4 de setembro de 2008

A Candidatura McCain

Tenho procurado acompanhar os desdobramentos da Convenção do Partido Republicano com a maior objetividade possível, tentando controlar minha preferência pela candidatura democrata, como já deve ter ficado claro. Antes mesmo de tornar público o meu blog, e preocupado com essa questão, cheguei a escrever uma nota que reproduzo abaixo:

“É importante, por outro lado, não caricaturizar a candidatura Mc Cain, porque ela também procura representar uma mudança em relação a Bush. Entretanto, é difícil não associar os interesses mais profundos que sustentam essa alternativa ao projeto do atual governo, cujos resultados não recomendam uma continuidade. Ou seja, é pouco provável que tenhamos qualquer alteração significativa de rumos com McCain na presidência, embora sua trajetória pessoal e política seja respeitável. No contexto da eleição americana, portanto, não há como dissociar McCain da continuidade e Obama da mudança de rumos para o país, interna e internacionalmente. A pergunta que fica é: Obama poderá ser uma efetiva mudança de rumos para os Estados Unidos caso vença as eleições? Será ele capaz de atenuar a ação do complexo industrial-militar e conduzir o país para um caminho de diálogo, diplomacia e entendimento entre os povos, como ele está defendendo em campanha?”

Cultura da Guerra

Agora, vendo os fatos pela televisão, acabo reforçando meu posicionamento pela mudança. A ênfase da Convenção Republicana tem sido o orgulho pelos Estados Unidos como grande potência, como se ainda estivéssemos no período de pós-segunda guerra mundial, quando o mundo era totalmente diferente de hoje. O que mais vi durante a Convenção Republicana foram homenagens a mortos e veteranos de guerra; a apresentação de vídeos destacando a presença corajosa dos soldados norte-americanos nas frentes de combate; o destaque para a figura de McCain como veterano de guerra, prisioneiro e torturado pelos norte-vietnamitas. Ouvi afirmações de lideranças republicanas do tipo “McCain será um presidente que não precisa se desculpar por ser presidente dos Estados Unidos”; “McCain será um presidente que os aliados vão honrar e os inimigos vão temer”; “Barack não é um presidente para esses tempos difíceis para os Estados Unidos”. Em seu discurso para os convencionais, o presidente Bush não perdeu a oportunidade de denunciar que “os democratas estão tentando cortar os recursos para nossas tropas nas frentes de combate”, recebendo aplausos entusiasmados dos convencionais.


Política Desconectada


Um analista político comentou muito apropriadamente: a sociedade mudou, mas o Partido Republicano ainda não. Fica fácil compreender também a preferência da juventude americana pela candidatura Obama, conforme destacou a revista Time em sua edição de 1º de setembro: “Obama reflete o sentimento generalizado entre os mais jovens nos Estados Unidos de que o tempo está avançando mas a política não”.

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