Debate Superficial Sobre Causas da Crise
As evidências da gravidade dessa crise e suas repercussões na economia como um todo - redução da taxa de crescimento, aumento do desemprego, crescimento dos déficits comercial e fiscal, fragilização do já combalido dólar – sugerem que esse tema não só permanecerá no centro do debate eleitoral até o dia das eleições, como também deverá preencher boa parte da agenda presidencial do próximo presidente eleito. É surpreendente, entretanto, que a reação dos candidatos diante do que ocorre em Wall Street passa a impressão que ambos subestimavam a gravidade da crise financeira. Não transparece em nenhuma das duas candidaturas uma compreensão sobre as causas mais profundas da crise e como combatê-las. Fala-se que a crise tem suas origens nas operações de alto risco realizadas nos últimos anos pelas instituições que operam com financiamento habitacional. Argumenta-se que isso ocorreu devido a falta de uma regulamentação mais rigorosa desse mercado. Isso é parte da verdade. Pouco ou nada se fala, entretanto, da outra parte da verdade que é a fragilização da economia real dos Estados Unidos diante das demais economias do mundo e suas causas, que se manifesta na progressiva perda de valor do dólar. Enfrentar essa questão estrutural parece ser um tema que ficará fora do debate eleitoral desse ano.
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