfim, institucionalizar que o “outro lado” de cada história seja sempre levado em conta, para o bom funcionamento da democracia. Também são destacadas iniciativas nessa direção, como as redes sociais do tipo “civic media”, como são os casos da nyc.uncivilservants.org (sobre mau uso de estacionamentos em Nova Iorque), netnums.org (sobre ajuda mútua de mães), myfairelection.com (sobre a troca de experiências de votar), globalvoicesonline.org (sobre a fiscalização das ações de governantes).

9 de dezembro de 2008


8 de dezembro de 2008

Comunidade Lidera Desenvolvimento Local Na Região Nordeste de Porto Alegre


Fui gentilmente convidado e participei com muito prazer do lançamento do Fundo de Incentivo para o Desenvolvimento Social da Região Nordeste de Porto Alegre, uma iniciativa da comunidade local, Fundação Maurício Sirotsky, Instituto Vonpar, Fundação Avina e Centro Social Marista Cesmar. Reencontrei lá várias lideranças comunitárias, a Maria Deloí, a Catarina Souto, o Irmão Jaime e ourtras, que são a força daquela comunidade empreendedora da cidade, e que fazem o sucesso da Cooperativa Mãos Amigas, da Escola Infantil Renascer da Esperança, do projeto Cesmar e tantos outros empreendimentos comunitários da região. Encontrei também o Léo Voig, o Nascimento, o Xavier, o Affonso Mota, o Alexandre Bach, e outros líderes do empreededorismo social na cidade, irmanados com a comunidade e o poder público, na rede de desenvolvimento local sustentável que começa a ser tecida com tanto zelo e dedicação. Vejo nessa experiência da Região Nordeste, uma das mais pobres da cidade, um exemplo de governança solidária local bem sucedido, porque abraçado pela comunidade, como bem afirmou-me a líder Maria Deloí. Seu mérito é também colocar no centro da mobilização das pessoas a questão do desenvolvimento local, novas oportunidades de trabalho e renda, novas fontes de sobrevivência, sem as quais os projetos sociais permanecem sempre na dependência de verbas públicas. Isso não quer dizer que os recursos públicos não devam ser buscados e são muito necessários e importantes, mas nada melhor do que uma pessoa, ou um grupo de pessoas, ou uma comunidade inteira aprender a caminhar com suas próprias pernas, tendo o poder público e as empresas como parceiras, sem estar dependente delas para sobreviver.

7 de dezembro de 2008

Madonna, Show Para Não Perder


Quem puder ver o show que Madonna estará apresentando nos próximos dias no Rio de Janeiro e São Paulo, faça isso porque vale a pena. Estive no seu show Sticky and Sweet em Buenos Aires, e decidi vê-la porque me impressionou a sua coragem em assumir a campanha de Obama na sua hora mais difícil, quando as pesquisas persistiam em colar a popularidade de Obama e de McCain no mesmo nivel. Não me arrependi. Vi uma mulher de 50 anos em plena vitalidade, liderando duas horas de intensa atividade no palco, uma mulher reconhecida pela sua seriedade e profissionalismo, um movimento de imagens, sons e luzes de fazer mexer até a raiz dos cabelos, uma linguagem universal que junta todas as idades, raças, niveis sociais, e faz que todos nos sintamos parte da mesma humanidade, mais de 50 mil pessoas no estádio River Plate, milhões de pessoas em todo o mundo. Impressionou-me também a clareza de suas mensagens, o culto ao prazer e à liberdade, através de sua expressão em várias culturas, a afirmação da criatividade e da capacidade humanas, a denúncia das ditaduras e dos genocídios na África, a persistência da miséria por todo o planeta, a luta pelo desaquecimento global, o apoio aberto aos lideres mudancistas, desde Martin Luther King, Kennedy, Madre Tereza, até Al Gore e Obama. E tudo isso apontando para uma filosofia de vida, não faça aos outros o que nao queres que te façam, ame ao próximo como a ti mesmo. No meio do show, Madonna ganha os argentinos numa comovente interpretação de Don´t Cry For Me Argentina, que faz o estádio lotado ir às lágrimas, com as bandeiras do país tremulando ao fundo.

