Crise: Saída é a Retomada do Crescimento
Não há dúvida de que a origem imediata da crise seja o mercado de financiamento habitacional, com cerca de 10 mil famílias, diariamente, tendo suas casas confiscadas pelas instituições financeiras, por falta de pagamento dos financiamentos tomados. Por isso, resgatar os créditos podres em mãos das instituições financeiras e corrigir as distorções desse mercado são consideradas medidas necessárias e urgentes para estabilizar o sistema de crédito da economia. Os Senadores também estão exigindo provisões específicas no plano de socorro para reduzir o confisco de casas. Entretanto, o problema de fundo é outro: as famílias não estão conseguindo pagar seus financiamentos porque os salários perdem poder aquisitivo diante da inflação e, em média, mensalmente, cerca de 70 mil trabalhadores perdem seus empregos. Portanto, a recuperação do mercado habitacional é a solução estrutural para a crise dos mercados financeiros e essa só virá com a retomada do crescimento da economia norte-americana, que ninguém consegue prever quando ocorrerá.
Crise: Sem Garantias de que o Plano Funcione
Vários Senadores insistiram na pergunta: qual a garantia de que o plano vai dar certo? Nenhuma das autoridades da área econômica deu uma resposta firme. Repetiram que a única certeza que tem é de que a alternativa ao plano de socorro seria muito pior, pelas repercussões em termos de agravamento do desemprego e da perda de salários que a quebra do sistema financeiro provocaria na economia como um todo, tanto nos Estados Unidos como nos demais países do mundo. A reação dos senadores foi dura: “se vocês não estão dando nenhuma garantia de que o plano vai funcionar, como podemos apoiá-lo? Vocês não estarão aqui em janeiro de 2009 e seremos nós que teremos de explicar aos nossos eleitores o seu eventual fracasso. O que nós faremos se daqui há alguns meses for necessário ainda mais dinheiro?” Ben Bernanke foi claro: “nós não sabemos o que vai acontecer nos próximos meses”. Chegou a ser feita a proposta de envolver os Bancos Centrais dos demais países do mundo no co-financiamento do socorro ao sistema bancário.
Crise: Como Determinar o Valor dos Créditos Podres?
A pergunta que gerou maior tempo de debates: como determinar o valor de compra e de venda dos créditos podres? São inúmeros tipos de créditos, seja na forma de hipotecas habitacionais, ou de seguros vinculados a elas. É impossível nesse momento calcular seu fluxo de caixa futuro. Portanto, a sugestão das autoridades econômicas é a busca de apoio de especialistas e a realização de “reverse auctions” (leilões invertidos), ou seja, em que os créditos serão comprados ao menor preço e vendidos no futuro ao maior preço ofertado. Mas tanto Bernanke como Paulson reconheceram que ainda não há uma metodologia definida, que assegure o pagamento de preços justos para os créditos podres. Diante disso, ficou sem resposta a pergunta dos Senadores quanto a estimativa do custo total do plano de socorro para os contribuintes, no final de sua implantação. Foi revelado pelas autoridades econômicas que os recursos do plano de socorro também poderão ser utilizados para aquisição de outros créditos podres, como dívidas de cartões de crédito e empréstimos para estudantes. Vários Senadores ficaram contrariados com essa possibilidade.
Crise: Autorização do Valor em Parcelas
Cresceu ao longo da Sessão da Comissão de Bancos do Senado a proposta de autorizar os valores do plano de socorro aos bancos por tranches trimestrais. Cada uma delas teria o valor de 150 bilhões de dólares, uma vez que as autoridades econômicas previram a utilização de não mais do que 50 bilhões por mês na compra de títulos podres. Segundo os Senadores, haveria uma primeira autorização de 150 bilhões e, em janeiro, seria feito exame do que deu certo ou não e definidos os próximos passos. Tanto Bernanke como Paulson reagiram contra a proposta, afirmando que a autorização do valor global é necessária para passar confiança a um mercado de crédito instável e paralizado, que necessita voltar a funcionar para não penalizar ainda mais a economia como um todo. Essa resposta reforçou a exigência de uma rigoroso e transparente sistema de supervisão e controle, limitando os poderes e a autonomia que o Secretário do Tesouro deseja ter na implementação do plano.
Crise: Insegurança e Improvisação das Autoridades
As manifestações das autoridades econômicas do governo na Comissão de Bancos do Senado transpareceram a improvisação com que foi elaborado o plano de socorro e a insegurança com que estão sendo dados esses primeiros passos para viabilizar sua implantação. Ao mesmo tempo, ficou evidente a sua ansiedade para que uma autorização urgente do Congresso ocorra, de modo a que possam começar a agir. Para boa parte das questões dos Senadores, a resposta foi: “nunca lidamos com isso antes”; “experimentação, teremos que trabalhar nisso juntos”. Bernanke admitiu: “Não podemos engessar a legislação com muitas restrições, porque precisamos de flexibilidade para lidar com um problema novo”. Afirmações de Paulson : “um dos problemas é o excesso de complexidade de muitas dessas operações, que esconde o tamanho de sua iliquidez”; “é uma vergonha para essas instituições financeiras e para os Estados Unidos. Tem muita culpa a ser apurada. Estamos todos frustrados”; “compartilho a revolta dos senhores Senadores”. Chegou a causar constrangimento a declaração de Paulson de que ficou “chocado com a constatação de que todo o atual sistema de regulação do mercado financeiro está inadequado, porque foi feito para uma realidade do passado e não para a que temos hoje”. Um Senador questionou: “como, se durante 7 anos o senhor foi o principal executivo do Goldman Sachs?”
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