Caro Augusto,
Li essa belíssima aula introdutória sobre redes sociais, e fiquei tentando analisar, a partir dos conceitos que propões, a campanha do Obama, da qual participei intensamente, por quase três meses, e sobre a qual estou escrevendo um novo livro. Obama tem um propósito de poder e de mudança da situação terrível a que os Estados Unidos chegaram, especialmente nesses anos Bush. Primeiramente, parece-me isso legítimo. Além disso, sua campanha, seguindo sua trajetória de organizador comunitário nos bairros pobres de Chicago, estimulou a formação de redes de vizinhos voluntários por todo o país, cuja vitalidade e idealismo pude testemunhar e registrar em meu blog http://www.vidademocratica.com/ . Mais de quatro milhões de pessoas se conectaram em redes desse tipo na campanha, e agora, pós-eleição, essas redes estão sendo estimuladas a continuar ativas, promover reuniões presencias para trabalhar para melhorar suas comunidades e o país como um todo. Ou seja, parece-me que Obama, mesmo tendo um propósito de poder com o estímulo à formação dessa enorme miríade de pequenas redes comunitárias, conectadas local e nacionalmente pelas ferramentas interativas da internet, está constituindo redes distribuídas na base da sociedade, com sua própria dinâmica de conexões pessoa a pessoa, vizinho a vizinho. E, nesse sentido, destaco que a campanha e, pelo visto, o novo governo eleito, está desempenhando um papel fundamental de investimento em capital social, em animação de redes sociais, resgatando a trajetória secular de fortalecimeto de uma democracia comunitária e cooperativa, que caracterizou a formação e o desenvolvimento da sociedade norte-americana, e que estava em franca decadência nas últimas décadas. O que achas dessas considerações ?
0 comentários:
Postar um comentário