Liderança e Não Imposição
O discurso do Senador Ted Kennedy na Convenção que oficializou a candidatura democrata é revelador do que me parece ser o pano de fundo que emoldura o significado da candidatura Obama, ou seja, a tentativa da nação norte-americana, através do Partido Democrata, de recuperar a liderança mundial através da afirmação dos seus valores fundantes da liberdade, da igualdade de oportunidades, da democracia, da responsabilidade conjunta pelo destino comum. Obama, portanto, expressa a autocrítica que uma parcela importante - ainda não sabemos se majoritária - dos norte-americanos realiza do estrago que os anos Bush representaram para a imagem, a credibilidade e a liderança mundial dos Estados Unidos, situação que só se tem agravado com a ascensão econômica e política das demais grandes nações do ocidente e do oriente nessa etapa da globalização.
Poder do Exemplo e não Exemplo do Poder
A candidatura Obama está conseguindo forjar uma unidade política que o Partido Democrata desconhecia em suas fileiras desde a primeira eleição de Clinton há dezesseis anos atrás. Os desafios em torno dos quais essa unidade está sendo forjada são basicamente dois, segundo o ex-presidente Clinton: de um lado, o enfraquecimento da economia norte-americana, que tem provocado o empobrecimento da classe média, a redução das oportunidades de trabalho, o aumento da pobreza e da desigualdade social; de outro, o enfraquecimento da liderança internacional dos Estados Unidos, devido à opção do governo Bush pelo unilateralismo do “exemplo do poder e não pelo poder do exemplo”, no trato das controvérsias e crises na arena mundial. Clinton lembra que ele também era acusado pelos republicanos em 1992 de ser muito jovem e inexperiente para ser “comandante em chefe”, mas essa crítica não funcionou porque ele estava do lado certo da história. Hoje a mesma crítica é feita a Obama, mas também não vai funcionar “porque ele está do lado certo da história”.
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