17 de setembro de 2008

Economia no Centro da Campanha

As pesquisas já indicavam que os temas econômicos e seus reflexos no bolso dos consumidores eram a principal preocupação dos norte-americanos. Entretanto, por mais que o candidato democrata tentasse realçar as questões que atingem a vida cotidiana das pessoas e debater as suas causas, como o aumento dos preços da gasolina e dos alimentos, o aumento do desemprego, a crise do sistema de financiamento habitacional, a dinâmica da campanha eleitoral apontava em outras direções. As manobras inteligentes feitas pelos republicanos estavam sendo bem sucedidas e a campanha girava em torno da falta de experiência executiva de Obama, de suas idéias avançadas sobre educação sexual nas escolas, da novidade de uma mulher como candidata a vice de McCain, da retomada dos valores tradicionais da família e da pátria. Inclusive ocupava grande parte da mídia o debate sobre declarações polêmicas, como aquela recente de Obama insinuando que os republicanos tentaram “put lipstick on a pig” (colocar batom num porco). O estouro da crise nos mercados financeiros de Wall Street desde o último domingo, finalmente, colocou a economia no centro da campanha.

Debate Superficial Sobre Causas da Crise

As evidências da gravidade dessa crise e suas repercussões na economia como um todo - redução da taxa de crescimento, aumento do desemprego, crescimento dos déficits comercial e fiscal, fragilização do já combalido dólar – sugerem que esse tema não só permanecerá no centro do debate eleitoral até o dia das eleições, como também deverá preencher boa parte da agenda presidencial do próximo presidente eleito. É surpreendente, entretanto, que a reação dos candidatos diante do que ocorre em Wall Street passa a impressão que ambos subestimavam a gravidade da crise financeira. Não transparece em nenhuma das duas candidaturas uma compreensão sobre as causas mais profundas da crise e como combatê-las. Fala-se que a crise tem suas origens nas operações de alto risco realizadas nos últimos anos pelas instituições que operam com financiamento habitacional. Argumenta-se que isso ocorreu devido a falta de uma regulamentação mais rigorosa desse mercado. Isso é parte da verdade. Pouco ou nada se fala, entretanto, da outra parte da verdade que é a fragilização da economia real dos Estados Unidos diante das demais economias do mundo e suas causas, que se manifesta na progressiva perda de valor do dólar. Enfrentar essa questão estrutural parece ser um tema que ficará fora do debate eleitoral desse ano.

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