
Tanto Obama como McCain dizem que é preciso mudar o jeito de trabalhar de Washington, a capital política dos Estados Unidos. Que o jeito atual está falido. Referem-se ao domínio exercido pelos chamados interesses privilegiados, a indústria do lobby, que impede a tomada de decisões políticas relevantes para o país, os casos freqüentes de corrupção, a falta de compromisso público de muitos executivos públicos, a falta de transparência e de prestação de contas à sociedade, a falta de um espírito de dedicação e de voluntariado pelas causas nobres da nação. A manutenção durante tanto tempo da liberalização dos mercados financeiros, que possibilitou os abusos especulativos no financiamento habitacional, origem da maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado, é o melhor exemplo do papel perverso da indústria do lobby que domina a política na capital norte-americana. Qualquer semelhança com aquilo que vemos com tanta freqüência ocorrer em Brasília não é mera coincidência. Resulta de um mesmo jeito de fazer política, que precisa mudar em todo o mundo.
Mudança de Baixo para Cima
McCain propõe mudar a partir de sua luta histórica contra a corrupção e os lobbies viciados. Obama diz que a mudança só será efetiva se vier de baixo para cima, a partir da pressão que vem das ruas, dos bairros, das cidades, dos Estados federados. Obama incorporou a necessidade de uma nova cultura política, apoiado na evidência de que as pessoas querem recuperar a capacidade que perderam nos últimos anos de reunir-se, decidir e construir juntas o futuro de suas comunidades. O engajamento cívico das pessoas é considerado por Obama um componente essencial do aperfeiçoamento da democracia norte-americana. Ele está presente em sua campanha, em seu programa de governo e em todos os seus discursos. Será essencial que o engajamento cívico venha a ser uma dimensão fundamental do seu futuro governo, caso vença as eleições.
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