Nacionalização dos Bancos Norte-Americanos
O Banco Central dos Estados Unidos decidiu na sexta-feira à noite adotar a iniciativa do Banco Central da Inglaterra de comprar ações preferenciais dos bancos norte-americanos, como forma de injetar capital, assegurar liquidez, recuperar a confiança de correntistas e investidores, e a confiança entre os próprios bancos, para que eles voltem a operar no mercado de crédito, que está paralisado. Em conseqüência, a alternativa idealizada pelas autoridades norte-americanas, quando da aprovação do plano de socorro de 700 bilhões de dólares há poucos dias atrás, de comprar créditos podres através de leilões invertidos, ou seja, pelo menor preço de oferta, foi colocada em segundo plano. As autoridades econômicas note-americanas resistiram vários dias antes de mudar de posição, mas acabaram vencidas pelo agravamento persistente da crise. Na verdade, injetar capital estatal nos bancos, através da compra de ações, é mais um passo no processo de nacionalização do que restou do sistema financeiro norte-americano, em consequência da crise. Uma decisão que as autoridades econômicas do governo Bush jamais imaginaram ter que tomar.
Crise Financeira Abala Setor Produtivo
A crise de confiança dos consumidores, a paralisação do crédito e as perspectivas de uma recessão mais prolongada deverão causar forte impacto e sinalizam para significativas mudanças na economia real. Comenta-se, nesse final de semana, que a General Motors e a Chrysler, duas gigantes da indústria automobilística, estão discutindo sua fusão, para melhor enfrentar a retração na vendas e os tempos ainda mais difíceis que se avizinham. A semana fechou com propostas de última hora dos candidatos à presidência para enfrentar as novas agendas produzidas pelo agravamento da crise. Algo inédito a menos de 25 dias da eleição. Obama apresentou na sexta-feira um plano de empréstimos subsidiados para os pequenos negócios, responsáveis por 75% dos empregos no país. No mesmo dia, McCain apresentou uma proposta para proteger parcialmente os fundos de aposentadoria, que estão tendo perdas de trilhões de dólares com a crise, prejudicando milhões de norte-americanos. A gravidade da crise econômica pega de surpresa os dois candidatos e suas assessorias, que acabam tendo que alterar suas propostas econômicas de forma casuística, demonstrando uma vez mais a incompreensão do quadro econômico que o país vem enfrentando já há algum tempo, para o qual não estavam preparados.
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