26 de outubro de 2008

Barack Obama E O Mundo Muçulmano

O fato de Obama ser filho de um pai keniano, ter seu nome do meio Hussein, ter cor negra, foi motivo para os republicanos identificarem-no como Muçulmano, e simpatizante de terroristas. Tristemente, para uma parcela conservadora e iletrada da sociedade norte-americana, ser Muçulmano e simpatizante do terrorismo são sinônimos. Mas esse equívoco tem sido duramente questionado por todos os lados. Fareed Zakaria, articulista internacional da revista Newsweek, conclui sua declaração de voto por Obama assim: “Eu admito que falo em nome de meu interesse pessoal. Tenho um filho de 9 anos chamado Omar. Acredito firmemente que ele poderá fazer absolutamente o que quiser nesse país quando crescer. Mas admito que me sentirei mais confiante sobre seu futuro se um homem chamado Barack Obama tornar-se o presidente dos Estados Unidos”.

Rompimento De Colin Powell Com Os Republicanos

Entre as razões que Colin Powell enumerou para abrir seu apoio para Obama, está sua inconformidade com a campanha do Partido Republicano de “insidiosa combinação de rumores de que Barack Obama era Muçulmano, com intimidações de que ele era um simpatizante terrorista”. O equívoco de identificar os Muçulmanos e o mundo Islâmico com o terrorismo, a partir do ataque às torres gêmeas de 11 de setembro de 2001, tornou-se uma marca do governo Bush e do seu partido. O Conselho de Relações Islâmico-Americanas afirma que a expressão “terrorismo Islâmico” é um mito, porque associar a palavra “Islâmico” com “terrorismo” atinge genericamente todos os Muçulmanos. “A retórica usada contra os terroristas deve ser dirigida contra os verdadeiros terroristas, e não contra a fé islâmica que suas ações contradizem”. Perpetuar essa expressão “é uma afronta ao princípio da liberdade religiosa sobre o qual os Estados Unidos foram fundados”, conclui Saqib A. Zuberi, diretor do Conselho, em artigo para o Jornal San Jose Mercury News.

Mudança Na Relação Dos Estados Unidos com o Islã


Depois de 18 meses de trabalho examinando as causas do deterioramento das relações entre os Estados Unidos e o mundo Muçulmano durante o governo Bush, um grupo diversificado de alto nível propôs uma completa mudança da estratégia norte-americana para reverter a expansão do terrorismo e do extremismo no mundo. Em seu relatório, “Mudando o Curso: Uma Nova Direção para as Relações dos Estados Unidos com o Mundo Muçulmano”, 34 líderes de setores religiosos, empresariais, militares, diplomáticos, acadêmicos, e de fundações e organizações não-governamentais, recomendam que o próximo presidente utilize seu discurso de posse para anunciar essa mudança de orientação. As principais mudanças seriam: mais comprometimento diplomático, mesmo com o Iran e outros adversários; mais investimentos em desenvolvimento econômico nos países Muçulmanos, para gerar empregos para uma juventude ociosa; a renúncia ao uso da tortura; e a indicação de um enviado especial, dentro dos primeiros três meses do novo governo, para realizar negociações de uma solução diplomática para o conflito entre Israel e os Palestinos.

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