9 de outubro de 2008

A Cooperação Entre Os Bancos Centrais

O Banco Central dos Estados Unidos, junto com os Bancos Centrais da Europa, China, Canadá, Hong Kong, Kwait, Emirados Árabes Unidos, com o apoio do Banco Central do Japão, seguiram a iniciativa tomada ontem pelo Banco Central da Austrália e conseguiram, finalmente, coordenar uma política conjunta de redução emergencial das taxas de juros nos seus países. Nos Estados Unidos a redução foi de meio ponto percentual, de 2% para 1,5%. Essa iniciativa deixa claro que a gravidade da crise e a ameaça de uma recessão mundial passaram a ser percebidas pelas principais autoridades econômicas nacionais. Deixa claro também uma tomada de consciência da interconexão global dos mercados financeiros, que requer ações globais cooperativas e não competitivas nessa hora. Os bancos centrais transferem seu foco de atuação do controle isolado da inflação em seus países, que predominou nas últimas décadas, para uma ação articulada mundialmente de manutenção da atividade econômica, diante das ameaças de uma recessão de grandes proporções, que poderia reeditar a Grande Depressão dos anos 30 do século passado.

Estados Unidos A Caminho Da Recessão

O Banco Central dos Estados Unidos deixou claro em seu comunicado oficial que a crise financeira, combinada com o crescimento do desemprego, salários estagnados e outros problemas econômicos relacionados, conformam uma combinação perversa. Já o Relatório Anual do FMI prevê redução do crescimento global e risco de recessão nos Estados Unidos. Diante disso, analistas prevêem que o Federal Reserve terá que reduzir ainda mais a taxa de juros nos Estados Unidos proximamente. As iniciativas isoladas tomadas pelas autoridades econômicas de cada país para conter a crise tiveram impacto muito pequeno. Isso deixou claro para essas autoridades que a crise adquiriu dimensão mundial e que ações coordenadas e de amplo alcance são a única forma efetiva de lidar com ela daqui para a frente. Interessante observar que, nessa hora de crise, a palavra de ordem, tanto no sistema financeiro, como entre as autoridades econômicas nacionais, passa a ser a cooperação, deslocando para um segundo plano a competição, que se constitui na pedra angular da economia capitalista.

Candidatos A Presidente Apóiam Iniciativa

Em notas oficiais, os dois candidatos a presidência apoiaram a iniciativa do Banco Central dos Estados Unidos, em conjunto com os demais Bancos Centrais, de redução das taxas de juros. Ambos, entretanto, enfatizam a necessidade de serem tomadas medidas adicionais para proteger as famílias ameaçadas de terem suas casas confiscadas por atraso no pagamento de seus financiamentos. Diferentemente de McCain, entretanto, a nota oficial de Obama explicita uma conclamação ao Departamento do Tesouro e ao Congresso para viabilizarem imediatamente um plano de socorro para a classe média, “que preserve um milhão de empregos e dê conforto às famílias que lutam pela sua sobrevivência, aos pequenos negócios e a todos os americanos que estão perdendo suas casas”.

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