28 de setembro de 2008

Sinais da Crise por Todos os Lados

Enquanto governo e Congresso não chegam a um acordo sobre uma solução global para a maior crise econômica desde a Grande Depressão, sinais de seu agravamento aparecem por todos os lados. Nessa última quinta feira à noite, o Washington Mutual, maior banco de poupança e empréstimos, com 2300 agências espalhadas pelo país, teve que ser salvo pelo governo, para evitar a maior quebra bancária da história dos Estados Unidos. As autoridades econômicas negociaram a venda da quase totalidade do banco para o JPMorgan Chase, e o que restou dele foi assumido pelo governo. Nessa sexta-feira, o Wall Street Journal anuncia que o banco Wachovia está em negociações com possíveis compradores, tendo perdido 27% no valor de suas ações nos últimos dias. Nos jornais dessa sexta-feira, aparecem anúncios desse tipo: uma chamada em destaque “Quebra da Bolsa de Valores” e o texto “Devido à quebra da bolsa de valores, eu sou forçada a vender minha casa de 3 dormitórios abaixo do seu preço. Você fixa o preço. Minha perda é seu ganho. Adquira uma casa, com seu crédito bom.” O anúncio é assinado por Jonie O´Brien e leva sua foto, para não haver dúvidas.

A Dinâmica da Quebra de Wall Street

A demanda por seguro-desemprego saltou para 493 mil nesse ano, o maior nível desde o período que se seguiu ao ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, devido ao impacto da desaceleração da economia, amplificado pelas vítimas dos furacões Ike e Gustav. Mesmo eliminando os efeitos dos furacões, segundo os especialistas, os números refletem um sinal de recessão. Já a venda de casas novas caiu em agosto para o seu menor nível desde 1991, 460 mil unidades por ano, enquanto o preço médio de venda de casas novas caiu para níveis nunca antes registrados, de 221.900 dólares por unidade. O mesmo está ocorrendo com o mercado de casas usadas. O crescimento do desemprego, a redução do poder de compra dos salários e a consequente incapacidade das famílias de pagarem seus financiamentos, provocou o surto de hipotecas não-pagas e de confisco de casas, num ritmo médio que chegou a 10 mil casas por dia. Seguiu-se a deterioração do mercado habitacional, com a queda tanto nas quantidades vendidas como nos preços praticados, causando perdas de bilhões de dólares às empresas financeiras. A falta de regulação e controle preventivos por parte do governo permitiu que esse círculo vicioso crescesse, a ponto de se transformar numa severa crise nos mercados financeiros do país, que acabou levando à quebra de Wall Street.

Governos Locais e Estaduais no Turbilhão da Crise

Os governos locais e estaduais também entraram no turbilhão da crise. A agência de desenvolvimento da prefeitura de San Jose, capital do Vale do Silício, teve que suspender a venda de bônus, cujos resultados seriam destinados a viabilizar vários investimentos sociais e culturais na cidade, porque o mercado de crédito do país está praticamente congelado. Por sua vez, o desemprego e as perdas salariais, somadas a queda no mercado habitacional, provocam a redução dos impostos pagos sobre as vendas e sobre a propriedade, as duas principais fontes de receita dos governos sub-nacionais, tanto os Estados como as prefeituras. Com menor receita, os governos sub-nacionais acabam tendo que reduzir seus investimentos sociais e em infra-estrutura, contribuindo para a deterioração dos serviços públicos essenciais e da qualidade de vida nas comunidades.

Seria o Plano de Socorro o Melhor Remédio para a Crise?

Na medida em que se aprofundam os debates sobre o plano de socorro de 700 bilhões de dólares proposto pelo governo Bush, com a participação de economistas, especialistas, executivos da área financeira e, inclusive, opiniões e sentimentos de pessoas comuns, começam a surgir dúvidas crescentes sobre a eficácia e, inclusive, sobre a necessidade de ser aportado tal volume de recursos públicos para salvar instituições financeiras quebradas. A pergunta recorrente entre as pessoas comuns, como Gene Thomas, um vendedor de salsichas é : “porque os contribuintes tem que pagar essa conta?”. Ou, então, “nós estamos salvando os grandes, e isso me deixa preocupado sobre meus três netos, porque serão eles os que pagarão por tudo isso”. Já os estudiosos questionam se o governo deveria comprar créditos podres das empresas financeiras, como propõe o plano, ou deixar que os mecanismos existentes de seguros de depósitos façam seu trabalho, quando assim for necessário, depois de rigorosas auditorias e investigações.

Uma Alternativa ao Plano de Socorro

Para viabilizar essa alternativa, em vez de utilizar recursos para comprar créditos podres, com todas as complicações operacionais e éticas envolvidas, o governo capitalizaria a “Federal Deposit Insurance Corporation” (Corporação Federal de Seguros de Depósitos), que daria cobertura aos depósitos quando necessário. E para realizar as auditorias e investigações, e só bancar as operações realizadas corretamente e sem fraude, o governo disponibilizaria recursos ao “Federal Bureau of Investigation” (o famoso FBI). O trabalho conjunto dessas duas agências federais, segundo James Galbraith, enfrentaria a crise de forma mais eficaz, ética e a menor custo para os contribuintes. Ao lado disso, é claro, seriam necessárias medidas estruturais para retomar o crescimento do mercado habitacional, reequilibrar os orçamentos dos governos sub-nacionais, e abrir um novo campo de investimentos produtivos e inovação no país. A área mais necessária de grandes investimentos é a da energia, que poderia impulsionar um novo surto de desenvolvimento e geração de oportunidades nos próximos anos.

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