4 de novembro de 2008

4 De Novembro, Dia De Fazer História

Estou em Nova York. Hoje é o dia da decisão: Obama ou McCain será o próximo Presidente dos Estados Unidos, depois da mais longa campanha presidencial na história do país. O cenário não poderia ser mais apropriado. O Times Square, esquina da Sétima Avenida com a rua 42, é pura efervescëncia, e os enormes backlights nos prédios quase arranham o céu. São imagens em tempo real dos candidatos nos seus últimos compromissos de campanha. Todos, entre eles eu, voltamos nossos olhares para o alto e o espetáculo é singular. Todos os jornais, canais de televisão, rádios, milhões de sites e blogs na internet, dedicam-se a especular sobre os resultados de hoje e sobre o futuro. Há muita preocupação entre os norte-americanos, mas também muita expectativa e interesse. Espera-se um comparecimento ‘as urnas sem precedentes. Cerca de uma terça parte dos eleitores já votaram por antecipação, 50% mais do que em eleições anteriores. Todas as pesquisas, inclusive aquelas feitas entre eleitores que já exerceram seu direito de voto, prognosticam a vitória de Obama. Há também a expectativa de vitória democrata também para o Congresso. Mas há denúcias de irregularidades, há preocupação com a contagem dos votos, há ainda o temor de que, na intimidade da urna, muitos eleitores acabarão não votando num afro-americano. E sente-se também no ar a preocupação de que, eleito Obama, corre-se o perigo de seu assassinato, neste caso numa trágica repetição da história.


Disputa Entre Os Apoiadores De Obama E McCain


Caminhava no Times Square quando, sem querer, acabei testemunhando uma briga entre apoiadores de McCain e de Obama. Trës apoiadores de McCain faziam uma ruidosa manifestação no canteiro central do Times Square. Começaram a juntar-se pessoas pró-Obama espontaneamente e contestar com palavras e pequenos cartazes improvisados. A discussão acabou em briga, que exigiu a intervenção da polícia. O que mais chamou-me a atenção foi o fato de que, enquanto do lado de McCain permaneceram apenas as mesmas trës pessoas iniciais, na turma de Obama aglomerou-se uma pequena multidão, entre jovens, mulheres, bancos, afro-americanos, estrangeiros, entre os quais acabei impelido a juntar-me, solidariamente. A cidade de Nova York parece estar claramente inclinada para o voto democrata, como a maior parte dos Estados Unidos, inclusive entre os chamados Estados críticos, nos quais a disputa presidencial tem sido historicamente apertada.


Crise Econömica E Guerra do Iraque Na Agenda Presidencial


Todos os indicadores apontam para um agravamento da recessão econömica. Noticias de fechamento de empresas, de demissão de trabalhadores, de redução dos niveis de consumo das familias, de temor quanto ao futuro, estão por todos os lados. Há uma avaliação crítica sobre a capacidade do futuro presidente, seja ele Obama ou McCain, colocar em prática o programa de governo que defendeu na campanha, devido às enormes dificuldades que o país terá para aumentar seu déficit fiscal. Ainda mais porque os próximos anos deverão apresentar crescimento econömico muito baixo, com a possibilidade de taxas inclusive negativas, o que por si só deverá agravar a situação deficitária do orçamanto público do país. Por outro lado, o próximo presidente herdará um país em guerra, o que torna a transição e a forma de resolução do conflito uma segunda questão crucial da agenda presidencial.

2 comentários:

Movimento Político pela Unidade - RS disse...

Caro amigo Cézar, ótimo dia!

Obrigado pelos teus comentários, nos ajudam a entender melhor e "participar" desta experiência democrática que o povo americano está vivendo neste momento. Este teu estar com as pessoas, tuas observações do que vai acontecendo no cotidiano das pessoas nos permitem experimentar um sentido de "fratelanza" universal, de nos sentirmos próximos e irmãos com todos os povos. Vivendo todos juntos uma experiência democrática necessária rumo a fraternidade universal!

Forte abraço!

Flávio Dal Pozzo

Movimento Político pela Unidade - RS disse...

Caro amigo Cézar, ótimo dia!

Obrigado pelos teus comentários, nos ajudam a entender melhor e "participar" desta experiência democrática que o povo americano está vivendo neste momento. Este teu estar com as pessoas, tuas observações do que vai acontecendo no cotidiano das pessoas nos permitem experimentar um sentido de "fratelanza" universal, de nos sentirmos próximos e irmãos com todos os povos. Vivendo todos juntos uma experiência democrática necessária rumo a fraternidade universal!

Forte abraço!

Flávio Dal Pozzo