7 de outubro de 2008

Super-Salários nas Empresas Financeiras

As mesmas empresas financeiras que estão sendo socorridas com dinheiro público dos contribuintes norte-americanos pagam super-salários para seus executivos. Em depoimento hoje na Comissão de Investigação da Câmara dos Deputados sobre a quebra das empresas de Wall Street, o executivo da Lehman Brothers, Richard Fuld, admitiu que nos anos 2000 até hoje recebeu 250 milhões de dólares a titulo de compensações pela sua atividade. A informação dos deputados é de que, na verdade, Fuld teria recebido o dobro disso, sem contar participações acionárias na empresa. Esse depoimento estava em curso quando a Bolsa e Nova York despencou mais uma vez, o mesmo ocorrendo em todas as principais bolsas do mundo. A crise alastra-se e adquire sua dimensão mundial, mostrando a estreita conexão entre a economia financeira globalizada.

A Necessidade De Uma Nova Concertação Mundial

Entretanto, os governos não estão conseguindo coordenar-se para dar respostas articuladas e consistentes diante do alastramento da crise. Na Europa, uma economia integrada contrasta com governos nacionais divididos, cada um tomando iniciativas isoladas. O governo da Irlanda decidiu na sexta-feira garantir com recursos públicos os depósitos bancários. Tal medida acabou posteriormente também sendo tomada pelos governos da Inglaterra e da Alemanha, para evitar corridas aos bancos, diante do agravamento da crise financeira e da queda das bolsas de valores em seus países. Fica também evidente a ausência de uma coordenação mundial entre as principais autoridades financeiras dos Estados Unidos, Europa e Ásia. O Fundo Monetário Internacional, diante disso, vem a público propor a busca de uma coordenação, no contexto de uma necessária e ampla reforma do sistema financeiro mundial. Começa a ser debatida a necessidade de um novo acordo mundial semelhante ao de Bretton Woods, que se seguiu a Grande Depressão dos anos 30 do século passado.

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