31 de outubro de 2008

Revolução Tecnológica Na Área De Energia

A presidente do MIT (Massachussets Institute of Technology), Susan Hockfield, considera que os Estados Unidos estão atados num nó triplo: uma economia frágil, afetada por preços de energia voláteis; uma política mundial sobrecarregada pelos temas do consumo de energia e a segurança; e uma crescente evidência de aquecimento global. “Eu acredito que nós podemos atacar todos os três problemas de uma só vez com novos investimentos federais intensivos em pesquisa aplicada e desenvolvimento sobre energia. Se um avanço concreto pode transformar as perspectivas para os Estados Unidos, esse seria o acesso firme, em grande escala, a um conjunto de tecnologias em energia, viável, renovável e com baixo teor de carbono – desde energia eólica e solar em grande escala, até energia nuclear segura.” Susan Hockfiel enfatiza que, enquanto a indústria farmacêutica investe 18% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento, e a indústria de semicondutores 16%, as empresas de energia investem menos do 0,25%. “Com esse padrão de investimento, nós não podemos esperar uma revolução tecnológica na área da energia.” O Conselho de Competitividade e muitos especialistas recomendam que o gasto federal em pesquisa em energia deveria subir até dez vezes os níveis atuais. “Eu acredito que nós estamos à beira de uma revolução tecnológica global na área da energia. Os Estados Unidos liderarão esse processo e receberão as recompensas por isso? Ou nós cedemos essa vantagem a outros países com mais visão?”

Mudança Do Modelo Energético E A Campanha Presidencial

A mudança no modelo energético é um dos temas centrais dos programas de governo dos candidatos à presidência dos Estados Unidos. O tema saiu do centro da campanha eleitoral nas últimas semanas, depois que estourou a crise financeira em Wall Street, mas não deixa de ser decisivo para o futuro. McCain propõe a ampliação da exploração das reservas de petróleo existentes na costa dos Estados Unidos, complementada com novas fontes de energia, com ênfase na energia nuclear. Obama vê na implantação de um novo modelo, baseado em fontes de energia limpa, a possibilidade de os Estados Unidos alcançarem a independência do petróleo importado do Oriente Médio em dez anos, com a geração de 5 milhões de novos empregos no país. Desse modo, os Estados Unidos também dariam uma significativa contribuição para a redução do aquecimento global. O chamado sistema “cap-and-trade” (de limite e comércio de emissões de carbono) poderia ser o estilo de política governamental capaz de promover essa transição. A essa política de incentivos, o candidato democrata propõe um maior volume de investimentos em energias alternativas, tipo solar, eólica e biodiesel, que poderá chegar a 150 bilhões de dólares. Quanto ao etanol, o caminho proposto é transitar do etanol a base de milho – que “contribui para aumentar a crise de alimentos no mundo” – para o etanol a base de celulose.

Novas Fontes de Energia, Nova Economia, Nova Sociedade

Enquanto isso, acordo selado entre republicanos e democratas possibilitou a recente aprovação pelo Congresso norte-americano de lei que autoriza a perfuração de poços de petróleo na costa dos Estados Unidos, numa distancia mínima de 50 milhas da costa, com autorização dos estados federados. A polêmica da perfuração da costa faz parte do debate sobre o aumento do preço da gasolina e a dependência de petróleo importado. Os Estados Unidos produzem 3%, entretanto consomem 25% do petróleo do mundo. A iniciativa privada corre na frente e começa a criar alternativas comerciais ao petróleo. A GM acaba de anunciar a construção do Volt, seu primeiro carro elétrico comercial, previsto para estar disponível no mercado em 2010. Aqui em San Jose, capital do Vale do Silício, a empresa Tesla Motors acaba de anunciar a construção de uma fábrica para a produção de um carro elétrico, cuja comercialização também está prevista para meados de 2011. Sob a liderança dos Estados Unidos, é provável que tenha curso nos próximos anos uma mudança na matriz energética do mundo, na qual o petróleo será progressivamente substituído por fontes renováveis de energia, com menor teor de carbono. Essa mudança poderá mudar significativamente a configuração da sociedade humana e da sua relação com a natureza a escala mundial, que foram edificadas sobre a base da extração e consumo de petróleo no último século.

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