8 de setembro de 2008

Revitalização da Classe Média

A eventual vitória de Obama está sendo interpretada em termos de política econômica como o fim da era Reagan de neo-liberalismo e o ressurgimento do que poderíamos chamar um neo-keynesianismo. Praticamente todas as propostas do candidato democrata assentam-se em duas mudanças substantivas na gestão do orçamento público do governo dos Estados Unidos. Pelo lado da receita, a redução de impostos para os trabalhadores e as classes médias, que representam 95% da população. Essa perda de receita seria compensada com o aumento de impostos e redução de subsídios para o topo da pirâmide, que alcança menos de 5 % de norte-americanos mais ricos, incluindo aqui pessoas e corporações. Tal iniciativa vai no sentido contrário do que ocorreu nos anos Bush e procura aliviar o impacto da atual estagflação (recessão com inflação) sobre os norte-americanos menos abastados.

Gastos Sociais e Estratégicos

Pelo lado da despesa pública, a estratégia democrata aponta para o aumento de gastos sociais, tais como a melhoria dos salários de professores de escolas públicas e a ampliação do sistema público de atenção à saúde, ao lado do aumento dos investimentos e subsídios para estimular a exploração de fontes alternativas de energia, de modo que o país elimine a dependência de petróleo importado do oriente médio no prazo de dez anos. Para financiar esse gastos sem ampliar ainda mais o déficit fiscal e o endividamento público, como parece ser o compromisso democrata, além de iniciativas pelo lado da receita que poderão aumentá-la, está claramente colocada no horizonte a possibilidade de uma redução nos trilhionários gastos militares, mas esse é um tema explosivo que não é abordado com clareza.

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