7 de novembro de 2008

Universidades E Cidadania

Tive a oportunidade de participar de um seminário sobre a implantação da metodologia da “Deliberative Polling” (Pesquisa Deliberativa) com professores e funcionários administrativos de 17 universidades públicas norte-americanas. O encontro foi coordenado pelo professor George Mahaffy, dirigente da Associação Americana de Universidades e Faculdades Púbicas (AASCU), e ocorreu na Universidade de Stanford, que é privada, mas parceira da iniciativa, através do Centro pela Democracia Deliberativa. O professor George Mahaffy dirige o Projeto Democracia Americana, do qual fazem parte 1,6 milhões de alunos e 230 faculdades e universidades das 400 que compõem a AASCU. Seu objetivo é que o desenvolvimento de cidadãos bem informados e engajados seja o imperativo da educação superior no país.

Aperfeiçoamento da Democracia


Para John Dewey, um filósofo norte-americano que nas décadas de 20 e 30 do século passado escreveu importantes contribuições para o aperfeiçoamento da democracia – ver, por exemplo, Democracia Cooperativa, Escritos Políticos de John Dewey (1927-1939), organizado por Augusto de Franco e Thamy Pogrebinschi, EdiPUCRS, Porto Alegre, 2008 e lançado na Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades –, “o problema... é que nós tomamos nossa democracia como definitiva, viemos pensando e agindo como se nossos antepassados a tivessem instituído para sempre. Nós esquecemos que ela tem que ser renovada em cada geração”. Para o Projeto Democracia Americana, o propósito público mais importante das universidades é preparar a próxima geração de cidadãos ativos e engajados, para manter viva a democracia.


Saúde Cívica em Declínio


Segundo o “Civic Health Index” (Índice de Saúde Cívica), a saúde cívica do país apresenta forte declínio nos últimos 30 anos. Há evidências de contínua queda em indicadores tais como confiança em outras pessoas e nível de contribuições humanitárias. Um seminário realizado para avaliar esses indicadores concluiu que “sem os fortes hábitos de participação social e política, os Estados Unidos estão em risco de perder as próprias normas, redes e instituições da vida cívica que nos fizeram a nação mais reconhecida e respeitada da história”. Por outro lado, a Comissão Nacional de Renovação Cívica afirmou gravemente que “os Estados Unidos estão se tornando uma nação de espectadores”. Uma pesquisa do New York Times e CBS News desse ano constatou que 81% dos americanos acreditam que “as coisas estão se encaminhando muito seriamente para rumos equivocados”, contra 60% um ano atrás e 35% em 2002. Hoje, 46% dos pais esperam que seus filhos tenham melhor nível de vida que eles, contra 56% em 2005.


Comprometimento da Universidade e dos Professores


Segundo o professor George Mahaffy, é difícil imaginar uma universidade comprometida com resultados cívicos para seus estudantes, que não seja também comprometida com sua comunidade. O engajamento cívico passa por trabalhar para fazer a diferença na vida cívica das comunidades. Desenvolver a combinação de conhecimento, habilidades, valores e motivação para fazer a diferença. Promover a qualidade de vida na comunidade, através de processos políticos e sociais. O papel dos professores é decisivo, mostrando a dimensão de política pública de suas disciplinas. Tratando a sala de aula como espaço público, praticar a pedagogia do engajamento dos estudantes, considerando comunidade, em primeiro lugar, o campus universitário, e, em segundo lugar, o entorno onde a universidade está inserida. Os professores devem também ser explícitos sobre o foco cívico de suas disciplinas, medir os resultados do engajamento cívico e ajudar a definir a intencionalidade cívica de sua instituição universitária.

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