"A eleição para a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 4 de Novembro é histórica e peculiar. Ela coincide com a maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. E, pela primeira vez, concorre à presidência um afro-americano pelo Partido Democrata e à vice-presidência uma mulher pelo Partido Republicano.
Pelas razões de ordem objetiva que, em geral, definem uma eleição presidencial, seria de esperar que Barack Obama estivesse bem à frente de John McCain na preferência popular. O governo Bush é mal avaliado por mais de 70% dos norte-americanos. O desemprego e a inflação são os mais altos em décadas. A crise de Wall Street está custando em torno de 1 trilhão de dólares aos cofres do Tesouro, que terão que ser pagos pelos contribuintes norte-americanos. Os déficits fiscal e comercial e a dívida acumulado do país alcançaram seus níveis mais elevados. A imagem dos Estados Unidos no mundo está abalada pelos erros e fracassos na invasão do Iraque. O dólar chegou ao seu menor valor perante o euro. Como se isso não bastasse, o candidato da situação fala mal, se apresenta mediocremente, tem pouca energia e nenhum carisma. Já o candidato da oposição fala bem, se apresenta bem, tem muita energia e carisma.
Porque, então, as pesquisas apresentam um empate técnico? O que , afinal, segura Obama e alavanca McCain? No meu entender, duas razões sobressaem. Por um lado, os valores tradicionais enraizados na sociedade interiorana e nas classes médias abastadas. Especialmente, o preconceito racial, o conservadorismo moral, a manutenção da pátria como superpotência militar e o temor a mudanças sociais para os mais pobres. Por outro lado, a até aqui bem sucedida estratégia de manipulação utilizada pela candidatura republicana. Ela procura apresentar-se também como alternativa de mudança, como se nada tivesse a ver com o governo Bush e os interesses que o sustentam.
Não é exagero afirmar que Obama só tem conseguido sustentar-se nas pesquisas devido à sua peculiar capacidade mobilizadora e envolvente. Entre os norte-americanos mais jovens, imigrantes de todas as nacionalidades, classes médias urbanas e mais ilustradas, segmentos mais inovadores do empresariado, Obama conseguiu de forma inédita recrutar um verdadeiro exército de mais de dois milhões e meio de militantes voluntários. Com seu idealismo despertado, eles acreditam que dessa vez é possível mudar os rumos do país e trabalham arduamente para vencer a eleição.
Enquanto McCain utiliza a internet para fornecer informações sobre sua campanha, Obama utiliza a internet como ferramenta interativa e mobilizadora. A campanha-rede de Obama estabelece uma comunicação diária e sistemática com suas bases. Mantém seus milhões de voluntários estimulados, ativos e envolvidos. Compromete-os com a realização de eventos de conquista de novos apoiadores e doadores. Utiliza cada novo momento da campanha para estabelecer metas, levantar novas contribuições e convocar a todos para alcançá-las. Realiza a mais próspera de todas as campanhas democratas até hoje. Nenhuma campanha antes conseguiu fazer isso tão efetivamente. Inaugura-se uma nova era de campanhas eleitorais, na sociedade da informação e da comunicação.
Acredito que as razões de ordem objetiva, impulsionadas pela expectativa de dias melhores em suas vidas, definirão, finalmente, o voto dos eleitores. Se assim for, Obama está mais credenciado do que McCain e os norte-americanos optarão por fazer história. Enfrentando as profundas resistências da velha sociedade conservadora, elegerão um afro-americano para comandar a nação mais poderosa do Planeta. "
1 comentários:
Busatto,
Tenho acompanhado teu blog faz algum tempo. Excelente! Pode até virar livro.
O tempo te fará justiça.
Saúde e paz!
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