5 de dezembro de 2008

Somos Todos Culpados, Somos Todos Suspeitos

Abro o meu blog para divulgar um grito de alerta da amiga e jornalista Jandira Feió, que teve sua casa arrombada. Que ele seja um estímulo para desenvolvermos mais relações de confiança e solidariedade entre nós, em todos os âmbitos da vida, para enfrentar na sua raiz esse caminho destrutivo e insutentável.

"Amigos, conto com seu apoio para ajudar a divulgar o meu grito e juntos, quem sabe, encontrarmos caminhos que reatem os elos de confiança que foram sendo destruídos em nosso país, abraços Jandira


Arrombaram a minha casa e não tenho pra quem reclamar. A culpa foi minha. Nunca quis morar num lugar onde além da porta houvessem grades. "Não sabes que isto é errado?", assim fui condenada. Uma estupidez de quem ainda não se habituou a idéia de viver em uma cela. Uma saída rápida e 30 minutos foram suficientes para furtarem meu pequeno patrimônio e roubarem o que me restava do sentimento confiança. Quem se importa?


Arrombaram minha casa e acionar as autoridades policiais, apenas serve para alimentar as estatísticas. Nem eu nem ninguém acreditamos que algo possa ser feito. Os invasores tiveram tempo de assinar sua obra-prima, tomaram leite e o copo foi levado pela polícia. As impressões digitais só teriam utilidade se soubesse quem poderia ter invadido meu apartamento. Foi o que me disse o pessoal da perícia. Sou mais uma cidadã que cumpre seus deveres, mas não tem direitos atendidos.


Arrombaram minha casa e sou culpada por não ser miserável o suficiente para nada mais ter a perder. Os brigadianos que ali estiveram me viram com olhos de quem têm menos do que eu e que portanto "chorava com a boca cheia". Me consideraram desatenta e me lembraram ainda de que sou culpada por não ser rica o suficiente para poder me enjaular em condomínios com mais "segurança". Sou culpada por até agora ter sido movida pela confiança, por trabalhar para construir pontes e não muros.


Arrombaram minha casa e quem se interessa por estes lamentos? Todos os dias milhares de pessoas têm suas vidas roubadas, seus lares violados, suas histórias machucadas, nada que justifique sequer uma nota de jornal. O que aconteceu com minha família não é notícia, não causa espanto. Foi apenas mais um lance de um jogo de cartas marcadas. Nos acostumamos com a miséria, com a violência. Banalizamos a maldade, a maldade aliviada pela catarse libertadora da novela das oito. Esperamos simplesmente que mais cedo ou mais tarde chegue a nossa vez. E agradecemos por estarmos vivos, sem seqüelas físicas.


É um país estranho este o nosso. Arrombaram minha casa e sou colocada sob suspeita. "Humm, tem um filho com 23 anos, com quem ele anda?" Não é normal uma pequena família ter um filho trabalhador e responsável, bom estudante e bom cidadão. A cena do crime não impacta os olhos habituados a quadros piores. Entrar em sua própria casa, no entanto, e dar de cara com o espaço vazio onde antes estavam o computador, o telefone, o som dá um aperto no peito. Um aperto que se transforma em cansaço e solidão logo depois de ver suas roupas reviradas, jogadas pelo chão, caixas com os documentos e fotos esparramadas, sua história de vida vasculhada.


Arrombaram minha casa e a polícia suspeita que eu tenha contribuído para isto. Querem saber porque motivos teria estes equipamentos eletrônicos. Estranham que ali a gente trabalhe e estude. Menosprezam o fato ainda mais quando sabem que tínhamos um pequeno seguro: "Ah, tem seguro!!!, então tudo bem!" Como assim, tudo bem?


