
Perdas de 1,2 Trilhões de Dólares Em Um Dia
A queda na Bolsa de Valores hoje representa perdas da ordem de 1,2 trilhões de dólares num único dia, Não há precedente de perdas diárias dessa magnitude na história da Bolsa de Nova York. E a crise não pára de aprofundar-se. O banco Washovia acaba de ser vendido para o Citygroup por um valor simbólico de um dólar por ação e dois bancos quebraram na Europa. De fato, a figura do derretimento dos valores financeiros faz todo o sentido nessa hora. É a explosão de uma gigantesca bolha especulativa de conseqüências devastadoras, ainda imprevisíveis em toda a sua extensão e profundidade.
Porque o Congresso Rejeitou o Plano
O que levou os congressistas a rejeitarem o plano de socorro? Não há dúvida de que o plano é rejeitado pelas pessoas comuns, a esmagadora maioria dos eleitores, que não entendem e não conseguem aceitar o que está acontecendo. O dinheiro que falta para implantar o atendimento público universal à saúde, para apoiar as famílias que estão tendo suas casas confiscadas por incapacidade de pagar as prestações do financiamento, para evitar mais de 60 mil pessoas de perderem seus empregos a cada mês desde o início do ano, para estimular os pequenos negócios e empreendimentos, esse dinheiro até aqui inexistente e tão valioso para melhorar as suas vidas e aplacar seu sofrimento, apareceu de uma hora para outra em volumes nunca imaginados. E o que é pior, está sendo usado para salvar bancos e proteger magnatas de Wall Street, que faliram por praticar abusos na busca de lucros astronômicos na jogatina da especulação financeira desenfreada.
Governança da Crise Também Está em Crise
A batalha da comunicação do plano para evitar algo ainda pior, que é uma profunda recessão econômica e a perda de milhões de empregos, até agora foi perdida. Nessas circunstancias, as lideranças políticas no Congresso e o governo erraram em suas previsões e perderam o comando do processo. Os dois candidatos a presidência, que respaldaram o plano, também foram derrotados. Surgiu um novo e grave problema de governança da crise, sem a resolução do qual haverá mais dificuldades de encontrar o caminho dos próximos passos. Na verdade, os líderes subestimaram a resistência das suas bases políticas para assinar o plano, quando faltam apenas 36 dias para uma eleição que está se transformando num verdadeiro referendo sobre a economia da nação. Cada político, nessa hora, está fazendo os cálculos sobre o seu futuro. Não transparece uma compreensão mais profunda da crise, que pudesse conduzir a uma atitude de missão pela defesa da economia e das responsabilidades do país perante o mundo. Fica, uma pergunta sem resposta: como as lideranças colocaram em votação uma proposta de tamanha importância para o país sem ter uma margem de segurança sobre sua aprovação? Estarão essas lideranças preparadas para compreender o que está em jogo numa crise dessa gravidade e como enfrentá-la? As evidências indicam que essa resposta parece ser não.

simultanemente com a mais grave crise econômica desde a Grande Dpressão, a vida nos Estados Unidos segue seu curso normal. As pessoas trabalhando, as escolas já retomando o novo ano letivo, as milhares de vítimas do furacão Ike reconstruindo suas vidas, ainda vivas as imagens chocantes da destruição no Texas, as instituições democráticas funcionando. Acabo de assistir a uma sessão da Câmara de Vereadores de Mountain View, cidade do Vale do Silício com 70 mil habitantes, onde moro. São sete Vereadores, quatro homens e três, mulheres, eleitos diretamente para quatro anos de mandato, sendo que o Prefeito e a Vice foram eleitos indiretamente pelos colegas. Realizam-se duas sessões mensais ordinárias do Plenário e tantas extraordinárias quanto necessário, por convocação do Prefeito.


