Enquanto nos países centrais, a política anti-crise derrubou as taxas de juros nominais para níveis próximos de 0%, fazendo que os juros reais, descontada a inflação, sejam negativos, aqui no Brasil ainda estamos nos dando ao luxo de conviver com juros nominais de 13,75% ao ano, e juros reais superiores a 8,0%. A Federação das Indústrias do Paraná iniciou uma campanha de redução dos juros no país, mobilizando empresários, políticos e a sociedade paranaense. De fato, não há justificativa plausível para a manutenção no país dos juros mais altos do mundo, muito superiores aos praticados em outros países que disputam com o Brasil essa posição. Na Hungria, México e outros países emergentes, os juros reais situam-se em níveis muito inferiores aos do Brasil nesse momento. A política monetária praticada em nosso país é incompatível com a gravidade da crise que o mundo está vivendo e que começa a repercutir fortemente entre nós. Parece que vivemos em dois países distintos: de um lado, o governo que toma decisões para reduzir o impacto da crise internacional sobre a economia e o emprego ; de outro lado, o mesmo governo que mantem juros em níveis que destróem atividade econômica e empregos no país.
Nivel Dos Juros Deveria Tornar-se Tema Prioritário Do País
Como é possível que essa questão crítica não seja um tema central da sociedade brasileira, da mídia, da universidade, das organizações sociais, dos sindicatos de trabalhadores, das donas de casa, da juventude, dos cidadãos que acabam sendo extorquidos por essas taxas exorbitantes em seus cartões de crédito? Quando o Presidente Lula faz afirmações contundentes estimulando as pessoas a continuar consumindo, a não pautar suas decisões pelo temor da crise, será que ele não sabe que os juros vergonhosos fixados pelo seu próprio governo são os maiores destruidores da capacidade de consumo das pessoas no país? Será que o Presidente também não sabe que esses juros escandalosos são os principais responsáveis pelo desestímulo à produção e ao emprego? Será que ele também não sabe que esses juros vergonhosos reduzem ainda mais a competitividade da nossa economia no mundo globalizado de hoje? Como exigir de nosso empresariado resistência diante da crise, se o governo está praticando uma taxa real de juros de 8% ao ano, quando aos juros hoje praticados nos países desenvolvidos são iguais a zero ou negativos?
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