Arrombaram minha casa e o seguro não cobre o roubo do notebook, do pen drive, da máquina digital. A ninguém mais, a não ser a minha própria família, interessa saber que estas eram nossas ferramentas de trabalho e estudo. "Veja, estes são bens portáteis, ainda que as notas fiscais e manuais estejam aí, como podemos saber se eles foram mesmo roubados?" Se agora passo a trabalhar em cybers, se o trabalho de conclusão de curso de meu filho foi pro espaço, este é mais um drama sem cobertura.


Não faz parte da nossa lógica social, acreditarmos uns nos outros.


Por isso agora deixo de ser uma aberração. Já estou nas estatísticas, já mandei trocar a fechadura e me transformei numa prisioneira do medo. Considero meus vizinhos culpados. Acredito que algum deles foi displicente e deixou o portão do prédio aberto, muitos de fato são relapsos e costumam fazer isto mesmo. Considero meus vizinhos cúmplices dos ladrões, porque ninguém sabe, não viu nada. Suspeito daqueles que vivem no mesmo território que eu, suspeito daqueles que antes me davam bom dia. Talvez algum deles de boa fé - ou não - tenha aberto a porta do edifício pros bandidos sairem carregando em três malas as minhas coisas.


Minha vida foi arrombada e a reunião de condomínio acusa o trabalhador que pintava as grades do prédio, apontado por alguns moradores como principal suspeito por ser negro e por ser pobre. Estou cercada de preconceito, de desconfiança, de menosprezo. Como posso me conformar? Invadiram a minha casa, a minha vida, e me aconselham a deixar de ser tonta e colocar grade na porta. Como posso me calar?"

3 de dezembro de 2008

Compromisso Com O Multilateralismo


Ao anunciar Susan Rice como nova embaixadora dos Estados Unidos junto a ONU, Obama envia uma mensagem clara aos diplomatas do mundo: a partir de 20 de janeiro, os Estados Unidos adotarão o multilateralismo e apoiarão as missões de manutenção da paz das Nações Unidas. Obama está restabelecendo a importância da posição que Rice vai ocupar, colocando-a no primeiro nível do Gabinete presidencial e na sua principal equipe de assessores diretos, uma indicativo de que ele vê como central o trabalho para seu objetivo de promover mais cooperação internacional. “Susan sabe que os desafios globais que nós enfrentamos exigem instituições globais que funcionem.” “Ela compartilha minha crença que a ONU é um fórum ao mesmo tempo indispensável e imperfeito. Nós precisamos uma ONU mais efetiva na ação contra terrorismos e genocídios, redução do aquecimento global, e enfrentamento da pobreza e das doenças.” Funcionários das Nações Unidas saudaram a escolha de Rice, que durante a campanha assessorou Obama em política externa e, como o presidente eleito, desde o início foi contra a guerra do Iraque. Vêem nela uma decidida defensora do multilateralismo, e disseram que a decisão de elevar sua posição ao nível do Gabinete presidencial mostra que o governo Obama deseja dar maior atenção e apoio às Nações Unidas.

2 de dezembro de 2008

Estilo Democrático Na Casa Branca

Ao anunciar sua equipe de segurança nacional, Obama afirmou que ela vai encaminhar um novo alvorecer para a liderança norte-americana. Reconheceu que alguns de seus membros, que estavam em disputa com ele durante a campanha, como a Senadora Hillary Clinton e o Secretário de Defesa Robert Gates, haviam discordado dele no passado, mas deixou claro que essa era uma das razões de serem escolhidos. “Eu acredito profundamente em personalidades fortes e opiniões fortes”, disse Obama. “Eu vou propiciar um vigoroso debate dentro da Casa Branca”. Mesmo que alguns analistas de política internacional acreditem que a nova equipe se diferencie mais em estilo do que em substância da equipe mais moderada que assessorou Bush nesse segundo mandato, Obama tem reiterado que a política de mudanças é definida por ele, cabendo a seus assessores encontrar os melhores caminhos para executá-la.

