24 de setembro de 2008

O Fim da Especulação Financeira Desenfreada

Após perderem a metade de seu valor de mercado ao longo desse ano, a decisão dos dois últimos bancos de investimentos privados independentes – Goldman Sachs e Morgan Stanley - de transformar-se bancos comerciais, sujeitos a regras de controle mais rigorosas por parte do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, encerra a chamada moderna Era de Ouro das finanças de Wall Street. Foi nesse longo período, de cerca de duas décadas, quando dezenas de bancos de investimentos obtiveram fabulosas taxas de rentabilidade, obtidas à base de práticas heterodoxas e altamente arriscadas de especulação financeira. Essas práticas acabaram fazendo escola em todo o mundo.

Surgirão Novas Modalidades de Especulação?

Na última década, o mercado habitacional foi a base dessas transações financeiras de alto risco, que se traduziam em operações colaterais, derivativas e outras tantas manobras que permitiam multiplicar os financiamentos sem garantias reais. Hoje, o Goldman Sachs tem ativos financeiros de 22 dólares para cada dólar de capital próprio. O Morgan Stanley tem 30 dólares de ativos para cada dólar de capital. Ao transformar-se em bancos comerciais, terão que transitar para uma nova posição, semelhante a do Bank of America, que tem menos de 11 dólares para cada dólar de capital. Com menos dinheiro para emprestar com relação ao seu capital próprio, tornar-se-ão instituições financeiras mais sólidas, mas isso também significará uma limitação em seus lucros. Até um ano atrás, os bancos de investimento, gigantes das finanças mundiais, consideravam a regulamentação dos mercados financeiros uma proposta a ser evitada a qualquer custo. Os bancos comerciais, no entanto, sempre estiveram sujeitos a restrições em termos de quanto dinheiro eles podem emprestar e em quais tipos de negócios eles podem envolver-se. A pergunta que não quer calar: com tanta disponibilidade de liquidez mundial, os mercados não acabarão desenvolvendo novas formas de especulação?

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