30 de julho de 2008

Esperança e Responsabilidade Social

Esta é uma noite de grande alegria, uma alegria incontida, que está estampada nos rostos desses jovens, de seus familiares, de seus orientadores e que a todos nós contamina e emociona.


Uma cerimônia de formatura simboliza a conquista de uma etapa, o início de uma nova jornada, mas acima de tudo, simboliza o impulso mágico que nos impeliu a superar nossos próprios limites naquelas noites frias em que pensamos em desistir; naquelas manhãs chuvosas em que hesitamos em levantar da cama; naquelas horas em que chegamos a pensar que não teríamos condições de estudar para uma prova ou naqueles instantes em que dissemos: “não entendo, isto não entra na minha cabeça, não vou conseguir tirar uma boa nota”.


Alguns chamam este impulso mágico de força de vontade, muitos de coragem, outros ainda classificam esta energia interna de entusiasmo. Penso que este impulso é tudo isso, sim. Mas é também muito mais. Vocês chegaram a esta cerimônia, que enche a todos nós de orgulho, por que este impulso mágico chama-se Esperança. E é sobre este motor denominado Esperança que gostaria de trocar algumas idéias com vocês.


Antes, porém, faço questão de dizer-lhes o quanto o convite para ser seu paraninfo me fez refletir. Em primeiro lugar, porque é uma grande honra estar aqui como padrinho de vocês. Coloca sobre meus ombros uma responsabilidade enorme e, no final das contas a gente se sente tentado a oferecer conselhos, a dar dicas, a indicar caminhos. Vou tentar fugir a regra.


Em segundo lugar, preciso dizer-lhes que estas breves reflexões foram provocadas pelos sentimentos em mim despertados ao tentar colocar-me no lugar de vocês, formandos. O que senti na minha formatura? O que senti quando recebi meu primeiro diploma como deputado? O que senti ao ser empossado Secretário de Estado por duas vezes e agora recentemente como Secretário Municipal de Porto Alegre? Senti muita Esperança.


O que os moveu até chegarem a esta cerimônia? A Esperança. O que os leva a projetar seu futuro daqui por diante? A Esperança. O que motivou Geraldo Linck a criar sua escola? A Esperança. O que fez com que a Escola Geraldo Linck se transformasse nesse fantástico Projeto Pescar? O que fez a Empresa Brasília Guaíba criar esta Escola Técnica do Projeto Pescar? A Esperança.


Em 29 anos, o Projeto Pescar, movido pela Esperança, espalhou-se através de franquia social em pelo menos 100 escolas em oito estados brasileiros e também pela Argentina e construiu a possibilidade concreta de um futuro melhor a quase 10 mil jovens.


Exatamente hoje, a Fundação Projeto Pescar completa 10 anos e comemoramos a construção de uma Rede de Esperança que já abrange 75 empresas que mantém regularmente cursos semelhantes ao que vocês agora concluem. E o que é mais importante. Em quase três décadas de existência, o projeto inspirado no provérbio que diz que “não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar’’, têm 75% de seus alunos atuando no mercado de trabalho, alguns, inclusive como empresários.


Isso significa dizer que a Esperança tem sido a mola propulsora deste Movimento pela Responsabilidade Social que está inspirando mais e mais empresas, cidadãos e Poder Público a reagir concreta e eficazmente ante as grandes desigualdades sociais, promovendo oportunidade de inclusão social.


São pessoas como vocês – alunos, professores, empresários – que não deixaram de sonhar, que têm levado a Humanidade para frente. E embora nem tudo que seja produzido por esta mesma Humanidade seja lá essas coisas, há uma consciência e uma atitude cidadã local e planetária Responsabilidade Social movida pela Esperança, que está gerando novas relações em sociedade.


A Esperança tem pautado a minha vida e quero afiançar-lhes que ao construir o sonho em nossos corações, aos poucos, vamos iluminando o trajeto de nossos parceiros de jornada. E coisas boas vão acontecendo. A Responsabilidade Social é uma delas. Por que não é só sonhar. Tem que ter compromisso com a comunidade. E muito trabalho, muito suor junto. Há que não temer o desafio também.


A propósito, o publicitário Nizan Guanaes, ao discursar também como paraninfo, disse certa vez que se sentia autorizado a dar pelo menos um conselho àqueles formandos. E sugeriu a eles: “Não pautem sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Amem seu ofício com todo o coração. Persigam fazer o melhor. Sejam fascinados pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência”.E justificou sua dica contando uma passagem extraordinária que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu também não, meu filho".


O Brasil passa hoje por um momento histórico, onde muitos, ante a divulgação de tantas denúncias de corrupção, dizem que a Desilusão venceu a Esperança. Quero dizer-lhes que esta cerimônia é real, é a prova que a Esperança gera fatos concretos que nos comprovam que a Humanidade deu certo até aqui e que temos futuro. Esta cerimônia renova minha fé no ser humano, na vontade interior de homens e mulheres que expandem seu lado bom porque acreditam que lutar por mais justiça social vale a pena, que construir uma vida digna não é tão difícil assim.


Os políticos estão em descrédito. Mas nem por isso devemos deixar de acreditar na Política – na Política com “P” maiúsculo. Se estamos estarrecidos, chocados, desencantados, amedrontados pelo que pode vir pela frente, ainda assim não podemos perder a Esperança. Muitos deram seu sangue, suas vidas, muitas lágrimas, muito suor para que chegássemos até aqui, não temos o direito de não ter Esperança. E vocês são o exemplo vivo de que sempre vale a pena buscar realizar nossos sonhos.


Os sonhos do Alan, do Anderson, do Bruno, do Claudinei, do Daniel, do Dener, do Diego, do Genemias, do Ivaldo, do Lessandro, do Marco, do Rafael Costa, do Rafael Almeida, do Rudinei e do Sidinei nesta formatura concretizam os sonhos de Geraldo Linck, de dona Rose Marie Linck, da Escola Técnica e da Empresa Brasília Guaíba, do Dr. Abrahão Loiferman, do André Loiferman, da Adriana Loiferman que estão assumindo este importante compromisso social com o Município de Portão, com a localidade de Rincão do Cascalho, com a comunidade local. Desde 1995, a Empresa Brasília Guaíba já formou 115 alunos. Não é pouca coisa.


Acredito, sinceramente, que não podemos jamais perder a capacidade de sonhar, a vontade de superar nossos limites, de compreender e respeitar as diferenças, de exigir nossos direitos, mas também de assumir nossas responsabilidades. O que me move é a Esperança de que é assim que vamos mudar o mundo, porque a mudança só virá quando todos e cada um de nós assumir sua parte na construção de uma sociedade mais justa, mais digna, mais fraterna e mais feliz, com ações concretas de Responsabilidade Social.Obrigado pela atenção, pela paciência e, principalmente, por me injetarem mais uma dose de Esperança. Vocês estão de parabéns: formandos, professores, empresários, comunidade de Rincão do Cascalho e Portão.


Pronunciamento Cézar Busatto, Secretário Municipal de Coordenação Política e Governança Local, paraninfo da turma de formando da Escola Guaíba/Fundação Pescar, julho de 2005

0 comentários: