A velha prática política coloca as pessoas e as comunidades a serviço dos interesses dos políticos e de seus partidos, para que esses perpetuem sua sobrevivência eleitoral. É assim que surge a figura do cabo eleitoral, ou a das entidades aparelhadas por partidos, servindo, tanto em um como em outro caso, como instrumentos a serviço de interesses alheios à própria comunidade. O resultado dessa prática é o estabelecimento de uma relação passiva ou, na melhor das hipóteses, reivindicativa junto a esses agentes da política tradicional, de modo a obter melhorias pessoais ou coletivas, sempre, é claro, em troca da lealdade do voto. Essa prática produz o aniquilamento da liberdade e, por conseqüência, do protagonismo e da criatividade das pessoas e ns suas relações comunitárias. Além disso, ao introduzir a disputa partidária e o divisionismo no interior da vida comunitária, destrói o espírito de solidariedade, os laços de confiança entre as pessoas e a sua capacidade de cooperar pelo bem comum. Pessoas e comunidades submetidas a esse padrão de relacionamento tendem a ficar dependentes e atrofiadas, a não florescer, a não se desenvolver, sempre à mercê dos políticos de ocasião.
O Caminho Para Uma Prática Política Inovadora
A prática política inovadora vai em outra direção. Seu propósito é o desenvolvimento, a melhoria da vida e da convivência entre as pessoas na comunidade. O desenvolvimento está associado, não ao assistencialismo ou ao clientelismo, senão à ação socialmente responsável e articulada das pessoas , empresas, organizações sociais, órgãos públicos, enfim, de todos aqueles que vivem e trabalham ali e querem que sua vida, em harmonia com sua comunidade, seja cada dia melhor. Está comprovado que comunidades onde as pessoas assumem seu protagonismo, unem-se e cooperam, associam seu crescimento pessoal ao bem viver coletivo, conseguem florescer, desencadeando um processo de desenvolvimento mais pleno, harmônico e integrado.
A ação política inovadora , portanto, tem dois caminhos igualmente importantes a serem trilhados. Em primeiro lugar, trata-se de estimular e promover a cultura da responsabilidade social de cada pessoa , de modo a que cada uma se comprometa, dê o exemplo e faça a sua parte para fazer da comunidade o melhor lugar para viver. Em segundo lugar, é preciso contribuir para que se forme um ambiente de confiança e cooperação entre as pessoas, de forma plural e aberta, sem exclusões, estimulando a participação efetiva de todos na vida comunitária.
Atitudes De Uma Prática Política Inovadora
Essa prática política inovadora requer uma profunda mudança de comportamento: uma atitude radicalmente democrática, de diálogo, respeito às diferenças e legitimidade do outro; de compromisso com a cultura da responsabilidade social e da solidariedade; de fortalecimento da liberdade, da autonomia e do empreededorismo das pessoas; de construção de convergências e de cooperação entre as pessoas em torno de projetos de interesse comum. Essa prática política, diferentemente da política tradicional, promove o entendimento, a harmonia, a união, o espírito de solidariedade. Ela conduz ao desenvolvimento sustentável e à paz.
Democracia Radical Para A Sustentabilidade
Uma política inovadora é uma exigência dos novos tempos, das pessoas informadas e inteligentes, das empresas com visão estratégica, das redes cidadãs, nessa sociedade da informação e da comunicação em que vivemos hoje. É uma exigência imposta pelos complexos desafios que nos coloca a sobrevivência e a sustentabilidade, em um mundo perigosamente marcado por práticas hegemonistas e intolerantes. Esses tempos requerem uma democracia radical, que vai além da democracia do voto, da disputa e da alternância do poder, para ser uma democracia como modo de vida cotidiana, democracia nas relações entre as pessoas de diferentes culturas, raças, religiões, classes sociais, gêneros e idades, assim como democracia entre as cidades, regiões e países, nesse mundo extremamente diverso, desigual e complexo do atual estágio da globalização.
2 comentários:
Caro Busatto,
Excelente! Por isto penso que um dos caminhos seja focar no local, no local mesmo, na rua onde moramos, no bairro onde vivemos, na região onde trabalhamos. Construindo a partir do local, das relações diretas entres as pessoas, na formação redes; transformando tudo isto em práticas cotidianas, protagonizadas por cada individuo da comunidade. Invertendo as relações de poder e da política, não aceitando mais que nos digam o que farão por nós, mas cada um dizendo o que deseja e através de uma agenda consensuada, dizermos o que a comunidade anseia.
Chegou a hora de virarmos o jogo e nós, cidadãos, montarmos as plataformas e programas que serão implementados e executados.
Forte abraço
É isso mesmo que eu também acredito. Parece ser este o caminho para irmos aos poucos construindo uma nova política, que seja a expressão real da capacidade e da criatividade de cada pessoa e de sua interação com as outras, construindo em conjunto a polis/cidade. Uma cidade-rede como nós idealizamos será uma cidade realmemnte democrática e sustentável.
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