Obama E As Redes Sociais

Augusto de Franco publica Uma Introdução às Redes Sociais, capítulo inicial de seu novo livro Escola de Redes: Novas Visões Sobre Sociedade, Desenvolvimento...(2008), que pode ser acessado em escoladeredes@ning.com . Reproduzo abaixo comentário que fiz, tentando entender melhor o significado da campanha de Obama para o fortalimento do capital social, vale dizer, das redes sociais, na sociedade norte-americana.


Caro Augusto,


Li essa belíssima aula introdutória sobre redes sociais, e fiquei tentando analisar, a partir dos conceitos que propões, a campanha do Obama, da qual participei intensamente, por quase três meses, e sobre a qual estou escrevendo um novo livro. Obama tem um propósito de poder e de mudança da situação terrível a que os Estados Unidos chegaram, especialmente nesses anos Bush. Primeiramente, parece-me isso legítimo. Além disso, sua campanha, seguindo sua trajetória de organizador comunitário nos bairros pobres de Chicago, estimulou a formação de redes de vizinhos voluntários por todo o país, cuja vitalidade e idealismo pude testemunhar e registrar em meu blog http://www.vidademocratica.com/ . Mais de quatro milhões de pessoas se conectaram em redes desse tipo na campanha, e agora, pós-eleição, essas redes estão sendo estimuladas a continuar ativas, promover reuniões presencias para trabalhar para melhorar suas comunidades e o país como um todo. Ou seja, parece-me que Obama, mesmo tendo um propósito de poder com o estímulo à formação dessa enorme miríade de pequenas redes comunitárias, conectadas local e nacionalmente pelas ferramentas interativas da internet, está constituindo redes distribuídas na base da sociedade, com sua própria dinâmica de conexões pessoa a pessoa, vizinho a vizinho. E, nesse sentido, destaco que a campanha e, pelo visto, o novo governo eleito, está desempenhando um papel fundamental de investimento em capital social, em animação de redes sociais, resgatando a trajetória secular de fortalecimeto de uma democracia comunitária e cooperativa, que caracterizou a formação e o desenvolvimento da sociedade norte-americana, e que estava em franca decadência nas últimas décadas. O que achas dessas considerações ?

1 de dezembro de 2008

Hillary Clinton E A Governança Global

A nomeação de Hillary Clinton para chefiar o Departamento de Estado aponta para um caminho de mudanças importantes na política externa do governo Obama, conforme prometido em campanha. Nas mãos de Hillary estará colocado o desafio de restaurar a reputação dos Estados Unidos no Mundo, concluir a guerra no Iraque, e integrar os Estados Unidos na nova economia global multipolarizada e em crise. Segundo a professora da Universidade de São Paulo, Lourdes Sola, em artigo para o jornal O Estado de São Paulo, "a escala global é uma das diferenças com relação aos desafios confrontados por Franklin D. Roosevelt, na esteira da Grande Depressão. " A outra diferença da situação atual são os desafios simultâneos de acabar a guerra do Iraque, combater o terrorismo, e enfrentar a recessão. Fica evidente a necessidade de constituir uma governança global para lidar com desafios cada vez mais complexos, porque cada vez mais expressivos e diversificados interesses nacionais e regionais apresentam-se no panorama geopolítico mundial. O hegemonismo baseado na força militar e o unilateralismo político praticados no governo Bush foram derrotados. Entretanto, a construção de uma nova liderança multilateral e compartilhada entre os Estados Unidos, a Europa, o Japão, a China, e os novos países emergentes do G-20, absolutamente necessária para lidar com a complexidade da nova sociedade global, está ainda por ser feita. A adversária de Obama, que sonhou em liderar essas mudanças como Presidente, terá uma oportunidade de ouro como a nova Chefe da segunda posição mais importante da hierarquia do novo governo, depois do vice Joe Biden.