
O Banco Central dos Estados Unidos aportou ontem mais 85 bilhões de dólares no mercado financeiro, agora para salvar a companhia de seguros American International Group – AIG. Já estamos diante da mais radical intervenção em negócios privados na história do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. Hoje, o Fed solicitou 408 bilhões de dólares ao Tesouro para cobrir seu déficit, causado pelos custos das intervenções no mercado financeiro. Isso está acontecendo em pleno centro do pensamento liberal no mundo. E isso está acontecendo poucos dias depois de o Fed haver negado uma operação de socorro para salvar o Banco Lehman Brothers, que acabou pedindo concordata. Porque dois pesos e duas medidas? Pelo maior impacto que a quebra da seguradora teria no sistema financeiro e no conjunto da economia, atingindo milhões de famílias e empresas seguradas, nos Estados Unidos e em todo o mundo, inclusive com importantes ramificações no Brasil. Essa repercussão mundial causaria um perigoso agravamento da crise, com o aprofundamento da recessão em curso, o que está sendo evitado a qualquer custo, inclusive pelas suas implicações políticas em pleno processo eleitoral. Diante de interesses fundamentais para os grandes negócios que estão em jogo, o governo impõe arbitrariamente mais uma socialização de prejuízos para os contribuintes e os cidadãos norte-americanos.
Incoerência Abala McCainNinguém arrisca a dizer que já chegamos ao fundo do poço, pois o sentimento que prevalece no mercado é de que a crise está longe de haver terminado. A bolsa de Nova York e as bolsas asiáticas fecharam com forte baixa, o que demonstra que a confiança no mercado continua abalada, que os investidores estão buscando aplicações mais seguras como letras do Tesouro e que, portanto, ainda poderão ocorrer novidades. Enquanto isso, a campanha se concentra integralmente no debate sobre a crise, suas causas e conseqüências. Para Obama, o que temos visto é a falência de uma filosofia econômica, baseada no princípio da liberdade de mercado e na liberalização financeira. Já McCain, um histórico defensor da desregulamentação dos mercados, vem a público como um recém convertido da necessidade de controle e regulamentação, mas é acusado de mudar o discurso unicamente por oportunismo eleitoral. “McCain está fazendo a campanha mais negativa e mentirosa da história recente das eleições presidenciais. Ele tem demonstrado que prefere perder a integridade do que perder essas eleições”, afirma a campanha democrata.
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