Greenspan, O “Consenso De Washington”, E A Argentina
Ernesto tem se dedicado a espiritualidade. Conversamos longamente sobre a vida e a busca de harmonia entre as pessoas e com a natureza. E, como ambos somos economistas, a crise econômica e as eleições para a presidência dos Estados Unidos entraram em pauta, óbvio. Ernesto dedicou um bom tempo a mostrar-me o quanto o Consenso de Washington, que nasceu no governo Reagan e pautou a política externa dos Estados Unidos durante os últimos 30 anos, foi responsável pela desmontagem de boa parte da economia industrial da Argentina nos anos 80 e 90. Com base na concepção da abertura da economia para os capitais internacionais, a privatização das empresas nacionais públicas, a associação ou venda das empresas nacionais privadas, a elevação das taxas de juros e a valorização do peso, a Argentina foi o país latino-americano que levou mais fundo o receituário do governo norte-americano, propagado pelo FMI e pelo Banco Mundial. O próprio Alan Greenspan, o idolatrado Presidente do Federal Reserve, acaba de reconhecer, perante o Congresso dos Estados Unidos, que “cometeu um erro”, ao achar que os mercados e as empresas financeiras poderiam auto-regular-se, concepção que ele seguiu à risca por 18 anos, que está na origem da atual crise financeira, e que sustentou as diretrizes do Consenso de Washington. Mas o prejuízo econômico e social que a aplicação dessa política econômica causou à Argentina e aos demais países em desenvolvimento é uma história que ainda não foi bem contada.
Obama Tem Profundos Compromissos Populares
Quanto às eleições presidenciais, no alto de sua experiência de décadas, Ernesto analisa a ascensão de Barack Obama como um fato novo na política norte-americana. Segundo sua análise, Obama é um político que se desenvolve a partir de um profundo enraizamento no movimento de luta pelos direitos dos trabalhadores desempregados e minorias raciais, como os negros e latinos, nos subúrbios de Chicago. Seu compromisso com os mais pobres e com a mudança são ainda maiores do que a campanha tem conseguido demonstrar. E, em sua opinião, se Obama chegar à presidência, o governo dos Estados Unidos liderará transformações necessárias na sociedade, na política e na economia do país, que terão repercussão em todo o mundo.
27 de outubro de 2008
Uma Vida Em Harmonia E Generosidade
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