30 de julho de 2008

A Era dos Vagalumes – o Florescer de uma Nova Cultura Política

Cézar Busatto
Jandira Feijó


A Era dos Vagalumes se propõe a provocar a reflexão sobre a importância do protagonismo cidadão que ante as sombras da globalização descruza os braços e aponta o caminho da construção do diálogo, do respeito à pluralidade e do resgate da condição de humanidade do ser humano. A exemplo de todos os grandes paradoxos de nossa civilização, os vagalumes poderiam ser considerados meros insetos cada vez mais reclusos, obscurecidos pelo crescimento das cidades. No entanto, sua magia fosforescente – que nos remete ao deslumbramento infantil ante a vida – e a sua capacidade de emitir sinais luminosos – que estimulam seus companheiros a pulsar em sintonia e de forma sincronizada provocam clarões resplandecentes – pareceu-nos a metáfora adequada para simbolizar as pessoas que com suas atitudes propositivas e sua capacidade de relacionar-se com os outros indicam que há esperança de uma sociedade melhor. Esta espécie de indignação positiva, entendemos, revela um mundo de possibilidades e o florescer de uma nova cultura política.

A fosforescência dos pequenos vagalumes é o resultado do dispêndio de energia que garante a manutenção de sua própria espécie – o que por si só deveria fazer com que cada um de nós examinasse nossas co-responsabilidades e verificasse o quanto mais poderíamos gastar de energia para assegurar uma vida mais digna, mais justa e mais saudável à humanidade. A necessidade de viver em sincronia impulsiona estes minúsculos seres a pulsar como se fossem um único ente, sem que isso os faça perder sua individualidade – o que nos leva a pensar que as ações de parcerias sempre trazem melhores resultados do que iniciativas isoladas. E a força das parcerias, sabemos, está exatamente em construir caminhos de sincronia que potencializem as especificidades de cada parceiro e sejam empreendidas com um objetivo comum.

Aprender a arte do viver junto é exercício diário, contribuição de esforço pessoal para construir o coletivo: exige diálogo, saber ouvir o outro, não temer a diferença, crescer na cooperação, dar vazão à criatividade liberadora de energias capazes de transformar sonhos em atitudes. Conviver com o próximo, sentir-se responsável pelo local onde se vive, comprometer-se em não apenas exigir, mas também oferecer – é disso que se fala quando detectamos o desabrochar de uma nova cultura política.

A Era dos Vagalumes é a expressão de uma geração de pessoas dispostas a defender valores que dão sentido a nossa razão de existir enquanto raça humana. Longe de ser uma tese acadêmica, longe de oferecer verdades absolutas, o livro é fruto de pesquisas, observações e sensações nascidas nas relações sociais que se entrecruzam cada vez mais em redes, articulando o local com o global, quebrando paradigmas e forçando o nascimento de um novo modelo de estado, mais próximo da sociedade-rede que constitui diante de nós.

É neste ambiente que surge uma nova visão de desenvolvimento: não há sustentabilidade sem o desenvolvimento das capacidades individuais e das relações de confiança, solidariedade, cooperação e do espírito cívico das comunidades. É neste contexto que o ser humano, que passa a ser encarado nas suas dimensões individual (criatividade, capacidades, liberdades, diferenças) e social (associativismo, bem-comum) começa a resgatar seu lugar central, como finalidade maior do desenvolvimento.

Procuramos reunir argumentos e experiências já em andamento e que demonstram ser possível alterar a vergonhosa situação de desigualdade entre brasileiros. Olhar com mais atenção para estas experiências não somente nos ajuda a alimentar a esperança, mas também reafirmar nosso mais profundo compromisso com os ideais democráticos e com a certeza de que nosso país já dispõe dos ativos necessários para a concretização do sonho republicano.

Estamos diante de uma situação histórica de amadurecimento da democracia, de tomada de consciência cidadã, de desenvolvimento da sociedade civil, que requer um novo pacto social, sim, uma nova base de legitimidade, sim, em torno da igualdade de oportunidades e da redução efetiva, persistente, concretamente verificável e socialmente perceptível das desigualdades sociais e da iniqüidade em nosso país. A Era dos Vagalumes, portanto, quer instigar aos brasileiros que reflitam sobre o momento atual e percebam que, apesar de alguns percalços, estamos efetivamente vivendo o florescer de uma nova cultura política.

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