24 de outubro de 2008

Arte E Tecnologia Na Cidade III - O Valor Do Trabalho Artístico

A proporção de artistas na população dos Estados Unidos dobrou nos últimos 25 anos. Entretanto, apenas 8% deles são autônomos e só dependem de seu trabalho artístico para sobreviver. Na era do conhecimento em que vivemos, baseada numa aceleração sem precedentes da inovação, a habilidade do artista em continuamente criar algo novo tem um valor essencial para o desenvolvimento econômico e social. Criar ambientes onde pessoas das áreas artísticas e tecnológicas trabalhem juntas tem um valor estratégico. Além do mais, a arte é uma língua universal, perfeitamente adequada ao mundo plano da rede virtual global e seu papel, portanto, deve ser compreendido no âmbito da comunidade global e não só local. Já começam a ocorrer encontros físicos e virtuais internacionais entre artistas e setores da indústria, como a automotiva, para instigar a criatividade e a inovação. Projetos de criação de novos produtos e processos já são desenvolvidos ao mesmo tempo por muitas pessoas em várias partes do mundo, criando o desafio de sua gestão, mas ao mesmo tempo gerando satisfação e prazer de criar coletivamente. Iniciativas como essas deverão multiplicar-se rapidamente em muitos outros segmentos da economia globalizada.

Retenção e Atração de Artistas Para A Cidade


Estimular de todos os modos possíveis a criação e a produção artísticas passou a ser, portanto, uma questão central da competitividade global de um território, seja ele um bairro, uma cidade, uma região, um estado ou uma nação. Fala-se muito em políticas de atração de investimentos para o território. Mas não se tem dado o valor que se requer na era do conhecimento para políticas de atração de artistas. Vejamos alguns exemplos. Promover o estudo, a prática e o incentivo às artes nas escolas é um ponto de partida imprescindível para despertar nas crianças e adolescentes a criatividade e a inovação, enriquecer seu conhecimento, desenvolver suas habilidades, elevar sua auto-estima, ampliar suas experiências de vida, estabelecer novas relações com a comunidade a sua volta. Identificar as contribuições artísticas, muitas vezes escondidas, mas que estão presentes na história do desenvolvimento territorial. Estimular as pessoas e famílias a apreciar e ter obras de arte em suas residências e locais de trabalho. Abrir os espaços públicos e privados ociosos para mostras de produção artística, dando visibilidade às artes e valorizando seus autores. Multiplicar os espaços de encontro e interação entre artistas de todas as modalidades. Abrir ainda mais espaços na mídia para a divulgação do trabalho artístico. Por último, e não menos importante, elevar a prioridade que tem sido dada até aqui aos incentivos fiscais e financeiros para a criação e a produção artísticas locais e para a retenção e atração de artistas para o território. Essa proposta é formulada e fundamentada por Richard Florida em seu livro “The Rise of the Creative Class” (A Ascensão da Classe Criativa).


Aprendizado: Mais Valor Ao Trabalho Artístico E Criativo


O desenvolvimento das artes tem que ser estimulado por múltiplas razões que se conjugam hoje, mais do que nunca antes no passado: sua importância para embelezarmos os espaços e enriquecermos a convivência, criarmos valor pela criatividade e a inovação, desenvolvermos a economia, a competitividade e novas oportunidades de trabalho e, enfim, vivermos uma vida mais exuberante, mais intensa e mais rica. Jane Jacobs, autora de um livro clássico sobre a prosperidade e a decadência das cidades norte-americanas, afirmou certa vez que o que fez de Nova York a cidade fantástica que é não foram as suas grandes avenidas, mas a diversidade e a convivência de suas vizinhanças, que se expressa nos encontros, festas, comemorações recheadas de manifestações artísticas locais. Creio que em nossas definições estratégicas, orçamentos públicos, redes de governança local, políticas públicas, não temos dado ao trabalho artístico e criativo a importância ainda maior que ele passou a ter, não só para tornar a cidade mais diversa, culturalmente rica, plena de vida e convivência, como também para impulsionar a atual sociedade do conhecimento, baseada na aceleração sem precedentes da inovação, sem a qual não há como nossos territórios competirem no mundo globalizado.

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