O Sucesso Da Arrecadação De Recursos Pela Internet
As novas plataformas de comunicação incluem o Youtube, que não existia na campanha presidencial de 2004, e as mensagens de texto por telefone celular, que os eleitores receberam nessa segunda –feira, véspera do dia da eleição, lembrando-os para votar. Mas a inovação mais crucial desta campanha , e que mudará a política daqui para a frente, é o sucesso de Obama em usar a internet para mobilizar uma imensa rede de doadores de recursos, que lhe permitiu levantar dinheiro suficiente para expandir o mapa eleitoral dos democratas e competir em estados tradicionalmente republicanos. Os resultados alcançados com esse novo método de financiamento ameaçam sepultar uma das principais reformas políticas da era Watergate, que é o financiamento público de campanhas. Obama abriu mão de utilizar dinheiro do sistema de financiamento público, e assim não precisou submeter-se às restrições impostas pela legislação eleitoral, podendo decidir com mais liberdade onde aplicar os recursos arrecadados.
Uma Nova Forma De Financiamento De Campanhas
Enquanto no Brasil estamos discutindo a introdução do financiamento público de campanhas na reforma política, a grande inovação produzida pelas eleições aqui nos Estados Unidos é um novo tipo de financiamento, muito mais democrático, e com maior fundamento ético. Trata-se do financiamento de campanhas pelos próprios eleitores, baseado em pequenas contribuições voluntárias de milhões de doadores, que o fazem como ato de vontade para respaldar e tornar viável a campanha do candidato no qual depositam sua confiança, e querem que vença as eleições, para que possa colocar em prática suas propostas políticas. Segundo analistas, essa inovação da campanha de Obama aniquilou o sistema público de financiamento existente nos Estados Unidos.
Mudança Cultural Nos Eleitores
Na verdade, estamos vivendo um processo de profundas transformações na forma como as campanhas eleitorais são feitas. E essas mudanças, materializadas na campanha de Obama, refletem, por sua vez, uma mudança cultural nos eleitores, produzindo uma audiência que é ao mesmo tempo mais bem informada, mais cética, e, através da leitura de blogs, muitas vezes conferindo rumores e informações suspeitas. “Esses novos eleitores estão policiando as campanhas”, afirma David Plouffe, coordenador da campanha de Obama. Entre as mudanças mais importantes desse ano está o intenso e novo interesse pela política, que se expressou no registro de novos eleitores, aumento do voto antecipado, e presença nos comícios de Obama. Entretanto, “sem um candidato que emociona e mobiliza as pessoas, você pode ter a melhor estratégia e organização, que elas não vão funcionar”, conclui Plouffe.
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