29 de setembro de 2008

Sobre as Eleições em Porto Alegre

As principais bandeiras que identificam politicamente a prefeitura de Porto Alegre são a manutençao do Orçamento Participativo e a Governança Solidária Local, compromissos que o então candidato pelo PPS a Prefeito assumiu na campanha e honrou ao longo do seu governo. O fato dessas bandeiras do PPS terem marcado a gestão Fogaça, mesmo com a sua mudança de partido, somadas ao fato de que uma parte dos quadros políticos do PPS, com visibilidade e enraizamento na vida comunitária da cidade, ter permanecido ao seu lado, vem dificultando a candidatura Manuela. Por outro lado, a manutenção do OP contribuiu para esvaziar as propostas do PT e dificultar a candidatura Maria do Rosário. Ou seja, o fato de a alma do PPS ter ficado no governo Fogaça é um fator importante da sua liderança com boa margem no primeiro turno, menos pelo que alavanca Fogaça e mais pelo que segura o crescimento das candidaturas concorrentes mais fortes.

Ausência de Debates Sobre a Democracia na Cidade

Essas duas formas inovadoras e emblemáticas de exercício da democracia na cidade, o Orçamento Participativo e a Governança Solidária Local, e que fazem de Porto Alegre uma cidade reconhecida mundialmente, tem estado praticamente ausentes do debate eleitoral. Ora, essa é a marca genuína de Porto Alegre, sua identidade para o mundo. Agora mesmo, a cidade foi escolhida para participar da Expo Shangai 2010 na China, devido a inovação que a Governança Solidária Local, conjugada com o Orçamento Participativo, significam para o aperfeiçoamento democrático da vida na cidade. Qual a explicação para essa omissão? Será que ela revela o baixo compromisso que os candidatos e suas campanhas tem com o que há de mais importante para uma cidade, que é sua identidade, aquilo que a diferencia e afirma perante as demais cidades, nesse mundo globalizado? Será que não está sendo esquecido que essa marca genuína e mundialmente reconhecida de Porto Alegre é um fator essencial que atrai visitantes e turistas, estudiosos, políticos, executivos públicos, e, inclusive, negócios e novos investimentos? Será que nossos candidatos não estão caindo na mesmice das visões provincianas, quando a sociedade do conhecimento e da globalização exigem um olhar de estadistas, estratégico, sistêmico e universal?

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