23 de setembro de 2008

Socorro aos Bancos e Sociedade

Na medida em que a discussão sobre a proposta de 700 bilhões de dólares de socorro ao sistema financeiro se aprofunda, começam a ser feitas perguntas críticas: porque então não é feito um plano de proteção para os mais de 600 mil trabalhadores que foram desempregados somente nesse ano? Porque não é feito um plano de proteção para as centenas de milhares de famílias que perderam suas casas por não ter condições de pagá-las nos últimos anos? Porque os contribuintes tem que pagar uma conta de quase 1 trilhão de dólares pelos abusos do mercado financeiro especulativo e pela aplicação de uma filosofia econômica equivocada de liberalização de mercado por parte do governo? Que tipo de capitalismo realmente existente está sendo construído no país referência da democracia para o mundo? Um capitalismo que privatiza lucros e socializa prejuízos? A quem realmente estamos beneficiando? Afinal, quais os valores fundamentais de nossa sociedade?

Socorro aos Bancos e Democracia

Ou seja, porque a esmagadora maioria da sociedade não foi considerada pela decisão governamental de salvar os bancos?
Fica claro que o atropelo com que o plano de salvamento dos bancos foi colocado em prática desconsiderou a prática democrática, que exige que as decisões governamentais levem em conta os interesses do conjunto da sociedade. Criou-se um fato consumado e, agora, o Congresso está buscando alternativas para legitimar o plano perante a opinião pública e a população dos Estados Unidos. Os democratas estão cumprindo esse papel, exigindo que sejam incluídas emendas ao plano que favoreçam o cidadão comum, que assegurem que as causas originais da crise sejam enfrentadas, ou seja, a redução do valor das moradias e a redução da renda das famílias que adquiriram e não conseguiram pagar suas moradias. A recuperação do mercado habitacional permanece incerta e, no entanto, é considerada a variável essencial para a recuperação financeira da nação. Os democratas estão cobrando também regras rígidas de regulação do mercado financeiro para aprovar o plano. “Nós não podemos dar um cheque em branco para Washington”, afirmou o candidato democrata Barack Obama, exigindo também o rigoroso controle e monitoramento da implementação do plano proposto pelo governo Bush.

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