10 de novembro de 2008

A Democracia Norte-Americana em Questão III – A Desigualdade Crescente

Estudo da Associação Americana de Ciência Política de 2004, “A Democracia Americana numa Era de Crescente Desigualdade”, chegou a conclusão que as desigualdades de renda, riqueza e acesso à oportunidades estão crescendo mais rapidamente nos Estados Unidos do que em muitos outros países. Pessoas ricas “estão falando forte, com tanta clareza e consistência que os funcionários públicos ouvem e seguem prontamente, enquanto cidadãos com rendas menores estão falando com um susurro”, diz o estudo. O progresso em direção aos ideais americanos de democracia pode ter estagnado, e em algumas áreas até regredido. Na mesma direção, Holly Sklar, Laryssa Mykyta e Suzan Wefald, no livro "Raise the Floor", analisam que, no período 1968 a 2000, enquanto a produtividade cresceu 74%, o valor do salário por hora caiu 3% nos Estados Unidos. Se os salários tivessem acompanhado a produtividade, o salário médio por hora seria de 24,5 dólares, ao invés de 13,7 dólares.

Política Pública Fortalece Desigualdades

A insuspeita revista “The Economist”, de dezembro de 2004, compara a média das compensações recebidas pelos 100 executivos de mais altos salários nos Estados Unidos: há trinta anos atrás, era trinta vezes maior do que o salário médio de um trabalhador; hoje, é mil vezes maior que o salário médio de um trabalhador. A revista Chronicle of Higher Education, de 14 de abril de 2008, mostra que 35% dos estudantes em todas as faculdades e universidades norte-americanas recebem auxílio por dificuldade de custear seus estudos. Nas 39 universidades públicas mais ricas, esse percentual é de 18% e nas 75 universidades privadas mais ricas, é de 13%. Constata-se também uma preocupante situação de fortalecimento das desigualdades quando as políticas públicas são examinadas. 52% da ajuda federal, no valor anual de 45 bilhões de dólares, é definida com base em critérios que não levam em conta a necessidade das famílias. Na mesma linha, 34% das deduções nos gastos com educação beneficiam famílias com renda superior a cem mil dólares por ano.

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