
O debate sobre a questão da raça na eleição de Obama começou ainda nas eleiçoes primárias, prolongou-se durante a eleição geral e continua agora, pós eleição. Conversei com o professor Richard Ford, da Universidade de Stanford, a respeito. Ford é autor de um livro importante sobre o tema chamado "The Race Card" (A Carta da Raça). Sua tese é a de que a raça não é mais uma questão central na sociedade e na política dos Estados Unidos, porque as relações raciais tem melhorado. Obama, um negro ilustrado e cosmopolita, é considerado um negro pós-movimento pelos direitos civis, do qual Martin Luther King e depois Jesse Jackson foram grandes líderes. A partir dos anos 60, as pessoas se dividiram entre as a favor e as contra as mudanças culturais. Obama não engajou-se nessa velha disputa. Ele teve o cuidado de falar de raça de uma nova maneira, não colocando-a como questão política central. A maioria dos pobres são negros, não foram beneficiados pelo movimento dos direitos civis, tem menos oportunidades de emprego, salários mais baixos, e constituem-se na maioria da população encarcerada, sendo que o índice de encarceramento nos Estados Unidos é um dos mais altos do mundo. A eleição de Obama, segundo Ford, deverá melhorar ainda mais as relações raciais, aperfeiçoar o ideal de igualitarismo da sociedade, com oportunidades iguais para todos, não só iguais para os brancos, e promover uma nova imagem em favor dos afro-americanos.
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