22 de dezembro de 2008

Democracia Como Um Modo De Vida Cotidiana


A velha prática política coloca as pessoas e as comunidades a serviço dos interesses dos políticos e de seus partidos, para que esses perpetuem sua sobrevivência eleitoral. É assim que surge a figura do cabo eleitoral, ou a das entidades aparelhadas por partidos, servindo, tanto em um como em outro caso, como instrumentos a serviço de interesses alheios à própria comunidade. O resultado dessa prática é o estabelecimento de uma relação passiva ou, na melhor das hipóteses, reivindicativa junto a esses agentes da política tradicional, de modo a obter melhorias pessoais ou coletivas, sempre, é claro, em troca da lealdade do voto. Essa prática produz o aniquilamento da liberdade e, por conseqüência, do protagonismo e da criatividade das pessoas e ns suas relações comunitárias. Além disso, ao introduzir a disputa partidária e o divisionismo no interior da vida comunitária, destrói o espírito de solidariedade, os laços de confiança entre as pessoas e a sua capacidade de cooperar pelo bem comum. Pessoas e comunidades submetidas a esse padrão de relacionamento tendem a ficar dependentes e atrofiadas, a não florescer, a não se desenvolver, sempre à mercê dos políticos de ocasião.

O Caminho Para Uma Prática Política Inovadora

A prática política inovadora vai em outra direção. Seu propósito é o desenvolvimento, a melhoria da vida e da convivência entre as pessoas na comunidade. O desenvolvimento está associado, não ao assistencialismo ou ao clientelismo, senão à ação socialmente responsável e articulada das pessoas , empresas, organizações sociais, órgãos públicos, enfim, de todos aqueles que vivem e trabalham ali e querem que sua vida, em harmonia com sua comunidade, seja cada dia melhor. Está comprovado que comunidades onde as pessoas assumem seu protagonismo, unem-se e cooperam, associam seu crescimento pessoal ao bem viver coletivo, conseguem florescer, desencadeando um processo de desenvolvimento mais pleno, harmônico e integrado.
A ação política inovadora , portanto, tem dois caminhos igualmente importantes a serem trilhados. Em primeiro lugar, trata-se de estimular e promover a cultura da responsabilidade social de cada pessoa , de modo a que cada uma se comprometa, dê o exemplo e faça a sua parte para fazer da comunidade o melhor lugar para viver. Em segundo lugar, é preciso contribuir para que se forme um ambiente de confiança e cooperação entre as pessoas, de forma plural e aberta, sem exclusões, estimulando a participação efetiva de todos na vida comunitária.

Atitudes De Uma Prática Política Inovadora

Essa prática política inovadora requer uma profunda mudança de comportamento: uma atitude radicalmente democrática, de diálogo, respeito às diferenças e legitimidade do outro; de compromisso com a cultura da responsabilidade social e da solidariedade; de fortalecimento da liberdade, da autonomia e do empreededorismo das pessoas; de construção de convergências e de cooperação entre as pessoas em torno de projetos de interesse comum. Essa prática política, diferentemente da política tradicional, promove o entendimento, a harmonia, a união, o espírito de solidariedade. Ela conduz ao desenvolvimento sustentável e à paz.

Democracia Radical Para A Sustentabilidade

Uma política inovadora é uma exigência dos novos tempos, das pessoas informadas e inteligentes, das empresas com visão estratégica, das redes cidadãs, nessa sociedade da informação e da comunicação em que vivemos hoje. É uma exigência imposta pelos complexos desafios que nos coloca a sobrevivência e a sustentabilidade, em um mundo perigosamente marcado por práticas hegemonistas e intolerantes. Esses tempos requerem uma democracia radical, que vai além da democracia do voto, da disputa e da alternância do poder, para ser uma democracia como modo de vida cotidiana, democracia nas relações entre as pessoas de diferentes culturas, raças, religiões, classes sociais, gêneros e idades, assim como democracia entre as cidades, regiões e países, nesse mundo extremamente diverso, desigual e complexo do atual estágio da globalização.

2 comentários:

Silvio Belbute disse...

Caro Busatto,

Excelente! Por isto penso que um dos caminhos seja focar no local, no local mesmo, na rua onde moramos, no bairro onde vivemos, na região onde trabalhamos. Construindo a partir do local, das relações diretas entres as pessoas, na formação redes; transformando tudo isto em práticas cotidianas, protagonizadas por cada individuo da comunidade. Invertendo as relações de poder e da política, não aceitando mais que nos digam o que farão por nós, mas cada um dizendo o que deseja e através de uma agenda consensuada, dizermos o que a comunidade anseia.
Chegou a hora de virarmos o jogo e nós, cidadãos, montarmos as plataformas e programas que serão implementados e executados.
Forte abraço

Cezar Busatto disse...

É isso mesmo que eu também acredito. Parece ser este o caminho para irmos aos poucos construindo uma nova política, que seja a expressão real da capacidade e da criatividade de cada pessoa e de sua interação com as outras, construindo em conjunto a polis/cidade. Uma cidade-rede como nós idealizamos será uma cidade realmemnte democrática e sustentável.