26 de setembro de 2008

Saia Justa Para os Republicanos

Das negociações políticas que se realizam em torno do plano de socorro de 700 bilhões de dólares para as instituições financeiras, está ficando claro que os republicanos são os que estão criando mais dificuldades. Não porque eles não queiram salvar os bancos e evitar um colapso na economia norte-americana e mundial. O motivo é outro. Eles sempre defenderam, em toda a sua história, um governo ausente da regulamentação da economia, que o mercado deve ser deixado livre, porque em liberdade ele se auto-regula e equilibra. Agora, estão sem discurso político para justificar uma proposta de seu próprio governo, que realiza a maior intervenção de um governo na economia desde a Grande Depressão, há cerca de 80 anos atrás. O próprio Presidente Bush e seu governo estão constrangidos e mal na foto, porque até hoje sempre defenderam a filosofia da liberalização dos mercados, cujo principal postulado é reduzir a interferência do governo na economia, que só prejudicaria o seu funcionamento. E agora José?

McCain Deu o Lance Mas Saiu Fragilizado

Outro fato inusitado está acontecendo. O candidato republicano John McCain, que propôs a suspensão da campanha e o encontro em Washington, reunindo os candidatos à presidência, líderes partidários e o Presidente Bush, com um discurso muito semelhante aos democratas, de apoio ao plano de socorro, atendidas determinadas condições, está ficando sem chão, uma vez que não está conseguindo o respaldo que imaginava de sua própria base partidária. Dada a gravidade da situação da economia, é provável que acabe ocorrendo um acordo para a aprovação do plano de socorro. Entretanto, o saldo político será um cheque-mate no histórico discurso republicano, deixando a candidatura republicana com pouco chão, e fortalecendo a filosofia democrata de maior regulação e presença do Estado na economia, abraçada por Obama . Está igualmente resultando em desgaste para McCain sua proposta de suspender o primeiro debate nacional entre os candidatos a presidente, marcado para amanhã.

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