A campanha de Obama revela um propósito que vai mais além da vitória eleitoral. Nas atividades dos comitês, na orientação dos sites na internet, nos textos de divulgação fica muito claro que o objetivo é também estimular a organização das pessoas na vizinhança, em comunidades de base, de tal modo a que essa mobilização ultrapasse o período eleitoral e possa sustentar um movimento de longo prazo por mudanças no país. Barack Obama tem destacado esse objetivo em seus pronunciamentos, quando diz que acredita na mudança quando é construída “bottom up” (de baixo para cima) e quando afirma, como no discurso de aceitação da candidatura na Convenção Democrata, “que a mudança não virá de Washington e sim irá para Washingon”. O quanto essa é apenas uma estratégia eleitoral e o quanto é o surgimento de um amplo movimento de pessoas por mudanças efetivas no país, isso só a história mostrará. Mas uma questão fica clara, a capacidade que a campanha está revelando de envolvimento e mobilização de milhões de norte-americanos, como nunca se viu antes na história recente do país, é talvez o caminho possível para viabilizar a eleição, de forma inédita em sua história, de um afro-americano para a presidência da nação mais poderosa do mundo, cuja discriminação e lutas raciais foi tão intensa e deixou tamanho saldo de injustiças e sangue no passado.
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