
Quando se realiza o primeiro debate nacional entre os dois principais candidatos à presidência, cujo tema central é a política exterior dos Estados Unidos, vale a pena comentar a conferência que acabo de assistir do correspondente estrangeiro e jornalista Robert Fisk. Chefe do Escritório do Oriente Médio do “The Independent”, Fisk é vencedor do Prêmio de Jornalista Internacional do Ano na Inglaterra por sete vezes, e dedicou-se a analisar a cobertura que a mídia norte-americana faz do que ocorre no Oriente Médio. A linguagem utilizada, segundo Fisk, é “semantizada”, para não mostrar os fatos tais como realmente são. E descontextualizada: a foto de um jovem palestino atirando uma pedra é utilizada para mostrar um povo violento, quando, na verdade, ele está tentando defender a terra de sua família de alguém que tenta ocupá-la. O Oriente Médio é uma tragédia humana, parece como se existisse um muro na mídia que tenta impedir os norte-americanos de compreenderem o que está acontecendo lá, quais os problemas que enfrenta. A cobertura é igual a que foi feita sobre o 11 de setembro, sempre para responder quem, ou como, nunca para responder por que se chegou a essa situação. Os jornalistas, segundo Fisk, tem que ler menos releases e mais livros de história, porque muito do anti-americanismo muçulmano resulta dos erros que cometemos na história de nosso relacionamento.
Não Há Um Conflito de CivilizaçõesContinuamos achando que temos que impor os padrões da democracia ocidental, nossa cultura e nosso modo de vida a um povo considerado bárbaro e atrasado. Ou, como afirmou uma alta autoridade militar dos Estados Unidos, “nós estamos aqui para libertar esse povo de séculos de tirania”. Será que vamos repetir no Afeganistão, no Iran, na Síria, os fracassos do Iraque? Fisk sugere que os norte-americanos deveriam ampliar suas relações com o mundo muçulmano em todos os níveis, econômico, social, político, cultural, religioso e inclusive turístico, para poder entendê-lo melhor. Será que o Islam é mesmo uma ameaça para nós, pergunta. É falsa a concepção de que há um conflito de civilizações entre nós e o Oriente. Na verdade, ver um homem ou uma mulher diferente, não é ver um adversário ou um inimigo, é ver um irmão, seja em religião, ou em humanidade. Fisk não consegue explicar, no entanto, porque Tony Blair, depois de ajudar a pacificar a Irlanda e transformar-se em estadista, colocou-se ao lado de Bush na invasão do Iraque, comprometendo toda a sua carreira política.
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