8 de outubro de 2008

Plano de Socorro Não Consegue Deter a Crise

A Bolsa de Nova York despencou quase mil pontos nesses primeiros dois dias da semana, desde a última sexta-feira, quando o Congresso aprovou o plano de socorro às empresas financeiras de Wall Street no valor de 700 bilhões de dólares. Hoje foi revelada uma informação que provoca pânico em milhões de norte-americanos: os fundos de pensão tiveram perdas de 2 trilhões de dólares nos últimos dois anos. Evidências de todos os lados revelam que a crise é mais complexa do que as autoridades americanas imaginavam: a crise é mundial, não apenas norte-americana; os governos tem revelado incapacidade de enfrentar a situação; inexistem mecanismos de coordenação econômica que possibilitem ações articuladas e consistentes; a crise de crédito nas economias nacionais agrava-se, mesmo depois da aprovação do plano de socorro; alastra-se o pânico entre as pessoas, porque temem que seus bancos poderão fechar, e perderam a confiança no sistema financeiro e nas grandes instituições governamentais.

Federal Reserve Assume Financiamento Direto

Diante disso, o Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, começou hoje a emprestar em grande escala, estima-se valores da ordem de 900 bilhões de dólares, para poder preservar as linhas de crédito de curto-prazo e, com isso, manter a economia privada funcionando. Com esses recursos, emprestados a taxas de juros subsidiadas de 2% ao ano, que poderão inclusive ser reduzidas para 1% ano brevemente, são atendidas as necessidades de crédito diárias das empresas para a compra de suprimentos e o pagamento de salários. Essa iniciativa do Federal Reserve impôs-se porque, se as empresas deixarem de ter acesso a crédito de curto prazo, começam a reduzir sua atividade e a economia pode mergulhar numa recessão mais profunda e até numa depressão, reprisando o que acorreu nos anos 30 do século passado. O Federal Reserve está sendo forçado a tornar-se um financiador direto da economia privada, papel que até há pouco era desempenhado pelos bancos de investimentos, todos agora quebrados ou em transformação em bancos comerciais.

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