Pressupostos Que Se Desatualizaram
As cidades e regiões metropolitanas representam 80% dos ativos, dos empregos e dos impostos gerados, portanto definir estratégias urbanas corretas é essencial para o bem-estar da nação. Não há uma nação forte sem cidades fortes. Entretanto, muitas das nossas cidades foram construídas com base em pressupostos que se desatualizaram. Sempre pensamos que a gasolina seria barata e abundante e que teríamos sempre soluções para o congestionamento. Nós assumimos o pressuposto de que os norte-americanos estavam abandonando a vida em áreas públicas, felizes em viver privativamente em suas residências suburbanas cada vez mais caras. Esses pressupostos não são mais verdadeiros.
As Novas Realidades Nas Cidades
A gasolina está cara e encarecendo mais. Nós não conseguimos construir auto-estradas com a rapidez necessária para reduzir o tempo no trânsito. E o desejo de conviver em áreas públicas está crescendo. Jovens adultos estão 33% mais propensos que outros americanos a viver num raio de 3 milhas (mais ou menos 5 quilômetros) da área central de negócios, onde a vida é vivida muito mais publicamente. As pessoas estão até mesmo aprovando em plebiscitos aumento de impostos específicos para parques e espaços públicos. Essas são as novas realidades e o problema é que nossas estratégias de desenvolvimento das cidades não conseguiram adequar-se a um mundo novo e muito diferente. O que as cidades devem fazer para serem bem sucedidas numa sociedade do conhecimento e economia globalizada?
As Quatro Novas Iniciativas Vitais
Estudos mostram que as cidades posicionam-se melhor para o sucesso quando tornam-se muito competentes em realizar quatro iniciativas fundamentais:
- desenvolver-se, através da manutenção e atração de talentos;
- conectar seus cidadãos às oportunidades, a cidade à região e a região à economia global;
- entender o que faz sua cidade peculiar, e ter a confiança de capitalizar essa identidade (ao invés de perseguir a mesma estratégia que todas as outras cidades estão seguindo);
- desenvolver a capacidade para a inovação, no governo e na comunidade.
Talento, conexões, peculiaridade e inovação. Esses são os elementos vitais da cidade, dimensões com base nas quais as cidades da nova geração serão bem sucedidas. Eles conformam o conceito de “cidade criativa”, que aposta no desenvolvimento da capacidade criativa das pessoas e das comunidades. Hoje as lideranças surgem em qualquer lugar, se existir ambiente propício e se houver estímulo adequado. As novas tecnologias da comunicação são ferramentas poderosas para isso, como mostra a campanha de Barack Obama.
Uma Área Central Forte e Vibrante
Ter uma área central da cidade forte e vibrante é um importante acelerador de cada um desses elementos vitais. Essa não é uma lista convencional de temas ou soluções urbanas. Eles não se adaptam facilmente à estrutura organizacional da Prefeitura ou á nossa estrutura convencional de participação cívica. Existe um Departamento de Talentos na Prefeitura de San Jose? Um Diretor de Peculiaridades? Alguém dedicado à Conexões? Alguém responsável por inovação, não somente na Prefeitura (embora isso colocasse sua cidade muito à frente de outras), mas no espaço público? Um grupo absolutamente apaixonado em tornar a área central da cidade vibrante, fazendo dela um acelerador de talentos, conexões, peculiaridades e inovação? É essencial estimular um engajamento mais forte das empresas privadas com o desenvolvimento da cidade, de sua região central e de seus bairros.
Centro Histórico De Porto Alegre
Fiquei entusiasmado ao saber, pelo site do Felipe Vieira, que está nascendo a Rede de Amigos de Centro Histórico de Porto Alegre – AMICHIS. Seu lançamento, de acordo com Rita Chang, coordenadora da iniciativa e Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural – COMPAHC, será no próximo dia 3 de novembro, na Champanharia Ovelha Negra. Tudo começou com a aprovação da Lei 10.364/2008, que altera a denominação do centro da cidade de Porto Alegre para Centro Histórico da Cidade de Porto Alegre. Mais do que uma mudança de denominação, Rita Chang mostra que essa mudança significou a agregação de um novo valor, fortalecendo a região central como a verdadeira identidade urbana da cidade. Uma coisa, diz Rita, é morar ou ter um negócio no centro da cidade, outra coisa é morar ou ter um negócio no Centro Histórico da cidade. Com essa valorização, uma nova motivação tomou conta dos moradores e empresários do Centro Histórico, além de pessoas de toda a cidade que se sentem igualmente identificadas. Estão sendo formadas inúmeras redes temáticas de cooperação, voltadas a revitalizar a vida cotidiana no Centro Histórico, e quem deseja incorporar-se pode entrar em contato com centrohistoricoportoalegre@gmail.com . A AMICHIS incorpora um elemento crucial para o fortalecimento do Programa Viva o Centro, da Prefeitura de Porto Alegre, que é o engajamento cívico e voluntário de pessoas motivadas, talentosas e empreendedoras.
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